Choramos com essa imagem...nenhum abraço, nenhuma interação, ou melhor, a interação é somente com a tecnologia, com os celulares... nem a queima de fogos é vista "a olho nu", somente através do celular...
E imediatamente pensamos no nosso velho barbudo, não o Papai Noel...
Karl Marx (1818 –1883)
Reificação (do latim res: "coisa"; em alemão: Verdinglichung, literalmente: "transformar algo em coisa" ou Versachlichung, literalmente: "objetificação") ou coisificação... Trata-se de uma operação mental que consiste em transformar conceitos abstratos em objetos, ou mesmo tratar seres humanos como objetos. No marxismo, o conceito designa uma forma particular de alienação, característica do modo de produção capitalista. Implica a coisificação das relações sociais, de modo que a sua natureza é expressa através de relações entre objetos de troca.
Entendendo alienação como distanciamento de nós mesmos, o que vai permitir nos tornarmos objetos e, por outro lado, o objeto, a "coisa", ganhar vida - o celular, o dinheiro, a tecnologia, e assim por diante...
Theodor Adorno (1903 – 1969) e Max Horkheimer (1895 – 1973) foram membros de um grupo de filósofos conhecidos com a Escola de Frankfurt. Ambos criaram o termo Indústria Cultural e analisaram a atuação dos meios de comunicação de massa na sociedade. É importante ressaltar que na sociedade capitalista, a cultura se torna uma mercadoria.
Coisificação (o mesmo que reificação) é o ato de transformar ideias em coisas concretas. Segundo o texto Técnica, corpo e coisificação: notas de trabalho sobre o tema da técnica em Theodor W. Adorno, o processo de coisificação das relações sociais é mediado pela técnica, que torna as pessoas semelhantes às máquinas, trazendo à tona toda a violência e barbárie presentes no ser humano, que foram culturalmente dominadas.
Para Adorno, a técnica é supervalorizada e fetichizada a tal ponto que as pessoas se relacionam com ela de forma exagerada e irracional, tornando-a o ponto central da vida. No processo de coisificação, as pessoas perdem os traços de subjetividade e individualidade, passando a compor um coletivo de pessoas que tem a vida mediada pela técnica.
Pois é isso... esta cena triste da relação com o celular, no lugar da relação entre as pessoas, é um exemplo desse processo de reificação, onde a tecnologia ganha vida e nos tornamos coisas. A tecnologia, um produto humano, ganha vida, e nos submete, viramos escravos e escravas, enfim, "perdemos" a vida!
Não é que a tecnologia seja, em princípio, a favor ou contra a vida... nós é que precisamos usá-la para a vida, para as relações bonitas e prazerosas entre nós... e não para nos tornarmos objetos, permitirmos que nossa vida seja "coisificada". Tarefa dificílima...
E como, entre nós do SBC, "pra tudo tem um samba", lembramos do lindo Paulinho da Viola:
"AS COISAS ESTÃO NO MUNDO
SÓ QUE EU QUE PRECISO APRENDER..."
..e, mais uma vez, o pedacinho final dessa música, grande aprendizagem:
Hoje eu vim, minha nega Sem saber nada da vida Querendo aprender contigo A forma de se viver
As coisas estão no mundo Só que eu preciso aprender As coisas estão no mundo Só que eu preciso aprender
Abraços carinhosos a todas e pessoas que nos leem... e esperamos que não sejam só virtuais em 2024...
Ivan Lins nasceu em 1945 no Rio de Janeiro. Agora com 78 anos, é um destacado compositor, tendo músicas gravadas por nomes consagrados como Elis Regina (Cartomante, Madalena, Aos Nossos Filhos), Simone (Começar de Novo), Quarteto em Cy (Abre Alas), Gel Costa (Roda Baiana), Jane Duboc (De Alma e Corpo, Aos Nosso Filhos) Zizi Possi (Demônio de Guarda) e Emílio Santiago (Velas Içadas).
Vítor Martins, na foto com Ivan Lins, nasceu em 1944 em Ituverava (São Paulo), ficou famoso ao compor, com Ivan Lins, a canção Abre Alas, iniciando uma profícua parceria que durou décadas. Entre os intérpretes de suas canções, além do próprio Ivan, constam artistas brasileiros, como Elis Regina e Simone, e internacionais, como George Benson, Ella Fitzgerald, Sara Vaughan, Quincy Jones e Barbra Streisand.
Em 1991, com o parceiro Ivan Lins, fundou a gravadora Velas (Atual Galeão), responsável pelo lançamento de artistas como Lenine, Belô Veloso, Guinga e Chico César, entre outros.
E, nos anos 80 do século passado, Ivan Lins gravou a música Vitoriosa. Essa música foi tema da novela Roque Santeiro, também dessa década. Aliás, uma década marcada, aqui no Brasil, pela abertura política e pela vitória contra a ditadura que se estabeleceu no nosso país em 1964; e, ainda pela nova Constituição, em 1988.
E eu estava, no segundo casamento, tendo meus dois filhos. Em 1985 nasceu Laura... que fez 15 anos em 2000. E, na sua festa, pediu para, ao som dessa música, descer triunfante a escada da casa onde foi a festa.
Agora, dezembro de 2023, relembramos a música... pois foi super oportuna para a comemoração da conquista do nosso Espaço Casa da Árvore em Ouro Preto.
Vejam no Instagram: @casadaarvore.ouropreto
E, ouvindo de novo a música VITORIOSA, não teve jeito de não ser instigada...
Falamos em pontos de vista: se a gente olha para um ponto de vista acha linda a música... e é mesmo! e é, também, estimulante, empoderadora... imagina as mulheres, jovens adultas, na década de 80... realmente, não sabíamos como se gozava e tínhamos vergonha de perguntar, conversar, trocar ideias... imagina que, outro dia, assisti uma palestra antes da minha, que era sobre combate à violência, a primeira era sobre sexualidade feminina e a palestrante nos contou que somente em 1998 foi "descoberto" o clitóris interno, e é grande por dentro! e ali fica o ponto G!!!
Então, não ter vergonha de aprender como se goza é, realmente, libertador... Vejam um trecho da música:
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
de passar dos seus limites
E ir além...
Sim... todas queremos... e aí começo a pensar em outro ponto de vista possível...vejam o vídeo:
Esse quero me encasquetou ... por mais românticas que sejamos... sim, todos e todas nós somos, todos e todas aprendemos a idealizar o ser amado... e aí mora o perigo ... necessário o movimento da idealização (no enamoramento) para a humanização e a busca do "NÒS". Porque necessário? por que relações HUMANIZADAS são CONSTRUÍDAS, como tudo no humano, enquanto que as relações romantizadas, idealizadas, reproduzem o modelo "dominação-servidão", repercutem em sofrimento desnecessário... e, acreditem, estamos impregnados e impregnadas desse modelo, tanto o homem "doce e feminista", que não VÊ a reprodução, no automático, do modelo machista da sociedade em que vivemos... quanto a mulher "liberada", que busca relações simétricas, e que, por um triz, cai no modelo de "ser do jeito que ELE quer que eu eu seja"... e faz isso "por amor". Ou seja, estarmos atentos e atentas é imprescindível... às vezes penso que posso estar sendo "paranoica"... mas, não!!!... me deixa com a minha paranoia! É ela que pode me proporcionar o caminhar para a abertura de conflito e para a construção de relações sujeito-sujeito, ou seja, objetivo é sair dela, conversar, rir junto... e caminhar para a construção do NÓS...
Há pouco tempo recebi um videozinho do insta, mais de uma vez, de algumas mulheres no processo de "tomada de consciência" desse processo de "repetição do modelo", muitas vezes "travestido" de "modernidade". Era mais ou menos assim:
Romantismo nas várias épocas:
Anos vinte - as moças conversando, uma delas disse: aí ele pulou o muro lá de casa, me trouxe flores, e depois recitou um poema pra mim, depois me pediu em casamento, pro meu pai, lógico... e agora eu tô noiva!!! E as outras: ai, que lindo!!!
Romantismo anos 50: aí ele fez uma serenata pra mim, me pediu em namoro, me convidou pro baile a noite... e as outras: ai... que lindo!!!
Romantismo 2024: estamos ficando há três anos e até hoje ele não me assumiu, mas ele disse que eu sou mais especial do que todas as outras meninas que ele fica. E ele me mostrou seu story onde aparece a ponta do meu cabelo! E as outras: Ai, que lindo! que homem!!!
Desse jeito: o que mudou? o que não mudou? Fica em aberto ... para nossa reflexão.
E, conversando sobre tudo isso, recebi também de amiga SBCense a indicação de livro:
História inesquecível de uma menina que deseja estudar para poder encontrar sua voz e falar por si mesma. Adunni nasceu e cresceu em uma aldeia rural na Nigéria. Aos catorze anos, ela é uma mercadoria, uma esposa, uma serva. Mas, acima de tudo, ela é inteligente, engraçada e curiosa, com uma energia contagiante. A mãe de Adunni lhe disse que a educação é a única maneira de não se calar — de não perder a capacidade de falar por si mesma e decidir o próprio destino. Depois da morte da mãe, o pai da garota a vende para ser a terceira esposa de um homem que está ansioso para ter um herdeiro. Adunni consegue fugir do casamento arranjado, apenas para ser vendida para uma família rica, à qual deverá servir. Mas, ao contrário de tantas outras garotas forçadas a uma vida de servidão, Adunni não será silenciada. Apesar dos obstáculos aparentemente intransponíveis em seu caminho, Adunni nunca perde de vista o objetivo de escapar da vida em que nasceu para poder construir o futuro que escolheu para si — e ajudar outras meninas como ela a fazer o mesmo.
"Estou muito animada com este livro... Na Nigéria e em todo o mundo, meninas lutam pelo direito de aprender. Sou grata a Abi por mostrar os desafios que as nigerianas enfrentam e o poder de suas vozes", diz Malala Yousafzai
E o The New York Times publicou o seguinte comentário: "A voz original e corajosa de Adunni articula poderosamente uma raiva retumbante contra o patriarcado tóxico da África... Daré atrai o leitor com uma personagem vívida cujas circunstâncias terríveis contrastam com sua criatividade natural e uma vontade feroz de sobreviver... Ao longo de sua angustiante jornada de amadurecimento, contada com entusiasmo e compaixão, Adunni nunca perde a 'voz alta' que torna a história de Daré e sua protagonista tão inesquecíveis."
Terminando, "vislumbro" a possibilidade da construção de relações simétricas, humanizadas, mais prazerosas, mais bonitas, quando pensamos nessa construção nos vários níveis de relação, valorizando igualmente todos os níveis, desde a cama, as relações afetivo sexuais, até as relações mais amplas, o exercício da cidadania, com solidariedade, companheirismo, construção humana, enfim.
Mãos Dadas, de Carlos Drummond de Andrade, no seu livro Sentimento do mundo, de 1940:
Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
Obrigada Drummond... Obrigada a todas as pessoas que nos acompanham...
Boas conversas para 2024, desejamos a todos e todas...
Com leveza nos despedimos de 2023, com compromisso e responsabilidade entramos em 2024... sem perder a leveza... e nada como a poesia para nos trazer leveza.
Escolhemos cinco poemas para traduzir essas emoções... e, no final, foram seis, como vocês verão no vídeo.
A seguir uma pequena descrição dos nossos e nossas poetas, e o título da sua poesia:
1. Cecilia Meireles
Cecília Meireles ou Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 - 1964) foi uma jornalista, carioca, pintora, poeta, escritora e professora brasileira. É um nome canônico do modernismo brasileiro, uma das grandes poetas da língua portuguesa e é amplamente considerada a melhor poeta do Brasil. Seu poema é RENOVA-TE;
2. Mário Quintana
Mário de Miranda Quintana (1906 - 1994), foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Fez as primeiras letras em sua cidade natal, Alegrete, no Rio Grande do Sul e em 1919 mudando-se para Porto Alegre onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Seu poema é ESPERANÇA;
3. Fernanda de Castro
Maria Fernanda Teles de Castro de Quadros Ferro (1900 - 1994) foi uma escritora, poetisa, tradutora portuguesa. Fundadora e diretora da Associação Nacional dos Parques Infantis e da revista «Bem Viver» e de diversas ações em prol do turismo. Escreveu músicas para fado, marchas e canções infantis e, também, argumentos para cinema e bailado. Seu poema: OS ANOS SÃO DEGRAUS;
4. Drummond
Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), nosso grande poeta mineiro de Itabira. Foi poeta, farmacêutico, contista e cronista, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX.
Drummond foi um dos principais poetas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos.
Os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas, familiares e políticas, como o socialismo, dialogando sempre com correntes tradicionais e contemporâneas de sua época. As características formais e estilísticas de sua obra também são vastas, destacando-se, por vezes, o dialeto mineiro. Escreveu alguns poemas sobre o Ano Novo, nosso escolhido é RECEITA DE ANO NOVO;
5. Ferreira Gullar
Ferreira Gullar, pseudônimo do maranhense José Ribamar Ferreira (1930 - 2016), poeta, escritor, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta... e um dos fundadores do neoconcretismo. E Acadêmico, cadeira 37 da Academia Brasileiro de Letras. Seu poema: ANO NOVO;
Terminaríamos por aqui se não tivéssemos recebido o poema da nossa querida Márcia ...
6. Márcia Leão
Mineira de Belo Horizonte, assistente social... e poeta! Autora do livro Apneia, que contém poemas que falam do vivido, do sonhado, do esperado... E Márcia nos presenteia com PRESENTES.
Enfim, todos esses poemas estão no vídeo a seguir. Ouçam, deem o seu "joinha" e se inscrevam no nosso canal. Apreciem...
E que em 2024 o balanço da vida seja gostoso para tod@s nós...
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem...
Escritor, produtor cultural, contador de causos e apresentador de eventos...
Idealizador do FESTIVALE, Festival do Vale do Jequitinhonha, evento que acontece desde anos 80... e Presidente da ALVA Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha.
No nosso Youtube, última homenagem do Ano de 2023... grande amigo Tadeu, pessoa alegre e generosa, me proporcionou um retorno a lembranças da minha terra, Salinas, minhas origens do Vale...
Obrigada querido!!!
E, para além da poema do vídeo, vai também como um presente para todos nós um outro poema do Tadeu:
O MARTELO DA DOMINAÇÃO
Um povo que perde a referência
fica pobre e será massacrado
fica sem identidade e consciência
quem domina tem muita paciência
imagina um caminho seguro
come de fogo em monturo
devagar, de leve, sem ser notado
quando o outro acordar tá amarrado
já perdeu o caminho para o futuro
Quem planejou dominar outra nação
tomar posse do povo e da terra
foi com arma, com força e com guerra
que sempre se implantou a opressão
o dominado conseguia canhão
novas armas para sua liberdade
a cultura é a sua verdade
que arrebenta qualquer dominador
que expulsa a força do opressor
que restaura a sua dignidade.
Dominador já mudou sua ciranda
botou palavras no lugar de canhão
trocou os tanques pela televisão
trocou bombas por rica propaganda
para nós é pior esta demanda
que é lenta, gradual e segura
se a imprensa lhe der cobertura
engolindo as garras da opressão
com porrada não tem dominação
se domina é matando a cultura.
Dominação não é feita com porrada
ela é sorrateira, é inteligente
vai minando as forças do cliente
com uma trajetória programada
o que o outro tem não vale nada
o que traz vale uma barbaridade
vai se impondo esta desigualdade
faz com que ela seja divulgada
a mentira que é dita e reforçada
pode ter o valor de uma verdade.
Tadeu nos ensina muito, sobre cultura - VIDA EM MOVIMENTO, sobre dominação e sobre a necessidade de construirmos nossa identidade... isso é "a cara" do SBC!
Enfim, obrigada a Tadeu e a todos os amigos e amigas e passaram por nossas vidas em 2023...
Acho que foi Ana Carolina que disse, numa música talvez: "Sou muitas, de uma delas você vai gostar!"... pois bem, isso se aplica à minha grande amiga Antonieta, Tonton, Tunieta, Shirlene, Shir, Angel... eu gosto de todas...
Apresentando: Antonieta Shirlene, professora (de história) , sindicalista, comunista, feminista, idealista, romântica, de bem com a vida, com os animais e com as pessoas ( na medida do possível, segundo ela...).
Como eu disse no vídeo, Antonieta se descobriu poeta durante a pandemia... e agora escreve, às vezes, para não se sufocar com tragédias como essa da Palestina. Ela é uma pessoa humanista e sensível.
E, a seguir, o vídeo com alguns poemas seus:
Além desse último, sobre a Palestina, que merece ser publicado tanto no vídeo como "por escrito":
Antonieta, para nós, é a confirmação de dois dos valores orientadores do BEM VIVER praticados pelo SBC (leiam no nosso post anterior):
O primeiro deles, o riso... e o segundo, o VALOR DAS AMIZADES, onde existem trocas e enriquecimento mútuo... Obrigada querida Antonieta!!!
Abraços carinhosos aos amigos e amigas que nos acompanham...
Natural de Coração de Jesus, vive em Montes Claros, Minas Gerais. Ator, poeta, agitador cultura na empresa Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética, além disso é vocalista e letrista. E, ainda, participa do Psiu Poético e do Grupo de Teatro Tapuia. Enfim, um multiartista. Fiquei conhecendo o Aroldo enquanto escritor, quando do lançamento do seu livro em Belo Horizonte. Aroldo ficou em minha casa e tivemos ótimos papos. E ele, ao retornar a Montes Claros, me deixou dois dos seus livros. PARANGOLARES e PARANGOLIVRO.
Vocês conhecerão um pouco dos dois livros no vídeo no nosso canal do YOUTUBE. Aproveitem para dar o like, se inscrever e fazer um comentário.
Espero que gostem... Eu adorei... Conhecer o Aroldo e fazer o vídeo...
Abraços carinhosos... até nossa próxima homenagem...
Mês de dezembro... fim de ano... época de lembranças e prospecções: o que foi o ano e o que quero para o próximo.
E de lembranças ampliadas: a vida, a infância, a adolescência, a cidade natal...
E os amigos e amigas...vocês já sabem, o SBC valoriza imensamente as relações de amizade, para nós trata-se do nível de relação em que mais praticamos a reciprocidade, a simetria, a alteridade, nosso modelo de relações bonitas, saudáveis, relações de trocas e crescimento mútuo.
Já no nosso livro "Diário do SBC", na contra capa do mesmo, esboçávamos nossos "principais conceitos orientadores" para uma vida bem vivida:
"O riso, que desoxida talentos, principalmente o talento para a vida, que não é pra ser levada muito a sério;
O "valor da amizade": resignificamos os níveis de relação, desde o íntimo até a cidadania, e a amizade ocupa, na vida bem vivida, o espaço energizador e bonito;
O desenvolvimento do "sentido estético", o sentido do belo, aplicado à vida em todos os níveis de relação, para além do sentido moral (do certo e errado)"
E já falávamos do "VALOR DA AMIZADE", como veem... E a consolidação desse valor, e a conquista e o resgate de amigos e amigas, tornou-se, para nós, um "BOM HÀBITO" ...
Pois bem... em final de ano vieram as lembranças e as homenagens... Publicamos no nosso YOUTUBE a primeira delas: Salinense ANIBAL OLIVEIRA FREIRE (candidato a poeta, como diz ele) e seu pai, DARCY FREIRE... e divulgamos aqui, a seguir:
(aproveitem para se inscreverem no nosso canal e deem seu "joinha", se gostarem)
Esperamos que gostem...
E até nossa próxima homenagem, amanhã mesmo... Abraços...
Ótimos comentários sobre o post anterior, antídotos contra novelas globais, obrigada a todas as pessoas que nos leram. Comentários aqui no post, por whats e pessoalmente... um deles dizia que as da Record são piores, obrigada querida Iolene.
Fizemos uma breve pesquisa: A novela Amor e Intrigas, de 2007 até 2008, parece que passando de novo, fala de duas irmãs, naturais de Ouro Preto, Minas Gerais.
Aí fizemos, também, pesquisa no SBT: dramalhões mexicanos, entre eles A Usurpadora, de 1998, refilmada em 2019, lembra a global em reapresentação agora Mulheres de Areia, de 1993.
Além dos temas bíblicos, a mulher é retratada ainda de forma mais padronizada, as boas e as más, sempre, esse maniqueísmo que nos rouba nossa humanidade, comentou outra SBCence.
Lembramos de Martha Medeiros e seu livro "Doidas e Santas", um livro com cem ótimas crônicas.
"Dona de uma sensibilidade incomum, Martha Medeiros tem para tudo um olhar, uma reflexão e uma reação fresca, nova, de alguém que pela primeira vez se depara com o inesperado, seja o assunto o Dia dos Namorados, a decisão de se começar a fumar, um sentimento de desconforto por qualquer coisa, uma paranoia que se imiscui sub-repticiamente ou um amor que acaba. Sempre terna e indignada, amantíssima da cultura contemporânea e dona de um imbatível senso de humor, em suas crônicas – assim como em sua poesia – Martha torna, para todos nós e com muita destreza, mais palatável o imponderável da vida".
Enfim, muito triste o feminino retratado ... o maniqueísmo boa-má que nos desumaniza, além da "perpetuação" da ideia do AMOR ROMÂNTICO como "único" modelo relacional, nunca, absolutamente nunca, realizando uma crítica, por mínima que seja, desse modelo que nos escraviza.
Temos conversado sobre o amor romântico desde 2014, ou antes, e precisamos conversar muito mais. Encontrei este post de 8 de julho desse ano, quem animar de relê-lo vai lá nessa data.
Sabemos que a arte, em geral, e especialmente a música, se presta tanto ao papel de reproduzir a cultura (valores, formas de viver e relacionar) de uma época, como ao papel transformador, revolucionário, que nos propicia o sentido crítico e a construção de novos valores e novas formas de vidas, mais bonitas e mais livres. Então, recebemos Whats do nosso querido poeta SBCense Aníbal, tentando "defender" seu ídolo (meu também...) Zé Ramalho:
"Gostei da análise da letra de Zé Ramalho... As pessoas não prestam atenção ao que dizem as músicas e ficam repetindo como papagaio de bocó ... Só não acho que seja "redundância paupérrima" mas uma "redução sem sentido" esse refrão "Sinônimo de amor é amar "... Pobre Bob Dylan nordestino!... Ele tem coisas boas psicodélicas, mas de vez em quando resvala fora da órbita ... Nem só de delírios vive o Homem".
Sim querido! Tod@s nós resvalamos, o importante é sabermos "enxergar"... e "virar a chave", transformar, rir da gente, e aprender a superar, nos colocar como sujeitos, construirmos novos modelos relacionais ...
Nessa toada de superação caminhamos nas nossas conversas, procurando lembranças (e trocas) de filmes, músicas e experiências de vida:
Ai nos veio a lembrança de um filme, assim como a música desse filme, uma obra prima:
Out of Rosenheim , no Brasil Bagdad Café, é um filme alemão de 1987 dirigido por Percy Adilon. Tem duas versões, uma de 91 minutos e outra de 108.
A turista alemã Jasmin (Marianne Sägebrecht) tem uma briga com seu marido e é abandonada na estrada. Caminha pelo deserto do Arizona até chegar ao posto-motel Bagdad Café. Recebida com aspereza por Brenda (CCH Pounder), a dona do local que acabou de colocar o marido para fora de casa, Jasmin aos poucos se acostuma com os clientes e hóspedes do motel.
"Na simplicidade de sua história, o filme passa uma mensagem otimista sobre o comportamento humano. Ao final, nos sentimos leves e impregnados da possibilidade de viver num mundo melhor. Nele, a aspereza é vencida pela suavidade, a esperança e a alegria se sobrepõem a angústia e a diferença une, não separa. O filme é lento na medida certa: para podermos nos deliciar com as pequenas coisas que tornam a vida mais bela. Aliás, em muitos momentos, a beleza nos é mostrada e está fora dos padrões convencionais, indicando a possibilidade de se olhar o mundo com uma visão mais abrangente e tolerante".
Roger Ebert, crítico americano à época, disse sobre o filme: "o charme do Bagdad Café é que cada personagem e cada momento são inesperados, obscuramente motivados, de significado incerto e vibrando com vida."
Depoimento de SBCence: "Ainda jovem, vi esse filme duas ou três vezes. E, agora com 70 anos de idade, ao assisti-lo novamente, pude curtir um prazer maior e perceber detalhes com mais profundidade. Você que não gostou muito, deixe passar pelo menos uma década, pois talvez assim possa apreciá-lo melhor".
Ouçam a lindíssima música do filme, com a tradução:
Seguimos nossa conversa homenageando duas mulheres brasileiras, aqui entre nós praticamente invisibilizadas, pouco conhecidas e até criticadas:
. MARINA SILVA, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, eleita como uma das mulheres mais influentes de 2003 pelo jornal britânico Financial Times, é a única brasileira dentre 24 personalidades femininas.
Autores escrevem sobre cada mulher eleita O texto de Marina é assinado por Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e alta comissária para os Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).
“Marina se tornou a 1ª pessoa de sua comunidade eleita para o Senado Federal e construiu apoio para o desenvolvimento sustentável na região amazônica. […] Ela tomou medidas drásticas para proteger a floresta Amazônica, criando um serviço florestal, um instituto de biodiversidade e o Fundo Amazônia, o maior esforço internacional para a conservação da floresta tropical”, escreveu Bachelet.
A ex-presidente chilena também relembra no texto a trajetória pessoal de Marina e sua relação com o meio ambiente. “Crescendo perto da floresta tropical em uma pequena comunidade de seringueiros, ela testemunhou a devastação do desmatamento em primeira mão e dedicou sua vida a combatê-lo”, declarou.
. TARCIANA MEDEIROS, paraibana de Campina Grande, presidente do Banco do Brasil, primeira mulher a atingir este cargo em 215 anos nessa instituição, única brasileira em lista de mulheres mais poderosas do mundo em 2023, lista feita pela Revista Forbes, nos Estados Unidos. Tarciana aparece na 24a colocação.
No perfil de indicação da revista, foi destacada também a atuação de Tarciana no combate às alterações climáticas e no papel que os bancos têm nessa questão ao redor do mundo. A lista foi determinada por quatro métricas principais: dinheiro, mídia, impacto e esferas de influência.
A presidente do Banco do Brasil comemorou o reconhecimento e a importância que a indicação dela tem na lista das mulheres mais poderosas do mundo.
“É uma alegria imensa poder ser reconhecida, poder inspirar outras mulheres, poder inspirar outras meninas, do que é possível quando nós temos oportunidades. Agradeço demais ao presidente Lula em me nomear e aos acionistas do banco que acreditam que é possível sim conciliar uma atuação comercial com uma atuação pública”, ressaltou.
Essas duas notícias são dessa semana, sem nenhum destaque na mídia convencional, alguém ficou sabendo?
E terminamos com Milton nos fazendo homenagem a nós, mulheres:
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem... até a próxima...