CENÁRIO: Pôster do Cartola, máquina de datilografia anos 60, chapéu de bruxa, muitos livros... e o pilão... e o grande brinde: "À vida! Aos amigxs!"
A RECEITA: esprema um limão e acrescente umas folhas de hortelã; bata com um pilãozinho, não o da foto, como queriam alguns.
Se não tiver o pilãozinho bata com o cabo de uma faca... bata de qualquer jeito, mas bata, ou melhor, macere... levemente para não amargar, apenas para liberar aroma e sabor ... amasse; acrescente acuçar refinado, água com gás, gelo... e decore com folhas de hortelã e uma rodela de limão ...
Esta é a receita de Jani, grande bar woman - nós do SBC adoramos encher a bola de todos nós, até por puro interesse - do famoso mojito, coquetel cubano famoso por ter sido apreciado pelo também famoso escritor Ernest Hemingway (“O mundo é um bom lugar e vale a pena lutar por ele").
Ai você acrescenta o rum - cubano, branco - quanto você queira... ou não acrescente, como fizemos.
E a grande aprendizagem da noite, fora as outras (trocas, amizades, crescimento mútuo):
A PRÁTICA DA SOLIDARIEDADE NOS ENCHE DE ALEGRIA E PRAZER;
E outra aprendizagem, fundamental para o bem viver: A PRÁTICA DE ABERTURA PARA AS DIFERENÇAS, ESSAS SÓ NOS FAZEM CRESCER!!!
O que é do humano não nos assombra...
Tínhamos planejado desde dezembro esse encontro, para acolher amigue que tinha feito cirurgia pesada e estava sem beber... e experimentamos - nós do SBC queadoramosuma cerva, praticar o "não dependemos disso para curtir"... pois não é que deu certo!!!
Os drinks estavam de-li-ci-o-sos!!! A conversa, então, nem se fala... grandes trocas:
- Começamos pelo cinema - A ARTE SALVA!
A arte é democrática, é inclusiva, une as pessoas, a arte abraça a diversidade. Por isso é que a arte é uma ameaça ao autoritarismo, ao fascismo... E a arte oportuniza ótimas conversas.
Tem gente que começa a contar o filme e vai até o final! Ela não só recomenda, ela conta em detalhes!
A empregada, longa-metragem de Paul Freig, thriller psicológicoadaptação do best-seller de Freida McFadden, conta a história de Millie Calloway, uma jovem com um passado turbulento que busca um recomeço, então se candidata para trabalhar como empregada doméstica. Ela é contratada por Nina e Andrew Winchester, um casal milionário e perigoso, mas o trabalho se mostra muito mais difícil e sofrido do que imaginava. Nina sabota todas as tarefas da casa, conta mentiras sobre a filha e tortura o marido com chantagem psicológica, mas Millie aceita tudo de cabeça baixa por empatia com Andrew e porque acredita que não conseguirá oportunidades melhores por causa de seu histórico problemático. No entanto, com o tempo ela descobre que os segredos da família Winchester conseguem ser bem mais sombrios e perigosos do que os seus.
Pagamos só meia... e serviu de pré-texto para conversarmos sobre a questão de gênero.
Daí lembramos de Judith Butler ... Feminismo e subversão da identidade - sexo/gênero/desejo. O título já nos traz ótimas conversas:
- Pra começar, uma distinção entre sexo e gênero é de fundamental importância para ampliarmos nossa compreensão sobre assunto tão tabu na nossa cultura:
Butler distingue sexo (uma "facticidade biológica") e gênero (a "interpretação ou significação cultural daquela facticidade)". Argumenta que o conceito de gênero é melhor entendido como performativo, o que presume a existência de uma plateia social. Também defende que as performances femininas são forçadas e reforçadas por práticas sociais históricas. Para Butler, o "script" da performance de gênero é transmitido sem esforço de geração em geração na forma de "significados" socialmente estabelecidos: Butler afirma que o "gênero não é uma escolha radical ... [nem é] imposto ou inscrito no indivíduo". Dada a natureza social do ser humano, a maioria das ações é testemunhada, reproduzida e internalizada e, assim, assume uma qualidade performativa (ou teatral).
E reportamos a posts do blog, de conversas de setembro de 24 - sobre amor, sexo e gênero: refletimos, a partir de Butler, as inúmeras identificações de gênero que podemos fazer, ou seja, uma linha entre feminino e masculino que deve ir de 0 a uns 30 a 40 tipos... e escolha de sexo, ou seja, quem escolhemos como parceirx para nossas relações afetivo-sexuais. Exemplos: um homem gay namora - fica - transa - com um homem trans; uma mulher trans gosta de transar com homens gays... e assim vai... porque isso é de fórum íntimo! e a hétero normatividade é histórico cultural!
Repetimos: o que é do humano... não nos assombra...
E chegamos ao conceito de autenticidade, aquele de AlmodÓvar: "Quanto mais eu me aproximo daquilo que sonhei pra mim mesmx".
E tínhamos entre nós grande cineasta! o filme A HISTÓRIA DAS TRÊS MARIAS está no youtube, completo, lindo! Nada melhor do que conversar - e assistir, e conversar... - filmes brasileiros - nos servem como memória, contar nossas histórias... conversar sobre nossas histórias ...
https://youtu.be/6ooSmmZWr4c?SI=tRdACM_slv351LiC
Ai já tínhamos bebido todas!!! e já estávamos chapadérrimxs!!! sem nenhum álcool! teve gente que queria beber o detergente, pois parecia com uma batida de leite condensado:
E riamos muito...
E cantamos muito também... ótimas performances, interpretações fabulosas, os tons era que não eram os mesmos, cada um no seu tom ... não vejam o vídeo... ou vejam, e riam.
E a noite acabou com nosso receio de algum vizinho apagar a luz no apartamento, pois isso já aconteceu uma vez... e terminamos a noite à luz de velas, naquela ocasião. Nessa quarta "xs delinquentes" desceram o elevador cantando e ouvi daqui de casa, ainda cantaram na rua... e brindei "À VIDA", "Aos amigos e amigas e amigues"... 'Quem tem amigo tem tudo!'
Vocês já viram unhas tão maravilhosas? É de uma pessoa autêntica...
Abriga mais de 2000 espécies de plantas e animais, sendo muitos deles em extinção. Tem fácil acesso, com estradas pavimentadas e em boas condições para chegar até a sua sede. Mais de 140 cavernas, mais de 80 sítios arqueológicos e pinturas rupestres, além da tribo indígena dos Xakriabás.
A origem data de milhões de anos, ainda quando parte do Brasil estava submersa pelas águas de um mar interior e que com a elevação do nível da Terra fez secar esta água. Este processo deixou inteiros grandes maciços de calcário que hoje abrigam milhares de cavernas espalhadas pelo Brasil. O Rio Peruaçu, um dos afluentes do Rio São Francisco, teve seu curso natural fechado por um desses maciços e com o tempo a ação erosiva das águas foi esculpindo o calcário, em busca de uma saída.
A ação do tempo resultou num conjunto de cavernas, muitas ainda virgens, que tem atraído espeleólogos em busca de grutas ainda não catalogadas. A visitação pública deve ser feita com muito cuidado para não danificar os espeleotemas que levaram milhões de anos para se formar.
E foi nesse lugar inacreditável de bonito que aquela turma da primeira foto fomos passar 4 dias, de 31 de dezembro 2025 a 4 de janeiro 2026. Sob o comando da nossa querida Cleide,Na trilha Ouro Preto, Instagram acima. A mulher é porreta demais para coordenar uma turma, de uma maneira leve e firme, alegre e determinada... e por aí vai ... absolutamente tudo planejado em detalhes: a pousada, a família linda que nos acolhe com o maior carinho e as melhores comidinhas; a família de guias nas excursões e passeios diários, boas conversas, boas histórias, alegria, grandes ensinamentos sobre a história e a natureza. Enfim, "uma autêntica imersão na natureza", como costuma dizer nossa querida guia Cleide.
Eu estava sem celular e minha querida companheira de caminhada fez a foto acima, entre outras, a meu pedido. Sobre a origem do nome e a localização do parque. Aliás, ela era a mais nova do grupo e eu a mais velhinha... ou seja, o grupo "percorre" no mínimo 60 anos. E uma aprendizagem rica para a vida vem a ser "cada pessoa saber reconhecer seus limites e suas possibilidades". E buscar ajuda... e buscar trocas enriquecedoras...
NOSSOS PASSEIOS:
Primeiro dia, 31.12.25: caverna REZAR... Gigante!. Um deslumbre... muita história, muita espiritualidade... e muitos degraus na subida e na descida... light pras velhinhas e pros adolescentes...
Voltando... todo mundo pra piscina, quentinha! do sol! Até a virada ... teve gente que não aguentou ... Muita conversa boa, cerva, vinho, espumante... Música ao vivo, bacanérrima... E ceia ma-ra-vi-lho-sa, comida geraizeira, como costumamos dizer, nós do Jequi, Mucuri e norte de Minas.
Segundo dia: 1 de janeiro de 2016: Passeio pela Lapa do Caboclo e Carlúcio, filho do Dico, passamos pela sua casa. E na caverna do Carlúcio temos um grande painel de arte rupestre, próximo a entrada da mesma. Tem gente que acha que foram os guias que pintaram!
Caminhada leve, contemplativa da natureza pelas matas de galeria, mata atlântica, cerrado e caatinga, cerca de 5 km.
Muita gente pensa que existe fake news nessas informações de quilometragem, porém a experiência é divina.
Terceiro dia: 2 de janeiro: Circuito Arcos do André, mais Troncos e Cascudos, mais Mirante do Mundo Inteiro. Aproximadamente 16 km. Circuito mais exigente da expedição, nível de dificuldade HARD. Formações rochosas exuberantes e visual grandioso do Mirante do Mundo Inteiro. Teve gente que não foi, ficaram na piscina dia todo, esperando a turma chegar pra dar um 'tibum' e beber umas, churrasco e música ao vivo...
E quarto e último dia: Gruta do Janelão, nível de dificuldade moderado, esforço amplamente recompensado pelas paisagens no interior da gruta. Experiência de ressignificação de cavernas, ou grutas, antes nos parecia lugares fechados, escuros, úmidos... nada disso! A imensidão da gruta do Janelão, parecem quatro ou cindo grutas separadas por claraboias onde se via o céu lindo, por entre espeleotemas* deslumbrantes, onde fazíamos exercícios de pareidolia*, divertidíssimos...
E depois passeio de barco pelo São Francisco, com por do sol inédito: na verdade não tinha por do sol porque estava nublado, porém porém o sol irradiou suas luzes e nos contemplou com nuvens coloridas de rosa, verde... nunca tinha visto coisa mais linda...
PALAVRAS NOVAS:
1. Coletivo de borboletas: "Panapaná" ou "panapanã" vêm do tupi panapa'ná. A região é cheinha de panapapás de borboletas amarelas.
4. K-POP: são músicas POP coreanas, geralmente músicas de DORAMAS, que são filmes ou séries (ou novelas) de origem asiática. O termo “dorama” vem da pronúncia de “drama” em japonês. Pois o repertório musical do nosso querido motorista não era lá muito extenso... e de três em três músicas se repetiam duas K-POP doramas... até cansar... e, de alguma maneira, se transformar no nosso hino... embora a gente prefira um sambinha.
5. Espeleotema*
Do grego, "depósito de caverna" ou concreção é o nome genérico de todas as formações rochosas que ocorrem tipicamente no interior de cavernas como resultado da sedimentação e cristalização de minerais dissolvidos na água. Então, o conjunto dos estalactites e estalagmites, os cogumelos, todas aqueles formatos maravilhosos que vimos nas cavernas, tudo isso constituem os espeleotemas.
6. Estalactites e estalagmites:
As estalactitese estalagmitessão formações minerais encontradas em cavernas.
Trata-se de uma tendência - e/ou reação do cérebro - da nossa percepção, de impor uma interpretação significativa a uma estímulo, geralmente visual, de modo que vemos objetos familiares onde existem outras formações. Exemplos comuns são imagens percebidas de animais, rostos ou objetos em formações de nuvens - quem nunca já ficou por horas olhando pro céu e vendo inúmeros objetos e outras figuras?, eu fazia isso muito quando criança. Esse fenômeno de alteração de percepção não é considerado, normalmente, um problema sério, a não ser que se associe a outros distúrbios - delírios, alucinações, obsessões...
E, com isso, chegamos às ...
TRETAS:
1. pareidolia era o que não faltava em todas as cavernas... Víamos de tudo, teve gente que até conversava com as tartarugas ninja, teve gente que lembrou de Antoni Gaudi, famoso arquiteto espanhol, e do Templo da Sagrada Família, em Barcelona, poia a entrada de uma caverna era "a cara" do templo. Serviu de pretexto para "planejarmos uma viagem à Europa, quem sabe... E teve gente - ou gentes - que, na LAPA DO CARLÚCIO, se não me engano, vimos uma enormidade de falos, falinhos e falaços... aff... foi difícil sair de lá ...
2. Teve gente que "apaixonou", fez tatuagem (falsa) com o nome da pessoa no braço, maior PIROPA! nós do Coletivo SBC usamos esse termo - aprendido com Chico Buarque - para CANTADA... e tem as piropas legais, correspondidas, e as piropas ruins, quase assédio, diríamos... E não confundam : trata-se de piroPa. Mas essa piropa não colou... e a pessoa custou a "apagar" o nome da outra, "tatuado de mentirinha";
3. Por falar em tatuagem: tivemos uma noite de tatuagens!!! Grande tatuador das geraizeiro...
A menorzinha e mais comentada, uma "tatuagem participativa", com torcida, enquete sobre a cor, platéia e tudo mais: a "mandioca", na verdade uma pintura rupestre de uma das cavernas... o neto veio correndo lá da cozinha, a treta já estava por lá: "Vó, verdade que você vai tatuar uma mandioca!!!"
4. E a treta das tretas: o 'homi' da melancia - ou: A melancia da discórdia. Cada um(a) deve ter uma história sobre essa treta. A minha é essa:
Pensa num 'homi bunito'.......... esse é mais ..... não tem uma mulher que não se encante com o seu sorriso ... e ele parece que vive sorrindo. Hypado!
E uma das nossas já tinha ido nessa expedição no ano passado e contou pra todo mundo sobre o 'homi' um dia antes ... e com tal ênfase que todas já tinham fantasiado milhões de coisas - tipo um exercício de pareidolia: a camiseta mostrando os músculos, o caldo da melancia caindo no seu peito...haja imaginação - e eu não tinha participado desse exercício, só fiquei sabendo por alto...
E fiz o meu exercício a partir de matéria do Fantástico (acho) vista recentemente. Pois quando estávamos no rio São Francisco, eu na areia e todas na água, o 'homi' chegou da água (parecendo abertura do Fantástico) com a melancia enorme na mão... aí eu comecei a gritar pro povo: venham!!! o 'homi' da melancia!!! ela já vai cortar e dita! e é muito rápido!!! e ele ficou sem graça e disse: Não, não é rápido não, eu corto devagar... foi aí que vi que não era o 'homi' do Fantástico... kkk
Mas quando a mulher dele, que o ajuda na barca, viu aquele entusiasmo, as mulheres todas correndo e saindo da água, ela correu pro lado dele e ficou ali de olho. Gente, e todo mundo chupando a melancia - docinha... - e huuummm - fazendo pareidolias mil ...
Ela não desgarrou dele nem mais um minuto. Imaginamos 'pareiodolicamente' que, naquela noite, ele tinha dormido de calça jeans. "Agora você corta essa melancia só pra mim, depressinha!", dizia a mulher... tudo pareidolia ... e risaiada...
Enfim... a despedida no cactos florido da casa dos nossos queridos anfitriões, lindo:
E uma pareidolia final:
Brincadeira ... só uma lagartixa enorme na parede da piscina...