A cerca de 180 km de Belo Horizonte, Itapecerica, em Tupi-guarani, “penha escorregadia ou penhasco de encosta lisa”. Itapecerica é linda... como um poema... e lá está uma grande poeta:
Aline Tavares, idealizadora do @ocafeconverso: Arte em goles, poesia em conversa:
E essa mulher potente eu tive a alegria de conhecer na nossa viagem a Cuba em maio deste ano. "Sorte é a capacidade de ver e de agarrar as oportunidades" e eu treino muito essa capacidade. Não deixo passar a oportunidade de fazer uma amiga.
E essa linda amiga viu nosso poema PARA CLÁUDIO ... outro grande amigo ... e "gravou" sua declamação do mesmo. Me emocionou por demais... e não posso deixar de compartilhar com pessoas amantes da poesia... e da vida:
Obrigada querida amiga. Breve nos encontraremos. Bora fazer uma FEIRA LITERÁRIA em Itapecerica? Depois da FLIGH PRIMEIRA FEIRA LITERÁRIA DE GUANHÃES, mês que vem, setembro...
Continuando, hoje recebi um texto da jornalista Kika Gama Lobo ... sobre a nossa "tendência" à romantização do envelhecer. Vale a pena um trecho do mesmo:
Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.
Ótimo.
Mas quem paga?
Quem prepara a comida?
Quem leva ao hospital?
Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?
A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos.
Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.
Se você envelhecer mal, a culpa será sua.
Não se cuidou.
Não guardou dinheiro.
Não fez terapia.
Não se exercitou.
Não teve propósito.
Ora, façam-me o favor.
É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.
Mas sorte também importa.
Genética importa.
Classe social importa.
Acesso à saúde importa.
Políticas públicas importam.
O problema é que não estamos preparados para essa vida.
Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.
Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.
Educação financeira deveria falar de longevidade.
Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.
A escola deveria discutir cuidado.
A sociedade deveria discutir moradia para idosos.
As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.
O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.
O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.
E as famílias deveriam conversar sobre dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”
Essa pergunta já está velha.
A pergunta que precisamos fazer agora é:
“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”
Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.
Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.
Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.
Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.
Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?
Porque viver muito é maravilhoso.
Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.
Nesse trecho a Kika nos escancara nossa sociedade individualista, onde "perdemos" a noção do coletivo, da luta por direitos... inclusive nos culpando quando as "idealizações românticas" não acontecem no real.
Enfim, consciência, olhar para 'além do próprio umbigo' ... e participação, engajamento nas lutas por direitos = nossos e para além de nós = vem a ser a 'cura' para muitas 'doenças'. Doenças essas 'fabricadas' pela mesma sociedade que nos deseja alienados e reprodutores de tudo do mesmo jeito, e não sujeitos e sujeitas construtoras de um "mundo mais bonito", mais justo, mais distributivo ... com arte, alegria, e amigos...
Assim tentamos construir=ser no SBC, agradecendo sempre quem nos lê e nos acompanha.
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