Não me lembro muito bem da frase atribuída a Freud, mas a ideia é a seguinte: quando Paulo fala de Pedro Paulo está falando mais dele mesmo do que de Pedro.
O que mais observamos nos outros são projeções de nós mesm@s. Ao usarmos dessa premissa para o autoconhecimento nos enriquecemos muito. O problema em relação ao desenvolvimento desse ‘hábito’ é que é comum, também, a característica “resistência a admitir problemas”, como se diz num famoso teste de personalidade: ou a pessoa é esponjosa – tudo eu, a culpa é minha; ou tudo o outro, eu sou a dona da verdade. O ou|ou também como ‘hábito’ é ‘terrível’ para nosso aperfeiçoamento como seres humanos
Por falar em dona|o da verdade, outro dia estávamos tomando uma cerva e conversando, melhores amigas, tudo que gostamos de fazer. E gostamos, também, de dar “feeedback” umas às outras... e receber. Gostamos não, criamos o hábito entre nós, pois isso nos faz crescer. Numa certa altura uma disse pra outra: Você se acha “dona da verdade”! No que a outra respondeu: “Você também, muitas vezes se coloca dessa maneira!”. Ora, respondeu a primeira: Onde? Quando? Se você me “retruca” me dizendo a mesma coisa isso não vale de nada. Um feedback dado fora do tempo pode estar sendo uma “vingança” de você não ter aceito o meu feedback. As duas discutiram um tanto ... E mudaram de assunto.
E eu fui pra casa... tic, tic, tic... assim digo que fica minha cabeça e meu espírito, quando sou afetada e um assunto me provoca reflexão:
Ai Freud começou a conversar com Rosa, Guimarães Rosa, nosso grande filósofo (conversar na minha cabeça, claro). O segundo disse: “É ‘cumpade’, viver é muito perigoso, a mesma coisa que me salva pode me matar”.
E eu pensando sobre essa característica 'dona da verdade' entre nós, mulheres. Algumas vezes, na minha vida, fui reprimida, cerceada, “colocada no meu lugar” ou “impedida do meu lugar de fala” com esse feedback “Você é dona da verdade! E muitas vezes eu me acabrunhei, me submeti. Quando comecei a perceber isso, minha reação foi, então, de retrucar, de agressividade com quem me dissera – geralmente um homem; e, geralmente, com o objetivo de me submeter... Então eu reagia... Porém, o resultado era angustiante, sabe aquela sensação de ter ganho mas não ter levado? Era isso, eu ficava angustiada com a briga que comprava, muitas vezes eu ganhava a briga na argumentação, porém não conseguia a relação dialógica... mas eu via – e ainda vejo - como um progresso em relação à situação anterior, a de submissão.
- Primeiro, proponha pro outro|a a relação
dialógica: treinar o saber ouvir e saber se expressar; para isso precisamos
sair da competitividade, do ou|ou, do jogo ganha-perde, o ‘desejo inconfessável
de ‘zerar’, submeter, o outro|a, pode ser por ciúme, inveja ou algum outro
sentimento destrutivo – destrutivo quando não temos consciência do mesmo, pois
quando admitimos a inveja tudo fica tão leve... passamos a ‘usar’ o outro como
modelo do que queremos ser;
Já ouvi de uma grande mestra que a humildade é que gera a noção do meu tamanho – que não é estático, é onde me encontro – e os passos para caminhar na direção do que desejo ser ... e o caminhar para o sentimento de amor próprio ... e amor no sentido mais nobre, desejo que o outro|a cresça... e mais: desejo do coletivo, nos juntar para a grande tarefa de construir um mundo melhor, mais distributivo e fraterno.
E, na minha cabeça, nesse diálogo entre Freud e Rosa, se juntou o Sponville... e depois veio o grande Paulinho da Viola, com sua arte:
“As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender...”

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