quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CINECLUBE AGOSTO: ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO

Filme já visto por algumas pessoas presentes, desde 2017, várias vezes, cada vez discutimos um ponto do mesmo. Post de 15 de dezembro de 2021 fala sobre o mesmo, refletindo sobre nosso raciocínio maniqueísta e os danos relacionais decorrentes, fazendo ligações com o fascismo e o nazismo - o diferente deve ser 'exterminado'. 

Desta vez, no nosso sarau de ontem, sempre a partir da nossa metodologia TAP Teoria Afeto Prática - que nos faz sujeitos do conhecimento e construtores(as) do mundo que queremos, para além de meros reprodutores das coisas como estão - muitos assuntos foram abordados dentro dos afetos de cada um(uma) dos(as) participantes: a 'desumanização' do outro usada como pretexto para a aniquilação; o 'ideal' de pureza que nos desumaniza; o genocídio - que não foi somente de judeus - os ciganos, os homossexuais e os diferentes em geral foram exterminados; além do número de russos mortos, que foi enorme. Trazendo para a atualidade, o genocídio na Palestina; e, trazendo para o Brasil, o genocídio dos nossos povos originários!

Uma pergunta - curiosidade - foi colocada: quem são os judeus? Daí foi prometido um texto e filmes sobre tal assunto, sugeridos para nosso próximo cineclube, além da sugestão de filmes sobre a Palestina e oriente em geral, para que conheçamos mais essa região e sua cultura.

E concluimos  nosso debate, trazendo para a atualidade e o nosso Brasil,  refletindo sobre três palavras chave:

HISTÓRIA

POLÍTICA

MEMÓRIA

Três conceitos diferentes e que guardam relações entre eles:

. Memória não é passado, é a 'reconstrução mediada do passado'. Mediada por instituições, religião, escola, família, estado), ou seja, são construções (sociais, psicológicas) do passado.

. Corroborando afirmação anterior, "lembrar e esquecer são atos produzidos".

. Estado, Memória e Nacionalismo: o filme nos mostra muito bem como a "destruição" de manifestações artísticas e o culto à "arte pura" tinha interesses claros: a construção da raça pura, o ódio ao diferente. Ou seja, o que o Estado 'apaga' e 'realça', a partir de interesses, de maneira a construir a base do Nacionalismo. 

E aqui no nosso país? "O povo brasileiro não tem memória", afirmação errônea... e comum tanto no campo conservador (direita) quanto no campo democrático (esquerda). Na verdade, a memória é manipulada a partir dos interesses - o que lembrar e o que esquecer - e aí se faz política. 

. Os campos de direita e esquerda estão em disputas de memória, melhor dizendo, disputas sobre a percepção do passado.  Exemplos: a pandemia, mais de 700 mil mortes, o 8 de janeiro...

. E nossa conclusão é que precisamos, urgentemente, de uma 'política de memória no Brasil'. Para isso precisamos eleger pessoas, em todos os níveis, presidência, senado, deputados(as) federais e estaduais, sintonizados com essa demanda necessária à construção de um Brasil soberano, distributivo e mais justo.


Obrigada aos participantes do nosso cineclube, até o próximo, primeira terça feira de setembro.

Abraços,

Santuza TU



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