O SBC, no nosso sarau de ontem, se transformou em RBC - Rapper Bobagem e Cerveja... e tudo bem, estamos confirmando nossa tradição inclusiva, anárquica, feminista... e intergeracional.
Já na entrada do nosso querido ANDU DE DOIS, six seven... farmando aura!!! Olha só nosso 'estandarte', maravilhoso...
O mesmo estandarte na parte de trás o SBC... e nossas duas lindas, atrás delas nosso já famoso projeto SEBO DA MAITÊ, circularidade de livros, 'bombando'.
A seguir dois vídeos da sua apresentação, só uma 'palinha', no nosso YOUTUBE, vale a pena dar uma olhada... e aproveitem para se inscrever🙏🙏🙏
Depois da lindíssima apresentação da Lady, querida SBCense Deyse Magalhães nos apresentou nossa primeira homenageada: Neusa Santos Magalhães. Foi emocionante, pois a Deyse trouxe reflexões importantíssimas sobre a vida de mulheres negras no nosso país.
Com carinho ela compartilha conosco sua pesquisa e seu texto:
Neusa Santos Souza: tornar-se negro é um ato de liberdade
Neusa Santos Souza é uma mulher que transformou a maneira como pensamos o racismo no Brasil. Falar de Neusa Santos Souza é falar de coragem intelectual, mas também de coragem humana.
Neusa nasceu em 1948, na Bahia. Tornou-se médica, psiquiatra e psicanalista em uma época em que havia pouquíssimas mulheres negras ocupando esses espaços. Sua simples presença já desafiava estruturas históricas de exclusão.
Mas Neusa não queria apenas ocupar um lugar. Ela queria compreender o sofrimento produzido pelo racismo e oferecer caminhos para a liberdade.
Em 1983 publicou aquele que se tornaria um clássico do pensamento brasileiro: Tornar-se Negro. O próprio título é provocador. Afinal, ninguém nasce compreendendo plenamente o que significa ser negro em uma sociedade racista. Para Neusa, tornar-se negro é um processo de consciência, de reconhecimento e de afirmação.
Ela mostra que o racismo não atua apenas nas oportunidades sociais. Ele invade a subjetividade. Faz com que muitas pessoas negras cresçam acreditando que precisam negar sua origem, seus traços, sua cultura e sua história para serem aceitas.
Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes de sua obra: o sofrimento psíquico causado pelo racismo.
Ela afirma que o ideal de beleza, de inteligência, de sucesso e de humanidade foi construído tendo a branquitude como modelo. Muitas pessoas negras passam então a viver um conflito permanente entre quem são e quem aprenderam que deveriam ser.
Mas Neusa não escreveu para alimentar a dor. Ela escreveu para mostrar que existe um caminho de reconstrução.
Tornar-se negro significa romper com esse padrão imposto. Significa reconhecer a própria história, valorizar a ancestralidade e construir uma identidade baseada no orgulho e não na vergonha.
Essa reflexão permanece profundamente atual.
Ainda hoje observamos desigualdades no acesso à educação, ao mercado de trabalho, à saúde e à representação política. Ainda hoje crianças negras crescem vendo poucas referências positivas parecidas consigo.
Por isso Neusa continua sendo tão necessária.
Ela nos ensina que combater o racismo não é apenas criar leis ou políticas públicas. É também cuidar das pessoas. É compreender que a discriminação deixa marcas emocionais profundas e que a saúde mental também é uma questão de justiça social.
O racismo tenta convencer uma pessoa de que ela vale menos. A consciência racial faz exatamente o contrário: devolve a dignidade, a memória e a possibilidade de existir plenamente.
💝💝💝
Em seguida nossa querida Ana Luiza Apgaua nos trouxe a segunda homenageada: Flora Maia Matos.
E nos emprestou seu texto de apresentação para compartilharmos:
Boa noite, mulheres de luta, de samba e de cerveja!
Hoje o nosso palco pede passagem para uma força da natureza.
Uma mulher que não pede licença, ela chega e 'dropa' o verso.
Direto de Brasília para o mundo, ela é o terror dos pretensiosos e a voz de quem tem atitude.
Se o rap fosse um tabuleiro de xadrez, ela já teria dado xeque-mate faz tempo.
Dizem por aí que ela é polêmica...
Mas a verdade é que mulher com opinião própria e que não abaixa a cabeça assusta quem está acostumado com o silêncio!
Flora Matos é a linha de frente.
É o "Pretin" que grudou na nossa mente e não sai mais.
É a prova viva de que a sensibilidade e a resposta afiada andam de mãos dadas.
Ela resiste rimando, vence existindo e bota ritmo na nossa caminhada.
Santuza Fernandes criou este espaço no SBC, para homenagear quem faz história.
E a Flora faz história a cada compasso, quebrando as barreiras de um mundo que insiste em tentar calar as mulheres.
Com vocês, a força, a poesia e o som de Flora Matos!
As obras marcantes de Flora Matos, como "Pretin" e "Piloto", misturam romantismo e vivência urbana com temas de autonomia feminina e resistência. Faixas como "Ser Sua", "Teia" e "Preta de Quebrada" reforçam seu estilo empoderado e autêntico.
E nossa querida Lady voltou ao palco e interpretou uma música da Flora. Infelizmente não temos o vídeo. Então vamos da original, Flora, para vocês conhecerem:
Eita que foi bonito, sô...
A seguir a entrega de certificado de Participação Especial à nossa querida Lady Cali... e mais algumas fotos compartilhadas por amigas e amigos:
E ao final queríamos fazer uma foto do pessoal da cozinha, que prepara com o maior carinho pratos deliciosos das geraes... ainda não conseguimos ... ficou pro nosso próximo sarau, primeira quinta de setembro. Mas o Peixe já "vestiu nosso estandarte":
Obrigada todos e todas do ANDU, obrigada amigos e amigas presentes ao nosso sarau
Abraços carinhosos,
Santuza TU














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