Finalmente... estreia do nosso cine clube, como parte do projeto CLUBE DE CULTURA: CINEMA E LITERATURA. Era pra ter acontecido na primeira terça feira do mês passado... Porém, problemas técnicos de última hora nos impediram essa estreia. Então praticamos a máxima de Ho Chi Min : "quando quero muito alguma coisa, treino a paciência, ando bem devagar... pra dar certo".
E aconteceu... Como sempre, de uma maneira potente, cheia de energia boa... na sede do nosso querido partido PCdoB em Belo Horizonte, com o filme ELES NÃO USAM BLACK TIE, do diretor Leon Hirsman, cujo nome é emprestado para o nosso Cine Clube.
Eles Não Usam Black-tie acompanha um jovem operário e sua namorada que decidem se casar diante de uma gravidez inesperada, mas veem sua vida transformada quando uma greve divide a categoria e coloca pai e filho em lados opostos. Ambientado no período de transição pós-ditadura, o filme mescla drama familiar e questões sociais, com atuações marcantes e visão crítica da sociedade brasileira, sendo considerado um dos grandes clássicos do cinema nacional.
Fizemos um pequeno vídeo do nosso encontro, link acima, está no nosso instagram @coletivo cultural PCdoB, aproveita e entra lá no insta e segue a gente:
E, depois do filme, recorri ao grande Lênin:
Ampliando a conexão entre teoria e prática, para que não seja uma teoria ou prática alienadas e nem cegas, temos o AFETO, sermos afetados(as). Ou seja, a teoria, tudo que já foi um processo de reflexão de alguém - no caso, o filme - nos provoca reflexões, passa por dentro de nós - SOMOS AFETAD@S PELA TEORIA ... e compartilharmos essas reflexões, produzindo novas teorias, novos conhecimentos, novas visões da realidade. Esse é o movimento de nos tornarmos SUJEITOS CRÍTICOS... e atuantes enquanto transformadores do mundo, desde o micro até o macro.
E foi com essa provocação, 'de que maneira fomos afetados(as) pelo filme', que fizemos uma rodada e trocamos experiências e reflexões potentes sobre o Brasil daquela época do filme e o Brasil agora... nos emocionamos e nos recarregamos de energia e esperança para a luta a fim de sermos sujeitos na construção de um Brasil melhor, mais justo e mais bonito.
Enfim, a metáfora do final do filme, muito forte: o casal "catando feijão"... separando o feijão das pedras e sujeiras que veem junto...
O filme completo está no YouTube, vale a pena assistir.
E já temos nossa programação para a primeira semana de maio, dia 5, 18.30 horas... todas e todos convidadíssimos(as), já podem espalhar o card:
Até lá, abraços carinhosos a todas as pessoas que nos acompanham,
Uma vez ouvi de uma amiga uma definição de sorte: "... vem a ser a capacidade de 'ver'' e de 'agarrar' as oportunidades que aparecem". Pois no SBC estamos sempre praticando esse "exercício de sorte".
Assim como, também, praticamos o exercício aprendido na infância, em Salinas, o de "um gambá cheira outro", ou seja, além de 'ver' e 'agarrar', também 'cheiramos' as pessoas que, potencialmente, são SBCenses. E quase sempre acertamos, escolhemos aquelas pessoas que, num primeiro encontro, já se identificam com nossos conceitos de vida, de amizade, de sentido estético.
Pois foi isso que aconteceu com a nossa querida Marli, convidada especial do sarau SBCence NOSSAS MULHERES de ontem, 2 de abril.
Depois da nossa abertura, apresentando o SBC, nossos conceitos, e o Projeto Nossas Mulheres (reparem como está lindo o Bar Taboca, todo decorado com imagens de mulheres maravilhosas, brasileiras), apresentamos nossa querida Marli:
Marli Fróes é poeta e ensaísta, nascida em Montes Claros (MG), e reside em
Diamantina há seis anos. É autora do livro de poesias Carnaverbo, obra
indicada no processo seletivo do Programa de Mestrado em Literatura da
Universidade Estadual de Montes Claros (2025–2026). Autora dos livros
Fendas (no prelo) e o livro ensaístico A autoria, a paixão e o humano em
Clarice Lispector (no prelo). Graduada em Letras, pela Universidade Estadual
de Montes Claros, Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Federal
de Uberlândia, Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de
Juiz de Fora. Marli Fróes ocupa a cadeira 30 da Academia de letras do Vale
Jequitinhonha (ALVA), desenvolve projeto “Mosaico Literário” e Clube de
Leitura, junto ao IFNMG e UFVJM, sob coordenação do Professor Ulisses
Barros de Abreu Maia. Atuou no Projeto “Sarau do Quintal” por 6 anos, na
cidade de Januária-MG.
Participou de diversas antologias em todo o país, além de publicar textos em
revistas, jornais e blogs literários. É coorganizadora das coletâneas Poetas de
uma só língua e Antologia Psiu Poético, ambas pela Editora Catrumano.
Durante a pandemia, atuou por dois anos, em parceria com poetas
brasilienses, na realização do programa de entrevistas e debates literários Os
Três Mal-Amados, transmitido por plataforma de streaming. O projeto teve
como objetivo promover conversas sobre literatura, dar visibilidade a autores
independentes e fomentar o diálogo entre escritores contemporâneos e nomes
do cânone.
É professora do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - IFNMG – Campus
Diamantina, onde desenvolve trabalho com letramento literário, por meio do
Projeto Ciranda Literária e se dedica à valorização da literatura do Vale do
Jequitinhonha em suas práticas pedagógicas.
Integra a primeira geração do Psiu Poético, Festival de Arte contemporânea do
qual participa desde a década de 1980 e que, em 2026, celebra 40 anos como
um dos mais importantes eventos literários do país. Foi poeta homenageada
pelo festival em 2008 e também pelo Festival Internacional de Poesia de São
Paulo (Sampoesia), em 2010.
Em 2025, participou da antologia comemorativa Constelação Haroldo de
Campos, publicada pela Editora Território das Artes, e integra a Antologia
crítica Novas vozes da poesia brasileira, pela Editora Arribaçã, dentre outras
participações em Antologias.
A seguir um dos poemas dessa linda:
Tecido único
O tempo é o agora
instante-já,
em ciranda
com o barro primeiro,
cantando para o tempo futuro.
Seres do tempo
e da comunhão
é lição da terra.
Micélios,
entes mais antigos
Fios longos, matéria tridimensional.
que nos assentam nesse planeta.
Na sua subterrânea rede comunicativa,
nutrientes, vida e reino.
Rede florestal
veio antes da rede social.
O micélio liga uma árvore à outra
há uma inteligência vegetal nesses elos...
Já as mulheres
sabem cirandar
à beira do rio
ou da fogueira.
Nas rodas,
repetem gestos antigos
fiam, costuram,
tecem, entrelaçam fios
curam filhos.
As células das mães
no corpo dos filhos...
As células dos filhos
no corpo das mães...
Vínculo que atravessa o tempo
Memória, origem
continuidade
do tecido da vida
modo materno
de nunca morrer.
Vida que se multiplica
nos elos visíveis
ou intangíveis,
feito o vento
que carrega sementes,
abelha que poliniza,
correntes marítimas
que ligam continentes,
fotografias que unem tempos,
trilhos de trens e estradas
ligando destinos
a palavra primeira
o código inicial
ecoando nos tempos
DNA atravessando gerações
Somos seres da ressonância,
quando meu peito vibra
- no outro-
em todo elo
que não seja prisão
Depois de outros poemas dela, declamados por ela mesma e outras de nós, passamos à apresentação das nossas homenageadas.
E invertemos, anarquicamente, a ordem do card convite, começando com a nossa querida Antonieta Shirlene apresentando Elizabeth Teixeira a partir de um posicionamento histórico perfeito, elaborado por essa bela historiadora Antonieta. Vale a pena ver o vídeo.
Aqui só um pequeno trecho da sua pesquisa:
E Antonieta usou, na sua apresentação, a música maravilhosa do Gonzaguinha, na interpretação da grande Elza Soares, aliás uma das mulheres maravilhosas do nosso varal. Todas e todos nós cantamos junt@s...
Cantamos também, entre as apresentações, junto com Maria Betânia, Chico Chico, Chico Science, Marina Sena, uma seleção musical da nossa querida convidada Marli.
Depois a nossa querida Iza apresentou Hilda Hilst (1930-2004):
"Foi uma das vozes mais radicais e geniais da literatura brasileira. Abandonou uma vida badalada em São Paulo para viver isolada na "Casa do Sol", em Campinas, onde se dedicou à escrita intensa, pesquisou vozes de mortos (transcomunicação) e acolheu diversos artistas, deixando uma obra marcada pelo erotismo, misticismo e existencialismo.
Curiosidades marcantes sobre Hilda:
. Namoro com Dean Martin: em 1957, durante uma viagem pela Europa, Hilda namorou o ator e cantor americano Dean Martin;
. Tentativa de seduzir Marlon Brando: ainda na mesma época tentou se passar por jornalista para assediar o famoso ator Marlon Brando, sem sucesso;
. Caçadora de fantasmas: fascinada pelo ocultismo, Hilda praticou a transcomunicação instrumental entre 1974 e 1979 na Casa do Sol. Ela gravava rádio e televisão buscando vozes do além, chegando a tentar contatar a amiga Clarice Lispector, falecida em 1977;
. Abandono do sucesso: Formada em Direito pela USP, vivia uma vida social intensa, e decidiu, em 1965, largar tudo para se dedicar inteiramente à literatura;
. Rejeição ao termo "POETISA": Hilda não gostava de ser chamada de "poetisa", porque acreditava que o termo diminuía o trabalho, das mulheres;
. Casa do Sol: sua casa no interior de São Paulo tornou-se um refúgio para artistas, amigos e intelectuais, transformando-se hoje no Instituto Hilda Hilst (IHH);
. Amizade com Caio Fernando Abreu: Hilda desenvolveu uma grande amizade com o escritor , que foi um dos muitos artistas que frequentaram seu refígio;
. Reconhecimento tardio (e erótico): apesar de ser uma das maiores escritoras do século XX, Hilda sentia-se pouco lida, Frustrada, passou um tempo escrevendo literatura erótica e pornográfica para tentar vender mais, declarando na época: "A obscenidade me parece mais pura do que essa hipocrisia de escrever coisas bonitinhas";
. "Guerra de meleca": apesar de densidade de sua obra, amigos relatam que Hilda era uma pessoa leve e brincalhona, gostando de fazer guerra de comida ("guerra de meleca") com os visitantes na Casa do Sol;
. Fumante inveterada: Hilda fumava cerca de três maços de cigarro por dia, o que influenciou os problemas de saúde que levaram à sua morte em 2004, incluindo um câncer de pulmão.
E Iza interpretou o belíssimo poema da Hilda:
Marli aproveitou para indicar um livro super atual dessa autora, que trata de prostituição infantil:
Em seguida apresentei minha pesquisa sobre nossa terceira (que era a primeira) homenageada:
Lygia Fagundes da Silva Telles nasceu em São Paulo em 19 de abril de 1918 e
morreu em 3 de abril de 2022, aos 103 anos, de causas naturais.
Conhecida como "a dama da literatura brasileira” e "a maior escritora brasileira",
enquanto viva, além de advogada, romancista e contista. Lygia teve grande
representação no pós-modernismo, e suas obras retratavam temas clássicos e
universais como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia.
A obra lygiana constitui-se de quatro romances, 20 livros de contos, algumas
crônicas, participações em antologias e coletâneas. Com publicações de sucesso
no exterior, teve seus livros lançados em diversos países: Portugal, França, Estados
Unidos, Alemanha, Itália, Holanda, Suécia, Espanha e República Checa, entre
outros, com obras adaptadas para a televisão, teatro e cinema.
Sua estreia literária foi com o livro de contos Porão e Sobrado (1938), o qual foi bem
recebido pela crítica; o sucesso se repetiu com Praia Viva (1944). Seu primeiro
romance, Ciranda de Pedra, publicado em 1954, foi bem recebido pela crítica e público,
tornando-a nacionalmente conhecida. Em paralelo à carreira literária, ela trabalhou
como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, cargo que
exerceu até a aposentadoria, e foi presidente da Cinemateca Brasileira, fundada pelo
segundo marido Paulo Emílio. Sim, ela se casou duas vezes, a segunda nos anos 60,
quando não havia divórcio e era um escândalo mulher separada.
A década de 1970 foi de suma importância para Lygia e marcou seu êxito literário e
consagração internacional, dado que foi naquele período em que ela publicou algumas
de suas obras mais aclamadas e prestigiadas: ‘Antes do Baile Verde’ (1970), cujo conto
que dá título ao livro venceu o Grande Prêmio no Concurso Internacional de Escritoras,
na França; As Meninas (1973), que ganhou o Prêmio Jabuti, entre outros; e Seminário
dos Ratos (1977),
Ela tomou posse na Academia Brasileira de Letras em 12 de maio de 1987. Naquele
mesmo ano, tornou-se membro da Academia das Ciências de Lisboa.
Quarta filha de Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, conhecida como Zazita,
uma pianista, e Durval de Azevedo Fagundes, procurador e promotor público, Por causa
da mentalidade preconceituosa da década de 1920, em que as mulheres não tinham
condições de ousar determinadas profissões, sua mãe, uma excelente pianista, não
prosseguiu na carreira que começou na adolescência, fazendo apenas os deveres
domésticos considerados femininos. "Eu me lembro, era menina quando ia com a cesta
para colher goiabas no quintal da nossa casa lá em Sertãozinho, onde meu pai era
promotor. Minha mãe seria mais feliz se fosse pianista? E se ela continuasse estudando
e compondo naquele antigo piano preto com os quatro castiçais, hein? Mas esta seria
uma extravagância, uma ousadia e em vez de abrir o álbum de Chopin ela abria o
caderno de receitas".
Em 1973, Lygia ganhou vários e importantes prêmios brasileiros com o romance As
Meninas, publicado em Nova Iorque, em 1982
A sinestesia é uma das principais figuras de linguagem utilizadas nos contos de Lygia:
(MISTURA SENSAÇÕES DE SENTIDOS DIFERENTES) Ex: Um azul gritante (visão
e audição); O cheiro aveludado de café (olfato e tato)
a cor verde é constantemente citada como referência à passagem da vida à morte; às
vezes, alude à esperança, à inveja e ao dinheiro.
Lygia era socialista na juventude, e voltou a ser novamente na terceira idade,
afirmando crer que o socialismo era a única saída. “Faço política ao poder político.
Denuncio, de forma romanceada, as torturas, os vícios, as feridas e os mandos e
desmandos de nossa sociedade”.
Não por acaso, selecionei para compartilhar entre nós um trecho de “A disciplina do amor (fragmentos)” dessa grande autora:
“O homem é tão necessariamente louco que não ser louco representaria uma outra forma de
loucura”, escreveu Pascal. Deve ter pensado nisso a psiquiatra Karen Horney quando fez uma
lista dos sintomas básicos da neurose, uma lista enorme, dela quase ninguém escapa. A loucura no
cardápio. Basta ler e apontar, esta é a minha. Selecionei as neuroses mais comuns e que podem
nos levar além da fronteira convencionada : necessidade neurótica de agradar os outros.
Necessidade neurótica de poder. Necessidade neurótica de explorar os outros. Necessidade
neurótica de realização pessoal. Necessidade neurótica de despertar piedade. Necessidade
neurótica de perfeição e inatacabilidade. Necessidade neurótica de um parceiro que se encarregue
da sua vida -ó Deus! - mas desta última necessidade só escapam mesmo os santos. E algumas
feministas mais radicais.
Tão difícil a vida e o seu ofício. E ninguém ao lado para receber a totalidade (ou parte) do fardo.
Os analistas, caríssimos, e na maioria, um lixo : um lixo Freud considerava a totalidade dos seres
humanos, isso nos últimos anos da sua vida sem muita ilusão. Ele não conheceu seus discípulos. E
por acaso é com o analista que se comenta a fita na saída do cinema? O livro. O sabor do vinho,
esse gosto meio frisante, hem? E esta pele e esta língua. A minha tiazinha falava muito na falta
que lhe fazia esse ombro amigo, apoio e diversão, envelheceu procurando um. Não achou nem o
ombro nem as outras partes, o que a fez choramingar sentidamente na hora da morte, mas o que
você quer, queridinha?! a gente perguntava. Está com alguma dor? Não, não era dor. Quer um
padre? Não, não queria mais nenhum padre, chega de padre. Antes do último sopro, apertou
desesperadamente a primeira mão ao alcance : “É que estou morrendo e não me diverti nada!”
Encerrando, nossa entrega de certificado à querida Marli Fróes, como sempre ligeiramente molhado de cerveja, uma marca do SBC... E aí fomos nos encontrar como nossos amigos que estão sempre ali em frente nos observando carinhosamente:
Vejam que dessa vez eles até ganharam echarpes... e ficaram lindos!!!
Obrigada a todas as pessoas que nos acompanham... E até a próxima!
E no sábado e domingo tivemos o grande encontro dos Vales no Mercado de Origem Santa Tereza. Com Saraus e grandes apresentações musicais no sábado, no entanto, o dia mais que especial foi o domingo: a posse dos novos integrantes da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha. A nova Acadêmica Titular, querida Marli Froes, escritora, poeta, ensaísta, de Montes Claros morando agora em Diamantina; os acadêmicos Eméritos e, em seguida, os Acadêmicos Correspondentes...
E eu lá!!! Recebendo carteirinha e diploma de Acadêmica!!! das mãos do nosso querido Tadeu Martins e da querida Herena Barcelos, que tanto admiro, de Itinga, Minas Gerais. Eu botei um chapéu que ganhei de um amigo no sábado, não sei se de bruxa ou de gnomo, mais ou menos para me "montar" para subir ao palco. Sim, gente, pois eu estava muito metida... aprendi com minha mãe... precisamos, nós mulheres, aprender a 'mitideza', como se diz em Minas... MITIDA, auto estima ao ponto, 'se sentir merecedora'... nem super metida, arrogante, nem submetida, como querem de nós ... Invisibilizadas, como costumam nos colocar...
Aliás, conversamos nesse mesmo dia, no evento, sobre a necessidade de chegarmos aos 50/50... porque sabemos que não existe ainda os 50/50, não por falta de competência nossa, mas por 'invisibilidade culturalmente determinada'. Penso que teremos homens na ALVA que apoiarão esse projeto... para breve...
Aqui eu com a querida Beth Guedes, também Acadêmica, apresentando nossos livros.
Aqui nossos grandes acadêmicos Deyse Magalhães e Joaquim Celso Freire, apresentadores do evento de posse. E o querido Erildo, muito familiarizado com a IAIA (assim a chamamos no SBC), fez essa "elaboração" pra nos mostrar os lenços (ou gravatas) que, por sinal, foram motivos de muitas "fofocas" no grupo de Whatsapp. Todas e todos nós queremos/precisamos de lenços, gravatas, camisas, vestidos... tudo isso para bem representar a ALVA. Como, numa outra criação do Erildo, acredito eu, "desfilou" nossa linda Alba:
E, na sexta feira anterior a esse maravilhoso evento, tivemos no nosso Bar Taboca uma divertida "recepção" dos acadêmicos novos pelos acadêmicos antigos, patrocinada pelo "jequitinhonhense de coração", querido Chico. Na foto, ao fundo aparece nossa "LIVRARIA TABOCA DO JEQUI", além do nosso varal referente ao projeto NOSSAS MULHERES, saraus todas as primeiras quintas do mês nesse "aconchegante buteco".
Por fim, o domingo terminou com homenagens às mulheres... dia de luta, convocamos todos os homens a se juntarem a nós... E a melhor frase, das tantas que recebi nesse dia, da querida indômita Iza Miranda:
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem, até nosso próximo post (ou encontro)...
Não sem antes agradecer nosso diretor musical Carlitos Brasil, pela presença e representação do nosso Coletivo no plantio de mudas na Av. Tereza Cristina na semana anterior à nossa semana agitadíssima.
Então, vamos à nossa semana:
Na quinta feira, nosso primeiro sarau do ano, o projeto caríssimo ao SBC:
NOSSAS MULHERES
Já sabem que nosso carnaval, a cada ano, lança e discute um tema. E em 2017 nosso tema foi: MULHERES DO BRASIL. Conversamos muito sobre IDENTIDADE, o processo de construção, pra vida toda, do "quem sou eu", "quem somos nós". E não conseguimos construir uma identidade autônoma, se não nos conhecemos e não nos admiramos. E nossa presidenta conta que, naquele ano de 2017, ela admirava Frida Kahlo - e ainda admira muito. No entanto ela desenvolveu uma relação de 'amor e ódio' pela mesma. E que, em todos os encontros feministas que ela participava, sempre tinha aquelas lojinhas de lembranças, camisetas, botons... e só tinha Frida!!! E ela chegava na lojinha e perguntava: Por que não tem nenhuma mulher brasileira? e recebeu a resposta: Porque não vende! E ela se indignou com isso, não vende porque não tem ou não tem porque não vende?
E concluimos: nossa cabeça ainda está muito colonizada, nós Brasil e nós Mulheres Brasileiras. Não nos conhecemos, ainda é muito incipiente o conhecimento sobre nossos povos originários, sobre os africanos e africanas que vieram pra cá e ajudaram a construir nosso país... que têm igual (ou maior) importância que os europeus.
Daí esses conceitos são conversados no SBC desde essa época... e se concretizaram - depois do carnaval 2017, com o título NOSSAS MULHERES.
Nossa querida Beth Guedes abriu o sarau - depois de apresentação do SBC e do projeto NOSSAS MULHER$ES. Falou da sua vida e sua trajetória... e do seu empenho em esparramar a poesia por tudo quanto é lugar, desde Curralinho, onde realiza saraus, Diamantina, Belo Horizonte, Brasil..."Amar a poesia é dedicar-se a ela de corpo e alma como missão de vida sensibilizando corações dos leitores famintos de encantos!".
Depois falamos das nossas homenageadas:
Primeiro Carolina Maria de Jesus, mineira de Sacramento (1914-1977), uma das primeiras poetas negras do Brasil. Além de escritora, compositora e cantora.
Mas antes de Carolina tivemos nossa segunda homenageada, que também nasceu em março, em 1822, Maria Firmina dos Reis, no Maranhão, grande autora abolicionista e também compositora:
E nossa terceira homenageada, Ruth Rocha, paulista, escritora infantil, por agora, aos 95 anos, renova seu contrato com a editora, eita sô, assim queremos chegar nessa idade, com essa vitalidade...
"é só continuar ativa e sonhando..." Fizemos exercícios: cheirar, olhar, ouvir, tocar... e nossa querida Antonieta falou sobre seu livro "Marcelo Marmelo Martelo".
E o Chico gravou, vejam no nosso YouTube:
Mas a nossa querida Deyse foi instigada: além de falar sobre outras mulheres invisibilidadas, ela nos fez o carinho de escrever e nos mandar um texto maravilhoso sobre mulheres quilombolas. A seguir, para ler e ficar sabendo dessas mulheres:
Antes de Zumbi, havia mulheres em Palmares
Por Deyse Magalhães
No ano de 2014, viajei para o estado de Alagoas com um objetivo muito específico: além de desfrutar das lindas praias de verdes mares, eu queria conhecer o Quilombo dos Palmares.
Depois de uma verdadeira imersão naquele território quilombola, fui tomada por muitas surpresas como era de se esperar. Percebi que estava entrando em um espaço de história real, uma história que, infelizmente, a escola nunca me ensinou.
Ali deveria ser um lugar de visita obrigatória para professores, pesquisadores e para todos nós, pessoas comuns. Um território que pulsa memória, resistência e sabedoria.
O quilombo foi formado a partir da coragem e da visão de duas mulheres que se encontraram em fuga. A primeira, Aqualtune, uma rainha do Congo escravizada pelos portugueses em 1668, que não aceitou o cativeiro e fugiu pelas densas e desconhecidas matas da Serra da Barriga. Foi ali que encontrou Acotirene, uma mulher indígena que também escapava das constantes perseguições.
Mesmo sem falar a mesma , elas se reconheceram no mesmo propósito: a liberdade.
No alto da serra, de onde se podia observar toda a movimentação ao redor, elas viveram e organizaram um espaço de resistência que mais tarde seria conhecido como o Quilombo dos Palmares.
Aqualtune se destacou por sua liderança, articulação e estratégias de defesa e guerra. Já Acotirene trazia consigo um profundo conhecimento da medicina natural. Era ela quem acolhia, cuidava dos ferimentos, dos maus-tratos dos refugiados e dominava, como poucas, o poder das ervas.
Duas potências femininas que a história muitas vezes anulou ,talvez por serem mulheres.
Por isso, é preciso compreender a formação do Quilombo dos Palmares muito antes de Zumbi. Dentre três gerações de comando, Ganga Zumba filho de Aqualtume , liderou o quilombo e por fim Zumbi seu neto que pertence à terceira geração dessa história de resistência.
Palmares nasceu das mãos, da coragem e da sabedoria de mulheres.
Aqualtune e Acotirene não são apenas personagens esquecidas do passado. São símbolos de uma força feminina que resistiu ao cativeiro, às perseguições e ao silêncio imposto pela própria história.
Duas potências femininas que ajudaram a construir um dos maiores símbolos de resistência do Brasil.
Neste Dia das Mulheres, lembrar dessas histórias é também um ato de justiça. Porque muitas vezes as mulheres estiveram na origem das grandes transformações, mas seus nomes foram deixados nas margens da memória.
Que possamos continuar contando essas histórias.
e trazer a memória de mulheres que nunca foram mencionadas nas salas de aula.
Voltei da viagem com mais bagagem, mais conhecimento, muito mais sentimento.
Obrigada querida Deyse...
E esses encontros cheio de boas energias no Bar Taboca sempre terminam com Pedro Nava e Drummond, eles sempre estão por lá, esperando por nós, que vamos abraçá-los e beija-los:
Isso tudo só na quinta... o fim de semana continua ... gostosíssimo ... Ai nosso Jequi, nosso Vale
Só depois da foto que me disseram que era pra ser com o "capacete" da fantasia, linda por sinal...
Querida Laura, coordenadora da nossa ala, nossa grande presidenta do MPM Movimento Popular da Mulher, cumpriu seu papel de forma exuberante, perfeita, sempre alegre, disposta a ajudar todas as mulheres do grupo... e enérgica, exigente, como penso que deve ser uma grande líder.
- "Já sei que muita gente não decorou a letra! Mas não fiquem de boca fechada, movimentem a boca, sorriam, isso contam ponto para os jurados!!! Contem em voz baixa 1, 2, 3, 4, articulando bem os números... vai parecer que estão cantando! Mas o refrão todo mundo já sabe, não é? (isso ela disse um tanto e nós completamos com outro tanto... 😄😄😄)
Obrigada, querida Laura, pelo seu trabalho, conosco no MPM e na Triunfo Barroco.
Escola maravilhosa, nos apaixonamos por ela de cara, desde os ensaios, onde fizemos amig@s - e reencontramos amig@as antig@s, Geni, Angélica, Douglas... Júlia, Rael, Gileade, Luiz ... - além de aprender a dançar e cantar. Sigam essa escola no Instagram, uma escola que, com pouco tempo, foi alçada ao primeiro grupo e agora em 2026 já ficamos em terceiro lugar... o trabalho dedicado, feito com alegria, o calor humano, tudo isso aliado ao profissionalismo fazem dessa escola uma grande promessa. Estamos junt@s, MPM, nosso coletivo SBC, amig@s de Ouro Preto e todas e todos que gostam do carnaval...
O samba enredo da escola, vale a pena ler ... e cantar ... e aprender nossa história que não é contada oficialmente:
CHICO REI - REINOS DA LIBERDADE EM SOLO MINEIRO
Compositores: Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo
Toda vez que Preto Rei não se calou
O Tambor alumiou a voz da negra cor
Onde a luta faz a lei
O samba tem altar
Resistência é Triunfo Popular
Era a noite mais alta naquele tumbeiro
Ô, ô, ô
Era um Rei africano arrancado do chão
Que Jurou No silêncio da dor mais sentida
A sobrevivência na libertação
Era mais um mineiro riscando as pedras
O destino espremido da escravidão
Flecha de Oxossi no relicário
Mais um homem preto do Rosário
Ouro em pó,
Ouro em pó
Na manha Galanga
Engambelou o Major
O Rei Congo escondeu em cada gota de suor
O Rei Congo escondeu em cada gota de suor
Mas
Se engana também quem acha
Que Chico Rei parou por aí
Dono da Mina onde foi escravizado
Alforriado
Quem nasce pro povo
Não deixa o povo de lado
Entregue ao Adeus
Guarda na pele a fé
No futuro ancestral
Liberdade pros seus.
E nós achamos linda a mensagem de agradecimento da Diretora de Produção e Eventos à Família Triunfo Barroco, exemplo do que queremos construir no mundo: companheirismo, solidariedade, dedicação... arte e cultura... amizades... enfim, um mundo mais bonito:
Agradecimento Especial:
Nossa Engrenagem Maior
Família Triunfo Barroco,
Passado o nosso desfile, o sentimento que transborda é o de gratidão. Como Diretora de Produção e Eventos, acompanhei de perto cada ensaio, cada ajuste de figurino e cada esforço individual para que o nosso projeto ganhasse vida na avenida.
Aos nossos componentes de ala, o meu mais sincero muito obrigada! Vocês são a alma da nossa escola. É o canto, a garra e a evolução de cada um de vocês que transforma o conceito em espetáculo e o tecido em poesia. Sem a dedicação e o amor que vocês dedicam ao pavilhão, nada do que planejamos faria sentido.
Entregamos um carnaval memorável porque tivemos pessoas comprometidas com a nossa identidade e com a nossa história. Parabéns pela entrega e pelo brilho nos olhos!
Seguimos juntos, com o pé no chão e o coração no samba, rumo aos próximos desafios.
Com carinho e respeito,
Cris Santos
Diretora de Produção e Eventos – G.R.E.S. Triunfo Barroco
Nossos agradecimentos, querida Cris...
A seguir nosso desfile completo, 36 minutos de alegria:
Ouro em pó, ouro em pó... até agora estamos cantando o refrão, cola que nem chiclete...
Não me lembro muito bem da frase
atribuída a Freud, mas a ideia é a seguinte: quando Paulo fala de Pedro Paulo
está falando mais dele mesmo do que de Pedro.
O que mais observamos nos outros são
projeções de nós mesm@s. Ao usarmos dessa premissa para o autoconhecimento nos
enriquecemos muito. O problema em relação ao desenvolvimento desse ‘hábito’ é
que é comum, também, a característica “resistência a admitir problemas”, como
se diz num famoso teste de personalidade: ou a pessoa é esponjosa – tudo eu, a
culpa é minha; ou tudo o outro, eu sou a dona da verdade. O ou|ou também como ‘hábito’
é ‘terrível’ para nosso aperfeiçoamento como seres humanos
Por falar em dona|o da verdade, outro
dia estávamos tomando uma cerva e conversando, melhores amigas, tudo que gostamos
de fazer. E gostamos, também, de dar “feeedback” umas às outras... e receber.
Gostamos não, criamos o hábito entre nós, pois isso nos faz crescer. Numa certa
altura uma disse pra outra: Você se acha “dona da verdade”! No que a outra
respondeu: “Você também, muitas vezes se coloca dessa maneira!”. Ora, respondeu
a primeira: Onde? Quando? Se você me “retruca” me dizendo a mesma coisa isso
não vale de nada. Um feedback dado fora do tempo pode estar sendo uma
“vingança” de você não ter aceito o meu feedback. As duas discutiram um tanto
... E mudaram de assunto.
E eu fui pra casa... tic, tic, tic...
assim digo que fica minha cabeça e meu espírito, quando sou afetada e um
assunto me provoca reflexão:
Ai Freud começou a conversar com
Rosa, Guimarães Rosa, nosso grande filósofo (conversar na minha cabeça, claro).
O segundo disse: “É ‘cumpade’, viver é muito perigoso, a mesma coisa que me
salva pode me matar”.
E eu pensando sobre essa
característica 'dona da verdade' entre nós, mulheres. Algumas vezes, na minha
vida, fui reprimida, cerceada, “colocada no meu lugar” ou “impedida do meu
lugar de fala” com esse feedback “Você é dona da verdade! E muitas vezes eu me acabrunhei, me submeti.
Quando comecei a perceber isso, minha reação foi, então, de retrucar, de agressividade
com quem me dissera – geralmente um homem; e, geralmente, com o objetivo de me
submeter... Então eu reagia... Porém, o resultado era angustiante, sabe aquela
sensação de ter ganho mas não ter levado? Era isso, eu ficava angustiada com a
briga que comprava, muitas vezes eu ganhava a briga na argumentação, porém não
conseguia a relação dialógica... mas eu via – e ainda vejo - como um progresso
em relação à situação anterior, a de submissão.
Então pensei em dar passos na direção da
relação dialógica, de crescimento mútuo: Sugestões:
- Primeiro, proponha pro outro|a a relação
dialógica: treinar o saber ouvir e saber se expressar; para isso precisamos
sair da competitividade, do ou|ou, do jogo ganha-perde, o ‘desejo inconfessável
de ‘zerar’, submeter, o outro|a, pode ser por ciúme, inveja ou algum outro
sentimento destrutivo – destrutivo quando não temos consciência do mesmo, pois
quando admitimos a inveja tudo fica tão leve... passamos a ‘usar’ o outro como
modelo do que queremos ser;
- Segundo, tudo dito anteriormente
exige o desenvolvimento da postura – ou a virtude – da humildade. Trata-se de
um ‘treinamento’, pois na nossa cultura aprendemos a confundir humildade com
humilhação, o que tem como consequência o abandono desta que pode ser a
primeira das grandes virtudes, a base de todas a seguir, como coragem, justiça,
compaixão... e amor...
O amor, para Sponville, seria a décima oitava virtude
do “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, livro super bacana desse autor, que defende que virtudes não são inatas, mas hábitos a serem
cultivados. Ele utiliza filósofos clássicos como Aristóteles, Epicuro, Kant,
Montaigne, para explicar cada virtude e torná-las práticas para a vida bem vivida, o crescer com o outro|a, assim como oferecer sua experiência,
sua reflexão para que o outro|a também reflita... e cresça, melhor dizendo, cresçamos na nossa humanidade.
Já ouvi de uma grande mestra que a
humildade é que gera a noção do meu tamanho – que não é estático, é onde me
encontro – e os passos para caminhar na direção do que desejo ser ... e o
caminhar para o sentimento de amor próprio ... e amor no sentido mais nobre,
desejo que o outro|a cresça... e mais: desejo do coletivo, nos juntar para a
grande tarefa de construir um mundo melhor, mais distributivo e fraterno.
E, na minha cabeça, nesse diálogo
entre Freud e Rosa, se juntou o Sponville... e depois veio o grande Paulinho da
Viola, com sua arte:
“As coisas estão no mundo, só que eu
preciso aprender...” Música linda, grande mestre...
E não é que veio mais uma pessoa ilustre para fechar nossa conversa?
Querida Herena, grande poeta do nosso Vale do Jequi ...