sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Conversas SBCences: Ninguém é perfeito

Quanto Mais Quente Melhor, filme de 1959, dirigido por Billy Wilder, uma comédia clássica estadunidense que mistura  humor inteligente, sátira social e atuações marcantes de Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon. O filme é considerado uma das melhores comédias da história e continua irresistível e divertido décadas depois.

Durante a Lei Seca em Chicago, dois músicos, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon),testemunham um assassinato cometido por mafiosos e, para escapar, se disfarçam de mulheres e se juntam a uma banda feminina que viaja para Miami, as duas mais novas e menos atraentes integrantes de uma banda de jazz.  Até que uma cantora carente (Marilyn Monroe) se apaixona por uma das "meninas" e um experiente playboy pela "outra". Enquanto mantêm seus disfarces, Joe finge ser uma herdeira rica para conquistar Sugar (Marilyn Monroe), a vocalista da banda, e Jerry lida com as investidas de Osgood (Joe E. Brown), um milionário apaixonado por sua persona feminina. A situação se complica quando os mafiosos os encontram no hotel, mas Joe e Jerry conseguem escapar em um iate junto com Sugar e Osgood, culminando em revelações inesperadas e finais cômicos.

Homens vestidos de mulher aparecem no cinema desde o teatro grego, Shakespeare e o cinema mudo até Quanto Mais Quente Melhor. No entanto,  1959, numa Hollywood ainda submetida a fortes restrições morais e de censura, a ousadia na abordagem do gênero se torna  uma das características que fazem o filme tão importante.  

Sugar Kane (Marilyn) acredita estar se relacionando com mulheres quando conhece Josephine e Daphne (Joe e Jerry) sem saber que são homens. Joe, por sua vez, apaixonado por Sugar, precisa seduzi-la enquanto está vestido de mulher, criando uma das situações mais ambíguas da comédia. Por isso, Quanto Mais Quente Melhor permanece tão interessante: a roupa começa como disfarce, transforma-se em personagem e acaba questionando a própria ideia de identidade.

O disfarce, inicialmente uma necessidade para sobreviver, começa a produzir situações em que masculino e feminino, identidade e aparência, desejo e convenção social ficam completamente embaralhados.


Para preparar Tony Curtis
 e Jack Lemmon para seus papéis, o estúdio contratou Barbette, uma famosa drag queen, para treiná-los.

Tony Curtis/Josephine tenta construir uma feminilidade elegante, discreta e sedutora. Curtis estudou cuidadosamente gestos, postura e maneira de andar. Jack Lemmon/Daphne, ao contrário, vai progressivamente se divertindo com sua identidade feminina. Ele dança, flerta e chega a aceitar a possibilidade de casamento com o milionário Osgood. E é justamente aí que o filme começa a mexer com algo muito mais profundo: até que ponto gênero é aparência, comportamento, papel social ou desejo?

 No final, Osgood descobre que Daphne é um homem — e a resposta dele é a famosa frase que encerra o filme: “Nobody's perfect.” ...

"Ninguém é perfeito", tornou-se uma das frases mais memoráveis do cinema. Inicialmente, era apenas uma frase provisória que Wilder e Diamond planejavam substituir, mas acabou permanecendo. A frase foi eleita a 78ª entre as 100 falas favoritas de filmes de Hollywood pelo The Hollywood Reporter. A lápide de Wilder homenageia a fala com a inscrição: "Eu sou um escritor, mas ninguém é perfeito". Em 2000, o jornal The Guardian classificou a cena final em 10º lugar na lista dos "100 melhores momentos do cinema".

Mas para além do "ninguém é perfeito" do filme, se referindo ao 'humor' do milionário Osgood quando descobre que a mulher pela qual ele estava apaixonado era um homem, pensamos essa frase = ou essa ideia = como um conceito sobre nossa humanidade, que merece toda nossa atenção, reflexão e aplicação nas nossas vidas e nas nossas relações. E foi sobre isso nossa conversa de hoje:

Perfeccionismo é morte lenta. Se tudo se realizasse da maneira que eu gosto, da maneira que eu planejo, eu então nunca experimentaria algo novo; minha vida seria uma repetição em fim de sucessos insípidos. 

Quando cometo um erro, eu experiencio alguma coisa de inesperado. 

Algumas vezes reajo, quando erro, como se tivesse traído a mim mesmo. Meu medo de errar parece ser baseado numa premissa velada de que eu sou potencialmente perfeito e que, se puder ser muito cuidadoso, não cairei do pedestal. 

Mas, um “erro” é uma declaração do que eu sou, um confronto com a maneira que pretendo ser, um lembrete de que não estou lidando com a realidade. 

Quando “escuto” meus erros tenho possibilidade de crescer.

O texto acima é de Hugh Prather, famoso escritor estadunidense dos anos 70, época da juventude hippie, que buscávamos viver em comunidade, construir a contracultura, buscar relações mais livres e simétricas, enfim, nos construir na nossa humanidade. Tudo isso combatendo o autoritarismo em todos os níveis de relações, desde as íntimas = afetivo sexuais, passando por família, trabalho... e chegando às relações mais amplas, combatendo o sistema em que vivíamos, da forma como podíamos para não sermos "apagad@s" da história. Época, como já conversamos, em que não podíamos falar sobre política nem criticar o regime, no entanto fazíamos política num sentido amplo do termo =  fazíamos uma espécie de 'revolução cultural', questionando padrões impostos no que dizia respeito à gênero, feminismo, buscando simetria nas relações entre pares, nas relações sociais, enfim... 

E, claro, questionávamos também a "educação" que recebíamos, principalmente das nossas mães, que tentavam nos transmitir a ideia de perfeição, que combinava enormemente com os padrões femininos a serem internalizados para que desempenhássemos os papéis a nós estabelecidos nessa sociedade patriarcal. 

Época que coincidia, também, com a ampliação do mercado de trabalho para as mulheres, junto com o nosso entendimento de que a autonomia passava pelo bolso... e, com a ideia do perfeccionismo internalizada, fomos acumulando papéis = tarefas: filha perfeita, esposa perfeita, mãe perfeita, dona de casa perfeita, trabalhadora perfeita... e uma amiga, num momento de 'afeto' com essa questão, me confidenciou: 'o quarto ou quinto turno, pra mim, é sentido como um estupro, não tenho a mínima condição de sentir prazer numa relação sexual'...

E refletimos: Nisso é que dá querermos ser perfeitas! Melhor, isso é uma das consequências... Quanto sofrimento vivenciamos com esse "destino tão internalizado"... Quando esforço precisamos fazer para, primeiro, enxergarmos a armadilha em que caímos (pois isso acontece "sempre"!, lembrem=se que a cultura é nossa segunda natureza); e, segundo, tentar sair da armadilha, nos humanizando.

E 'ir saindo' da armadilha passa, necessariamente, pelo movimento de 'humanização' da nossa mãe... Sim, porque isso acontece em mão dupla: sofremos com a idealização que nossas mães fazem de nós, e devolvemos da mesma forma, ou seja, também idealizamos nossas mães... e ''exigimos" delas a mesma perfeição que elas nos exigem... e assim se configura o circulo vicioso, bastante útil à permanência dos papéis sociais, o desempenho do que se convenciona como 'papéis femininos' numa sociedade que deseja que a mulher se submeta, 'fique no seu quadrado' como disse querida SBCense.

Pois quisemos sair desse quadrado... e arregaçamos as mangas... 

E outra querida SBCense disse: sim, mas lembremos que a história não é linear, e 'vira e mexe' nos vemos no sofrimento de corresponder às expectativas das nossas mães; e ou na exigência da perfeição das mesmas; e ou na cobrança às nossas filhas... e, assim repetimos nosso 'destino', perpetuando uma sociedade massacrante para nós, mulheres.

Enfim, reflexões como essa nos exigem humildade, nos exigem força, coragem... e, principalmente, esforço no sentido de caminharmos para nossa HUMANIZAÇÃO.

E mais uma coisa: o riso, que desoxida talentos, inclusive o talento para a própria vida.

Abraços carinhosos,

SantuzaTU



  


 

 

 

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Conversas SBCenses: A alegria de ter com quem contar



Precisamos de amor em suas muitas formas. Precisamos de gente. Precisamos de solidariedade, de dar e receber. Precisamos de redes...

Uma rede não serve apenas para nos segurar quando caímos. Ela também serve para nos embalar, nos movimentar. Serve para dividir sonhos, inventar viagens, celebrar aniversários, atravessar lutos, dificuldades... Começar novos amores e descobrir que ainda existe muita vida pela frente. Serve para nos fazer rir e nos acalentar nos momentos difíceis.
A vida fica mais bonita quando a gente descobre que não precisa dar conta de tudo sozinha. O equilíbrio entre o dar e o receber é fundamental. Aprendi que uma equiparação entre a boca e o peito faz bem pra vida. Imagine uma pessoa bocão e peitinho... quer receber mais do que precisa e se dá pouco = peitinho, provavelmente uma pessoa 'doente', cheia de dó de si mesma e que inspira a dó do outro, enfim recebendo mais do que precisa e contraditoriamente  ficando 'pobre'... ; ou o contrário, peitão = se doa muito = e boquinha, boca trancada, deve ser uma pessoa super exigente, nada está bom pra ela, o seu dar é autoritário, é querer que o outro a devolva sendo o que ela quer. Uma frase atribuída ao grande filósofo Nietzsche: "Ingrato é quem não se rende aos meus favores". Enfim, também uma pessoa infeliz, triste.

Então, a alegria de vida parece com o dar e o receber. Há uma beleza escondida nas redes de afeto que construímos ao longo da vida, desde as relações íntimas até o nosso ser e estar no mundo de forma solidária.
Não é apenas o romance dos beijos, dos abraços demorados ou das mãos que se procuram debaixo do lençol. É também o romance de ter alguém que pergunta: “Você chegou bem?”. De receber uma mensagem inesperada. De comemorar junto quando a vida oferece uma pequena — ou enorme — alegria. Queremos desejo, cumplicidade, carinho, respeito e liberdade para sermos inteiras e inteiros. Mas também precisamos compreender que nenhuma relação amorosa deve ser uma ilha. Uma pessoa amada não precisa ser nossa única companhia, nosso único porto, nossa única fonte de alegria. Amar é também permitir que o outro tenha seus amigos, seus projetos, suas redes, seus outros afetos. Uma vez um rabino me disse uma espécie de oração que guardei pra toda minha vida:
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão, Que haja, antes, um mar ondulante entre as praias de vossa alma. Enchei a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça. Dai o vosso pão um ao outro, mas não comeis do mesmo pedaço. Cantai e dançai juntos, sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho. Assim como as cordas da lira são separadas e no entanto vibram na mesma harmonia. 

Na família, aprendemos — e às vezes reaprendemos — a solidariedade, a construção das redes, o acolhimento. É aquela gente que conhece nossas histórias, nossas manias, nossas cicatrizes e, ainda assim, permanece por perto. Tem gente pro que der e vier, tem gente nem tanto, tem gente que se afasta nas dificuldades... e a gente vai aprendendo a respeitar o humano... E na família aprendemos, também, que laços de sangue não são suficientes. Família também pode ser construída, escolhida, ampliada. Aprendi com minha mãe a valorizar os laços familiares, assim como a construção de uma rede de amigos e amigas que estão sempre por perto, acolhendo, rindo junto e oferecendo colo quando o mundo pesa. Agradeço à minha mãe, à minha família e à minha rede de amigas e amigos... Dou graças à vida...

São os amigos e amigas que testemunham nossas várias versões. Conhecem a mulher que fomos aos vinte, a que se perdeu aos quarenta, a que se reinventou aos cinquenta, a que ainda está descobrindo quem quer ser aos sessenta, setenta, oitenta...

No trabalho também precisamos de rede, também precisamos de solidariedade. Gente que coopera, que reconhece, que divide conhecimento, que não transforma a vida profissional numa competição permanente. Porque ninguém floresce verdadeiramente num ambiente onde todos precisam subir pisando uns nos outros.


E há os encontros inesperados: a vizinha que leva um bolo, a colega que oferece ajuda, a pessoa que aparece justamente quando precisamos, a conversa na mesa de um bar, o grupo que se reúne para dançar, cantar, estudar, criar, lutar, celebrar.

E talvez seja esse um dos grandes segredos de envelhecer bem: não deixar a vida estreitar os nossos afetos.

Ao contrário. Que a maturidade nos encontre acrescentando gente, e não subtraindo. Que possamos trocar o medo da solidão pela coragem de cultivar encontros. Que tenhamos amigas para tomar café... ou uma cerva, ou um vinho... amigos para conversar bobagens, amores para beijar, companheiras e companheiros para caminhar, grupos para pertencer e pessoas com quem possamos simplesmente ficar em silêncio.

Porque envelhecer não precisa significar ficar só. Pode significar escolher melhor quem queremos por perto. Pode significar amar com mais liberdade, fazer novas amizades, recuperar antigas, dançar sem vergonha, viajar com amigas, apaixonar-se novamente, trabalhar com propósito, cuidar e ser cuidada.


No fim das contas, talvez uma vida bem vivida seja isso: uma coleção de mãos.
Mãos que seguraram as nossas.
Mãos que nos puxaram para dançar.
Mãos que enxugaram lágrimas.
Mãos que aplaudiram nossas conquistas.
Mãos que nos deram coragem.
E, principalmente, mãos que continuamos dispostas a segurar.

Porque ninguém envelhece sozinho quando aprendeu, durante a vida inteira, a construir pontes, a fazer redes...

E que bonito chegar à velhice com histórias para contar, amores para lembrar, amigos para encontrar, novos desejos para experimentar e uma agenda ainda cheia de gente querida.


A vida é mais alegre quando há amor espalhado por todos os lados. Quando há o cuidado consigo mesmo(a)... e com o mundo...

Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem,
Santuza TU




quinta-feira, 10 de setembro de 2026

NOSSAS MULHERES: DUAS GRANDES CINEASTAS

Anita Leandro, professora associada da Escola de Comunicação da UFRJ e documentarista. Integra o corpo permanente do PPG-Com, com pesquisa sobre a mise en scène da fala e a montagem das imagens de arquivos. Possui graduação em Comunicação Social/Jornalismo pela Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte (1981), mestrado e doutorado em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Université Paris III - Sorbonne-Nouvelle (1993-1997). Pós-doutorado na Paris III, sobre os arquivos da História no cinema. Foi redatora e editora em várias televisões brasileiras e correspondente do serviço brasileiro da rádio BBC em Paris. Coordenou a pesquisa do Laboratório de Vídeo Educativo do Nutes-UFRJ de 1999 a 2003, como professora adjunta. De 2003 a 2009, foi maître de conférences e coordenadora do master profissional "Réalisation de documentaires et valorisation des archives" da Université Michel de Montaigne-Bordeaux 3. Entre 2010 e 2012, coordenou a habilitação "Rádio e TV" da ECO-UFRJ. Publicou o livro "Le personnage mythique au cinéma" (Presses du Septentrion, Lille,2001), além de vários artigos sobre estética do cinema. Realiza documentários e videoinstalações. Prêmio do juri oficial do Cachoeira Doc 2015 pelo filme "Retratos de identificação" (73 min., 2014).

Anita Leandro é uma figura proeminente na cena cinematográfica brasileira, reconhecida por sua contribuição à memória histórica e pela abordagem crítica ao regime militar. E o seu filme ANISTIA 79 foi o grande vencedor da 29a Mostra de Cinema de Tiradentes, que sempre acontece no mês de janeiro nessa querida cidade de Minas Gerais.

'Por trás de qualquer imagem da ditadura, há o horror da tortura' (Anita Leandro)

Já conversamos sobre esse filme no nosso post de 27 de agosto passado, junto com outro filme imperdível, HONESTINO, ambos em cartaz no Cine Belas Artes e Unimed Minas (além do excelente NOSSO SEGREDO). Aqui queremos conversar sobre duas mulheres phodas. No entanto, mais um pouco sobre esse filme maravilhoso vale a pena:

O filme é um achado de uma gravação de 90 minutos de uma reunião em prol da anistia dos presos políticos da ditadura, na Roma de 1979.  “Anistia 79” vai muito além de um registro histórico, porque ...

"Anita Leandro não apenas encontrou tal filme, nem apenas digitalizou tal filme, nem apenas montou tal filme, mas ela concebe verniz cinematográfico a um material de arquivo que sim, é impressionante, mas que a diretora avança na discussão cinematográfica de muitas formas. Ao olhar para o resultado final, é impossível não ser afetado pelas imagens nos dias seguintes à sessão, mas o que é apresentado durante quase 105 minutos não é apenas um amontoado de imagens conseguidas há quase 50 anos atrás. Leandro revisita o material original e emprega personalidade nas minúcias. Ela não apenas chama uma horda de sobreviventes àqueles dias e àquele período para reconfigurar tais planos a partir dos olhos afetivos, para igualmente reconectar de luz às figuras apagadas pelo tempo. “Anistia 79” é um monumento de resistência, mas também uma mensagem clara para o futuro, em termos de mensagem. Mas o filme nunca se acomoda em ser apenas mensagem, documento ou História; esse é um registro que merece e precisava de revisão, o que a cineasta emprega ali com a destreza de quem não apenas conhece o material, como também entende tais vestígios perdidos em um tempo de dor. Se não deixa de doer e revoltar, pelo menos consegue tornar a experiência amplamente enriquecedora".

"Os planos contrapostos das imagens do passado com os espectadores do presente (e que também estavam inseridos naquele passado) são um recurso que a cineasta transforma em potência renovada. Porque não se tratam apenas de tipos perdidos entre dois tempos, mas de reflexão emocionais e políticas a respeito de um passado que não cansa de bater à nossa porta, e que precisa encontrar meios de escoamento para a contemporaneidade. Além disso, temos os áudios enfim resgatados dos diálogos do exterior entre essas figuras históricas e, hoje, até mesmo ressuscitadas pelos planos, que realçam não apenas os valores históricos ali mostrados, mas essencialmente a humanidade de homens e mulheres que eram mais do que lutadores".

"A reunião de rivais políticos em encontro inédito durante a conferência é um intenso momento de “Anistia 79”, onde podemos enfim conferir a união pelo bem comum: a liberdade deve sempre ser maior que tudo. Os comentários acerca dessa passagem, e a passagem em si, não ocupam grande parte do filme de maneira vã. Parte desse encontro as ideias primordiais para o futuro de qualquer tempo, e em como o respeito e a admiração deveriam estar acima de qualquer embate".

Enfim, essa grande cineasta defende que a lei da anistia precisa ser revista, num país que não teve 'justiça de transição', como comentamos no post anterior, os torturadores foram anistiados.

💝💟💚💙💜💛

E vamos à nossa próxima homenageada:

Grace Passô tem agora 46 anos. Nasceu em Belo Horizonte, em 1980. 

Dentre seus trabalhos no teatro, dirigiu "Contrações" (Grupo 3 de Teatro, SP), "Os Bem Intencionados" (LUME Teatro, SP), Herança (50 anos de Maurício Tizumba nas artes) "Por Elise" e "Congresso Internacional do Medo" (grupo de teatro Espanca!). Atuou nas peças "Krum" , "Preto" (Companhia Brasileira de Teatro, PR) e em espetáculos do repertório do grupo Espanca!, grupo mineiro que fundou em 2004 e que permaneceu por dez anos, assinando a dramaturgia de espetáculos como "Marcha para Zenturo" (em parceria com o Grupo XIX de Teatro, SP), "Amores Surdos", "Congresso Internacional do Medo" e "Por Elise", sendo diretora destes dois últimos trabalhos. Em 2016, estreou o espetáculo solo "Vaga Carne", no qual atua e assina o texto.

Foi cronista do Jornal O Tempo e possui publicações de textos teatrais em português, francês, italiano, espanhol, mandarim, inglês e polonês.

No cinema, atuou em filmes como "Elon Não Acredita na Morte", "Praça Paris", "No Coração do Mundo" (Filmes de Plástico - Gabriel Martins e Maurílio Martins), "Temporada" (Filmes de Plástico - André Novais), "Vaga Carne" , "O Dia que te Conheci" (André Novais), "A Fúria",  "Levante". 

Foi indicada a inúmeros prêmios do teatro e cinema. E em 2019, Grace Passô foi homenageada pela Mostra de Cinema de Tiradentes. "Num tempo em que muita gente não vê futuro adiante, decidimos apontar algum futuro pelo que ainda virá dessa atriz", declarou a organização do evento.

E agora em 2026 Grace estreou como diretora com o longa-metragem NOSSO SEGREDO, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim. E no mês de agosto passado o filme foi incluído pela Academia Brasileira de Cinema na lista de 15 longas-metragens pré-indicados a concorrer a vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional. Isso tudo  depois de conquistar o principal prêmio da mostra competitiva nacional do 54º Festival de Cinema de Gramado. Além disso, a produção levou os Kikitos de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

Nosso Segredo é um filme de drama, fantasia,  misturado com suspense (alguém disse que seria um filme de "horror à mineira")  que nos prende durante todo o tempo: o que será o segredo? e, quando ficamos sabendo do mesmo, nova pergunta aparece: e o que vão fazer com o segredo?

Adaptação da peça "Amores Surdos", que deu a Grace o prêmio Shell de melhor texto, o filme  retrata uma família negra que tenta retornar ao cotidiano após uma perda muito recente. Enquanto cada membro da família enfrenta o luto do seu jeito, o silêncio e a dificuldade de expressar a dor acabam ampliando as distâncias entre eles. 

Gilson (Robert Frank) se refugia no trabalho como motorista. Suely (Ju Colombo) tenta manter a rotina da casa por meio das tarefas domésticas. Guto (Flip) procura uma fuga na rua e na boemia. Já Grazi (Jéssica Gaspar) se fecha cada vez mais em si mesma.

No meio deles está Tutu (Efraim Santos), o filho mais novo. Atento ao que acontece ao seu redor, ele percebe que existe algo estranho no andar de cima da casa, enquanto os adultos parecem preferir ignorar os sinais.

A partir das descobertas de Tutu, o cotidiano da família começa a ganhar contornos fantásticos. Sons, rachaduras, vazamentos e outras manifestações transformam a casa em um espaço cada vez mais inquietante.

Com o tempo, os sentimentos reprimidos e antigas feridas ressurgem, a família percebe que apenas uma conversa profunda vai poder ajudá-los a encontrar um novo caminho para seguir em frente. Explorando temas como luto, memória e pertencimento, o filme retrata as complexidades dos laços familiares e como erguer a cabeça em meio à dificuldades.

Comparado a grandes cineastas como o tailandês Apichatpong Weerassethakul e o diretor japonês Hayao Miyazaki, o filme é pra quem gosta de pensar, conversar sobre o mesmo, de preferência tomando uma cerva e abrindo a cabeça e o coração para entender as metáforas, os simbolismos apresentados, o humano ... enfim, se afetar com o filme e oportunizar refletir e elaborar suas próprias perdas, saudades... além de pensar sobre nossos preconceitos, construindo o movimento de superação a cada dia.

Como disse querida SBCense, "o animal me parece uma metáfora sobre a 'falta de consciência', ou melhor, a nossa dificuldade de 'tomar consciência', muitas vezes de coisas óbvias na nossa vida. Assim como o resgate das nossas ancestralidades, para a construção da nossa identidade autônoma. 

Além de tudo, psicólogas e psicanalistas SBCenses colocam que se trata de um filme profundo: "Há dores que não precisam ser ditas para ocupar todos os cômodos de uma casa! É a partir dessa ideia que Nosso Segredo constrói uma história sobre família, ausência e sentimentos que permanecem mesmo quando ninguém consegue colocá-los em palavras".

Enfim, uma das cenas finais traz Gilson deitado nu na cama, em posição fetal. Junto a uma vital reforma da casa = o próprio eu, nossa identidade,  essa sequência do filme, entre outros simbolismos,  evidencia a necessidade do restabelecimento do vínculo familiar, busca de segurança e proteção.

Voltando à homenagem às duas mulheres maravilhosas: 

A Anita Leandro e Grace Passô, mulheres que nos provocam reflexões e crescimento, nossa gratidão...

E obrigada a todas as pessoas que nos acompanham.

Abraços carinhosos

Santuza TU 





sábado, 5 de setembro de 2026

NOSSO SARAU DE SETEMBRO

 
Muito emocionante... Lembranças, afetos, risadas... abraços, novos amigos e amigas...



Na entrada do Andu de Dois, já recebendo nossas convidadas...

Querido Philip abriu nosso sarau com música do Zé Ramalho, tudo mundo cantou junto com ele. Pena que não temos o vídeo.

Em seguida, apresentação do SBC... destaque para o SBC anárquico: invertemos a ordem tradicional, ou seja, em vez de começarmos com o Hino e a apresentação da(s) convidada(s) especial(ais), começamos pelas homenageadas:

A primeira delas, Zélia Gattai, apresentada pela nossa querida Antonieta, reparem a elegância da pessoa:

Zélia Gattai Amado de Faria foi uma escritora, fotógrafa e memorialista brasileira, autora de obras como Anarquistas, Graças a Deus e Um Chapéu para Viagem. Casada por 56 anos com Jorge Amado, publicou memórias, literatura infantil e romance. Membro da Academia Brasileira de Letras, sua escrita preserva a memória social e cultural brasileira, unindo relato autobiográfico e testemunho histórico.

Claro que Antonieta aprofundou bastante, como sempre... aqui só um resuminho da sua fala.
                                









Zélia Gattai e Jorge Amado


Nossa segunda homenageada, Margarida S. Franco, apresentada por Maria Eloisa Franco, sua filha, nada mais nada menos do que nossa querida Diza! Foi muito emocionante, a Diza recitou e cantou poemas e musicas dela, inéditas, uma honra para nós do SBC:

Depois das nossas homenageadas, apresentação das nossas convidadas especiais:

A Diza, dessa vez, contou a sua própria história: de roqueira até sambista... De como conheceu Seu Expedito, na verdade o saudoso Didi 7 cordas, pai da Solange Leite, nossa querida Sol Cartola (dizem que a Sol era conhecida como a viúva do Cartola... kkk)... e foi através do Seu Didi que ela, Diza,  conheceu a Sol... hoje amigas irmãs... 
                                            















Didi 7 cordas


E a Sol foi emendando a história, contando sobre ela e o Bar Cartola, onde ela era a proprietária! Seu orgulho de "apresentar" o sambista aos rapazes e moças novinhos(as), universitários,  que começavam a gostar do samba com a sua influência. Isso tudo entre uma música e outra:


Nosso querido SBCence Alvimar, presidente da grande Escola de Samba Triunfo Barroco, acrescenta à história da Sol sobre o Cartola Bar, outros bares em Belo Horizonte que atraiam grande público, isso nos anos 90, 2000... e que consolidaram o samba em BH e fazem sucesso até agora, como o Opção, do nosso querido Ronaldo Coisa Nossa:

Resgatamos um vídeo da época, princípio do século, quando ensaiávamos o nosso hino para o primeiro desfile de Carnaval do SBC:


Depois, a surpresa:  nossa querida SBCense Márcia pede o microfone e  nos apresenta poema dedicado às mulheres, hoje às NOSSAS MULHERES CANTORAS, falando da força da voz feminina, das dores, dos sonhos, da liberdade e da inspiração que elas levam para outras mulheres e meninas.  Não temos vídeo, mas resgatamos o poema:

Nossas Mulheres!
que chegam cantando, 
com a voz doce ou forte,
trazendo no peito histórias de amor
de dor, de coragem e de sonhos.

Mulheres que cantam não apenas melodias,
Mas também suas lutas,
suas escolhas, suas conquistas,
e a liberdade de serem quem são.

Cantam o amor,
mas também cantam a liberdade.
Cantam as lágrimas que um dia esconderam,
as cicatrizes que carregam
e a esperança que nunca deixaram morrer.

São vozes que atravessam gerações e fronteiras.
Vozes que dizem;
"Eu estou aqui. Eu tenho uma historia. Eu tenho algo a dizer".

E quando uma mulher encontra a própria voz
Ela não canta apenas para si.
Ela abre caminhos, inspira outras mulheres,
ensina meninas a sonhar,
e mostra que ninguém deve ter medo.

Nossas Mulheres!
Cantoras de ontem, de hoje e de amanhã...
Cada uma com seu jeito, sua história, sua verdade.

Que nunca lhes falta coragem para cantar.
Que nunca lhes falte força para recomeçar.
E que nenhuma voz feminina seja obrigada a se calar.

Porque quando uma mulher canta,
o mundo escuta 

E quando muitas mulheres cantam juntas,
não há silêncio que consiga apagar a força de suas vozes.

Nossas Mulheres!
Bossa Voz!
Nossa História! 
Nossa Liberdade!

E outra surpresa: a Sol resgatou uma fala sobre Mulheres Fortes e Mulheres de Força, potente, de transcendência,  aprendizagem e crescimento... e compartilhou conosco, com a sua generosidade imensa:

UMA MULHER FORTE VERSUS UMA MULHER DE FORÇA
Uma mulher forte malha todos os dias para manter seu corpo em forma...
Mas uma mulher de força constrói relacionamentos, para manter sua alma em forma.
Uma mulher forte não tem medo de nada...
Mas uma mulher de força demonstra coragem, em meio aos seus medos.
Uma mulher forte não permite que ninguém tire o melhor dela...
Mas uma mulher de força dá o melhor de si a todo mundo.
Uma mulher forte comete erros e evita os mesmos no futuro...
A mulher de força percebe que os erros, na vida, também podem ser bênçãos inesperadas e aprende com eles.
Uma mulher forte tem o olhar de segurança na face...
Mas uma mulher de força tem a graça.
Uma mulher forte acredita que ela é forte o suficiente para a jornada...
Mas uma mulher de força tem fé que é durante a jornada que ela se tornará forte!


Como aprendemos com nossa querida Lady Cali, convidada do sarau de agosto: "Nós do SBC vamos de plenas e plenos a bandas" = bandoleiras(os) , bandidas(os)... Ao final o sarau, invertendo tudo como anárquicos que somos, cantamos o hino (que seria na abertura) fazendo um "cortejo" pelo Andu, como um dos nossos estandartes pendurados no pescoço... a "banda"! Farmando aura!
Nessa altura eu já tinha perdido um brinco, para tudo, todo mundo procurando o brinco por todo o Andu... brinco não encontrado. Chegando em casa tiro o sapato e encontro o mesmo:

E ainda ganhei outro brinco lindo! E lembramos, já em casa,  que tínhamos esquecido de levar os certificados de participação às nossas convidadas especiais, assim como os cartazes das mesmas para serem colocados no nosso varal... levaremos no nosso próximo sarau... com certeza, com cerveja...

Essa resenha é uma 'palinha', nem um décimo de tudo que aconteceu ao vivo e das energias trocadas. Mais uma vez agradecemos a todas as pessoas que fazem nossos saraus serem tão gostosos... e às pessoas que nos seguem, nos leem, nos assistem. 
O SBC somos nós!!!
Abraços carinhosos,
Santuza TU




















quinta-feira, 27 de agosto de 2026

2 FILMES IMPERDÍVEIS... BRASILEIROS

O primeiro filme que vimos, Honestino, retrata o Brasil desde princípio dos anos 60, a criação da Universidade de Brasília, o golpe militar de 64... as várias invasões armadas da PM à Universidade... até início de anos 70... e a história de Honestino.

Direção de Aurelio Michiles, fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 68, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é uma das centenas de desaparecidos da ditadura militar. Baseado em cartas, poemas e imagens de arquivo, dezenas de depoimentos de familiares, amigos e militantes e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso. 

Honestino foi uma das vítimas da Ditadura Militar. Brutalmente assassinado aos 26 anos, o Estado apenas reconheceu a culpa do homicídio após vinte anos, ainda assim, é possível relatar os traumas deixados para os estudantes de Brasília. Com o intuito de tornar a história inspiradora de Honestino Guimarães atual outra vez, o longa reúne uma série de arquivos inéditos sobre a trajetória dele, incluindo a sua luta e legado para - ao menos tentar - construir uma história melhor para o Brasil do que aquela que ele pode viver.

Foto Leo Lara

O segundo filme, dirigido por Anita Leandro (na foto), Anistia 79 é um documentário que traz cenas inéditas sobre um dos momentos mais importantes para a história moderna do povo brasileiro. Em 1979, na cidade de Roma, Itália, é realizada a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, que até hoje é considerada por muitos como o maior encontro da esquerda brasileira realizado fora do país. Quase meio século depois, cenas resgatadas retornam no momento ótimo para  entendermos a construção da memória da ditadura militar.

Em junho de 1979, centenas de exilados e militantes pela anistia no Brasil chegam em Roma, provenientes de vários países. É preciso uma intervenção efetiva no processo de abertura política, pois a ditadura militar não quer libertar os presos políticos e articula, nas sombras, a extensão do benefício da anistia aos torturadores. Um jovem exilado filma o evento e guarda os negativos num porão, em Paris, por quase 50 anos. Confrontado a alguns participantes da Conferência de Roma, este material mostra que o passado, no Brasil, ainda não passou.

Cineasta e historiadora, Anita Leandro, mineira de Belo Horizonte, ao receber o prêmio de Juri Popular da Mostra de Tiradentes deste ano, deu uma aula de democracia, chamando a atenção para a atualidade do debate da impunidade da tortura e dos desaparecimentos forçados, uma vez que falta ao Brasil a justiça de transição e a ditadura não acabou em lugares como as favelas e periferias. Ela destacou a importância da Conferência Internacional pela Anistia e as Liberdades Democráticas no Brasil e a sensibilidade de Hamilton Lopes dos Santos, que teve a iniciativa de registrar aquelas imagens e sons para o futuro. O filme traz diferentes gerações de exilados em um reencontro com as gravações feitas há quase 50 anos.

Sabiam que, geralmente, os filmes brasileiros independentes têm dificuldade para se manter em cartaz? Por isso, é importantíssimo ter um público expressivo na primeira semana, para garantir a continuidade de exibição do mesmo.

E as conversas SBCenses depois de cada um dos filmes:

. Toda vez que vejo um filme brasileiro da segunda metade do século passado me pergunto onde eu estava, como estava, como era a minha vida, em 'que mundo' (ou Brasil...) eu vivia na época retratada pelo filme. Nos anos 60 eu = branca classe média = estava saindo de colégio de freira e indo fazer o curso normal na Instituto de Educação. Foi uma "libertação" pra mim... comecei a entender um pouco mais de mundo, para além do próprio umbigo. No Instituto tínhamos várias classes sociais e essa convivência foi muito importante pra mim. Depois passei no vestibular em universidade particular, a Católica de MG. Estudava a noite e trabalhava para pagar meu curso. 

. Nos anos 70 nas universidades não podíamos falar de política. No entanto fazíamos política, muitas de nós casamos e descasamos (naquela época era 'desquite' e não 'divórcio'), fomos cobaias das primeiras pílulas anticoncepcionais e isso nos fez apropriarmos do nosso corpo e da nossa liberdade sexual = como disse nossa feminista Rose Marie Muraro, "conquistamos o direito ao orgasmo".


 
. Líamos e comentávamos sobre o Pasquim, semanário alternativo da história da imprensa brasileira que circulava no período mais rigoroso da ditadura militar, pós AI 5, realizando resistência através do humor e reunindo ícones da cultura nacional, Henfil, Laerte, Sérgio Cabral, Chico Buarque, entre outros.

. Nos movimentos feministas daquela época, começava a onda do feminismo negro, começávamos e reconhecer e criticar Simone de Beauvoir, dizendo que nós, feministas brancas, nos permitíamos entrar no mercado de trabalho às custas de colocarmos nossas irmãs negras cuidando dos nossos filhos. 
. Líamos "A morte da Família", de David Cooper; "A Contracultura", livros de Gaiarsa e de Wilhelm Reich, de Muraro, Lélia Gonzalez e Sônia Viegas, entre outros e outras... e continuávamos lendo Simone. 

. E acompanhávamos os primórdios da criação do MST, final dos anos 70. Assim como os resgates de movimentos negros, como o MNU Movimento Negro Unificado. 

. O surgimento do movimento "Quem Ama não Mata" em Belo Horizonte, luta feminina que surgiu em resposta ao assassinato de Ângela Diniz em 1976. O movimento começou a se organizar em 80 e é uma das primeiras movimentações do Brasil a se manifestar contra a impunidade dos crimes de violência contra a mulher.

. Nos tocou por demais, entre outras coisas, o Gregório Bezerra no filme  Anistia 79 falando dos 'verdadeiros terroristas', aqueles que prendiam, torturavam e matavam... 


. E nossa querida Heloisa Greco, além de resgatar potente discurso da sua mãe Helena Grego, nos fala da atualidade do extermínio... nosso, de nós, brasileiros e brasileiras, nós os indígenas, nós os negros e negras periféricas. 

. Enfim, a anistia que se propunha ampla geral e irrestrita, tornou=se "lenta, gradual e segura"... e nos perguntamos: segura pra quem? provavelmente segura para os "torturadores" que se viram anistiados, livres. 

. Não tivemos como não resgatar linda canção de Gonzaguinha, aqui interpretada pela grande Elza, faixa 10 do álbum "Planeta Fome":

Abraços carinhosos às pessoas que nos acompanham... e não percam o filme!
Santuza TU