quinta-feira, 23 de julho de 2026

Conversas SBCenses: sobre APRENDIZAGENS

 


"Viver é uma aprendizagem constante"... Este também pode ser um dos 'princípios orientadores de vida' do SBC, além dos três já colocados, desde 2017, na contracapa do nosso primeiro livro, "Diário do SBC": o riso, o valor das amizades e o desenvolvimento do sentido estético na vida.


Aprendemos com Nietzsche, no livro Genealogia da Moral, a paciência com o que nos é mais antípoda (aprendemos, também, a palavra 'antípoda'= 'contrária' =, adoro! uso sempre). Ele conta que quando já estavam bem formuladas suas ideias sobre a origem do que temos como 'bem' e 'mal', veio parar em suas mãos um livro que apresentava ideias que eram as mais antípodas às que ele formulava... E isso serviu para ele, tanto melhorar sua argumentação, quanto aumentar sua convicção em relação às suas ideias.


Aprendemos com Sócrates e Nicolau de Cusa a humildade diante do conhecimento, a Ignorância Douta, ou ignorância sábia, "quanto mais eu sei, sei que nada sei".

E o Príncipe Michkin, personagem de Dostoievski em O Idiota, diz: "Eles me chamam de idiota porque vivo com o coração, não com a cabeça". Então, quem é idiota?

Aprendemos com Eli Bonini, psicólogo, antropólogo, psiquiatra, professor na UFMG nos anos 60, preso pela ditadura militar, os conceitos de amigo, adversário e inimigo... e como, na nossa cultura, costumamos 'aprender de maneira distorcida' a colocar adversários (aqueles que divergem de nós) na categoria de inimigos, o que nos empobrece... Pois se acreditamos que amigos são as pessoas que sempre e em tudo concordam conosco, na verdade queremos pessoas submissas a nós e nossas ideias. Pois é com o diferente que crescemos, como aprendemos, também com nossa grande G. Rosa "Sou quando divirjo".

Praticando, além do valor aprendizagem, o valor amizade, crescer uns com os outros, recebo essa semana um texto importantíssimo, profundo,  do querido "novo amigo de infância", Alvimar, grande Presidente da nossa querida Escola de Samba Triunfo Barroco. Compartilhando... e aprendendo...

O QUE O SAMBA TEM A APRENDER COM O MOVIMENTO LGBTQIAPN+?

Autor: Alvimar Neri Pinto

Data: 20/07/2026


Neste fim de semana, Belo Horizonte foi palco da 27a Parada do Orgulho

LGBTQIAPN+, e a Escola de Samba Triunfo Barroco esteve presente, acompanhando de perto essa grande manifestação popular.

Mais do que participar do evento, saímos dessa experiência com uma reflexão que merece ser compartilhada. Quando fazemos essa pergunta, “O que o samba tem a aprender com o movimento LGBTQIAPN+?” talvez estejamos olhando para o lugar errado. O samba não precisa aprender a ser diverso, pois nasceu da diversidade. Não precisa aprender a acolher as diferenças, porque foi construído justamente por aqueles que a sociedade tentou excluir. A verdadeira reflexão é outra: o que o samba pode aprender com a capacidade de organização e mobilização do movimento LGBTQIAPN+?

Nas últimas décadas, o movimento LGBTQIAPN+ demonstrou que uma manifestação cultural só alcança mudanças estruturais quando está acompanhada de organização política, produção de conhecimento, comunicação eficiente e atuação permanente na defesa de direitos. Suas conquistas não foram fruto do acaso. Elas nasceram da mobilização coletiva, da formação de lideranças, da construção de redes e da ocupação dos espaços onde as decisões são tomadas.

Essa reflexão também precisa chegar ao universo do samba. Por muito tempo, permitimos que a sociedade reduzisse o samba a uma simples festa. E, em certa medida, nós mesmos passamos a enxergá-lo dessa forma. O sucesso de uma escola de samba passou a ser medido quase exclusivamente pela colocação no desfile, pela grandiosidade das alegorias, pelas notas dos jurados ou pelo brilho do espetáculo apresentado na avenida. Da mesma forma, muitas vezes avaliamos uma roda de samba apenas pela quantidade de pessoas presentes, pela casa cheia ou pelo retorno financeiro do evento.

Mas o samba nunca foi apenas festa. O samba nasceu como uma forma de resistência da população negra brasileira. Foi nos quintais, nas rodas, nos terreiros, nas favelas e nos subúrbios que homens e mulheres transformaram a cultura em ferramenta de sobrevivência, preservando suas memórias, religiosidades, saberes e formas de organização diante de uma sociedade marcada pelo racismo e pela exclusão.

A intelectual Lélia Gonzalez descreveu as escolas de samba como uma extraordinária criação das comunidades negras, espaços de solidariedade, pertencimento e afirmação cultural. Já Luiz Antonio Simas reforça que uma escola de samba não pode ser compreendida apenas pelos minutos em que atravessa a avenida. Ela é uma instituição comunitária, um território de proteção social, educação popular e construção de identidade coletiva.

Essa compreensão muda completamente a forma de enxergar o papel das agremiações. Se reconhecemos que o samba é um movimento social, cultural e político, precisamos fazer uma pergunta incômoda: por que permitimos que nossa maior preocupação se resumisse ao desfile? Passamos meses debatendo regulamentos, julgadores, fantasias, alegorias e notas, enquanto dedicamos pouco espaço às discussões sobre políticas públicas, financiamento permanente, formação de lideranças, produção de conhecimento, comunicação estratégica e mobilização social. Ao concentrarmos nossos esforços quase exclusivamente na utopia carnavalesca, deixamos de fortalecer o samba como um movimento que atua durante todo o ano. O resultado dessa escolha se repete a cada temporada: encerramos os desfiles, desmontamos as alegorias e, muitas vezes, voltamos ao silêncio, aguardando que um novo Carnaval recomece o ciclo, em vez de mantermos uma atuação contínua na defesa da cultura, das comunidades e das escolas de samba.

Enquanto isso, decisões fundamentais sobre cultura, orçamento público, patrimônio e financiamento continuam sendo tomadas sem a participação efetiva do universo do samba. Infelizmente, ainda convivemos com desafios que demonstram o quanto precisamos fortalecer nossa organização. O próprio 1o Seminário Nacional das Rodas de Samba apontou problemas como a ausência de um mapeamento nacional, dificuldades de financiamento, precarização do trabalho dos sambistas, falta de políticas públicas específicas e a necessidade de maior organização institucional.

Aprender... e participar... Obrigada pela reflexão, querido amigo. Estamos juntos nessa aprendizagem... e nessa prática. 

Lembramos de dois sambas que falam sobre aprendizagem:


Aprender com a dor... mas também acreditamos que aprendemos com alegrias, com trocas com erros e acertos ... e com a vida, nas ruas e nas vielas...


Mas também podemos aprender com o diferente... o rock ... E aprendemos  com Raul Seixas a estar sempre em movimento, assim é a vida:


Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos acompanham,
Santuza TU






sexta-feira, 10 de julho de 2026

SARAU SBC NOSSAS MULHERES JULHO



Cada vez melhor nossos saraus, mais alegres, mais profundos, mais calorosos...

Na entrada do nosso querido ANDU DE DOIS muitas fotos mostrando nosso "estandarte", assim como nossas convidadas e convidados...




Muitos abraços, muitos sorrisos... novos amigos e amigas...

Querida Cris Santos, convidada especial, contando um pouco da sua história de vida e apresentando nossa Escola de Samba TRIUNFO BARROCO, terceiro lugar no ano de 2026.

A seguir querida Amélia Gomes apresentou a RÁDIO FAVELA, homenageada da Triunfo Barroco para o próximo ano. Surpreendente a sua apresentação, nos envolveu muito, uma história maravilhosa... aguardem e sigam a Rádio Favela e a Triunfo Barroco no instagram, em 27 estaremos na avenida, sabem onde está sendo agora o desfile das Escolas de Samba de Belo Horizonte? Na Avenida dos Andradas, passando pela praça da Estação... lindíssimo ...

E a Amélia recomendou o filme UMA ONDA NO AR (no YouTube) inspirado na Rádio Favela, direção do mineiro Helvécio Ratton, grande história: 


Cantamos Gente Negra junto com Leci Brandão, além de ouvirmos os refrãos dos enredos da TRIUNFO nos quatro últimos anos.

E aproveitamos para apresentar uma das nossas homenageadas, a Catarina Mendes, uma mulher escravizada em Ouro Preto que já tinha conquistado sua alforria muito antes de 1888 e, se juntado com algumas mulheres também libertas, criaram uma aldeia onde só entravam os homens que elas escolhiam. Essa aldeia agora, com o seu nome,  é um sub distrito de São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto. 

Nossa querida Deyse Magalhães apresentou Anaíde Beiriz, admirável mulher paraibana, poeta, escritora, defensora do voto feminino, fez do seu corpo uma luta contra a sociedade da década de 20 do século passado, pois enfrentou comportamentos que, até aquele momento, eram impossíveis de visualizar naquele estado.

“Quando não escrevo, meu universo se reduz, sinto-me na prisão. Perco minha chama, minhas cores”.


E nossa super SBCense Antonieta nos conta a história de Tia Ciata, nossa última  homenageada da noite. Não temos vídeo mas compartilhamos o documentário maravilhoso sobre ela - e o protagonismo feminino negro:

E nossa querida Márcia, historiadora,  falou um pouco mais sobre esse protagonismo: "O samba é o ritmo de resistência da cultura negra. E as mulheres negras foram essenciais para que ele pudesse seguir existindo no pós escravidão, se não fosse por elas o samba não existiria hoje."

E nossa querida Laura Farias, presidenta do MPM Movimento Popular da Mulher, falou sobre a necessidade de reivindicarmos a criação da Secretaria da Mulher em Belo Horizonte. Importantíssimo!

Alvimar, nosso presidente  da Triunfo Barroco, falou também um pouco mais sobre Tia Ciata! sobre Mãe Menininha, sobre Nara Leão ... e sobre o acolhimento, o cuidado feminino...

E terminamos cantando PELO TELEFONE, com Donga, Martinho da Vila e outros:

Mas ainda não terminamos... Por último tivemos a inauguração do Projeto Parceria Andu de Dois e Coletivo SBC: o SEBO DA MAITÊ! Vejam os vídeos:


E a linda foto do final, "inimigos do fim":

Até mais, abraços carinhosos,
Santuza TU





quarta-feira, 8 de julho de 2026

CINECLUBE DE JULHO: sobre "quem somos nós"


Começamos lembrando da nossa metodologia TAP, chamando a atenção para o A: de que maneira somos afetad@s, que reflexões esse filme nos provoca...

E, antes do filme e instigando para o mesmo, lembramos pesquisa recente da datafolha que aponta o crescimento de pessoas - brasileiras - que pensam que as pessoas brasileiras não trabalham porque são preguiçosas! Nossa perplexidade com tal resultado ensejou o "convite" ao filme.

Poucas pessoas presentes, uma pena... recomendamos a todas as pessoas o documentário, precisamos de abrir perplexidades, perguntas, a fim de abrir nossas "cabeças colonizadas", ampliar nossa "visão de mundo" e principalmente do Brasil, enfim, caminharmos na construção da(s) resposta(s) "quem somos nós...", resgatar nossas ancestralidades, nossa história, para além da história que recebemos - e internalizamos - dos nossos colonizadores.

A propósito, no debate após o filme, lembramos do companheiro José Reinaldo Carvalho, jornalista, editor  internacional do Brasil 247. Em palestra na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, por ocasião do início do genocídio na Palestina, ele abordou os maiores genocídios já ocorridos no mundo e, entre esses, o genocídio no Brasil dos povos originários. Sobre isso fala o documentário... e a pergunta: porque não sabemos disso na escola?

Muitas outras coisas que "não sabemos": Quem foi o Coronel Fawcett? O que são geoglifos? E sambaquis? E a cerâmica de Marajó?


A cerâmica marajoara não é apenas um objeto decorativo, mas um legado histórico e artístico que revela a complexidade e a sofisticação das sociedades indígenas da Amazônia pré-colonial.

E as frutas - e as árvores - da Amazônia? 

Enfim, saiba que essa região era bastante povoada antes dos colonizadores chegarem, saiba como aconteceu o genocídio dessa nossa população... e saiba como a floresta foi, literalmente, construída!

E, ao final, concluimos com a necessidade, desejo, de um maior letramento na história da nossa política, a começar do entendimento do termo política: origem e significado da palavra; história da política no Brasil...

Aguardamos sugestões de vídeos e/filmes que possam nos suscitar reflexões sobre tal tema... e até nosso próximo cineclube, primeira terça de agosto, dia 4.

Abraços carinhosos,

Santuza TU












































segunda-feira, 22 de junho de 2026

Conversas SBCenses: sobre DIGNIDADE



  1. Sinônimo de Dignidade

  2. Antônimo de Dignidade

  3. A palavra 'dignidade' tem sua origem no latim 'dignitas', que significa 'mérito' ou 'valor'. Inicialmente, era usada para se referir ao status social ou político de uma pessoa. Com o tempo, seu significado evoluiu para abranger conceitos mais amplos de valor intrínseco e respeito devido a todos os seres humanos. Na filosofia e no direito, o conceito de dignidade humana ganhou destaque especialmente após a Segunda Guerra Mundial, tornando-se um princípio fundamental em muitas constituições e declarações de direitos humanos.

A dignidade humana é um princípio filosófico, ético e jurídico que reconhece o valor inerente de todo ser humano, independentemente de sua origem, raça, gênero, religião, etc...

No Brasil, a dignidade da pessoa humana está prevista no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988, sendo um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito . 

Dimensões e Aplicações

A dignidade humana envolve múltiplas dimensões, incluindo: Respeito à integridade física e moral; Liberdade de expressão e auto determinação; Igualdade de oportunidades e acesso a  direitos básicos; Proteção contra discriminação e violência;

Importância Social e Jurídica

A dignidade humana é a base de todos os direitos humanos universais, sendo essencial para combater desigualdades, preconceitos e violações de direitos  Ela também estabelece um mínimo existencial, assegurando que todos tenham condições de viver com respeito e segurança, e serve como referência para políticas públicas e legislação que promovam justiça e inclusão social 

Perspectiva Filosófica

A noção de dignidade possui raízes antigas, remontando às civilizações antigas que, mesmo de formas variadas, já refletiam sobre a importância do respeito ao ser humano. Na Grécia Antiga, por exemplo, as ideias de respeito à virtude e à condição humana começaram a delinear um conceito precursor de dignidade, embora ainda estivesse restrito a certas classes sociais. 

O conceito moderno de dignidade foi influenciado pelo pensamento iluminista e por filósofos como Immanuel Kant, que defendia que os seres humanos devem ser tratados como fins em si mesmos, e não como meios  A dignidade é, portanto, um valor moral e espiritual que transcende a lei, sendo incorporada ao ordenamento jurídico para garantir proteção efetiva a todos os indivíduos.

Em resumo, a dignidade humana é um princípio central que sustenta a justiça, a igualdade e o respeito aos direitos fundamentais, sendo indispensável para a construção de uma sociedade ética, inclusiva e democrática.

A dignidade não é apenas um conceito abstrato, mas um princípio que permeia nossas interações, dizendo respeito ao valor intrínseco de cada pessoa. Como podemos garantir o reconhecimento dessa dignidade em um mundo marcado por desigualdades, preconceitos e violências? Será que a dignidade deve ser universal, ou suas manifestações variam conforme o contexto cultural e social? A compreensão aprofundada desse conceito torna-se imprescindível para promover uma sociedade mais justa, plena de respeito e equidade.

Na atualidade, a dignidade é entendida como o reconhecimento do valor inalienável de cada pessoa, independentemente de suas condições sociais, culturais ou econômicas. Ela envolve o direito de ser tratado com respeito, liberdade e igualdade. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a dignidade é um aspecto inerente à condição humana, que deve ser protegido por leis e políticas públicas. Além disso, ela é uma base para combater discriminações, desigualdades e violações de direitos, promovendo uma sociedade mais justa e plural.

Pesquisas nos IAs e Googles da vida nos serviram para começar o caso SBCense sobre essa palavra muito usada e pouco entendida, às vezes até mesmo entendida e usada de maneira distorcida e errônea:

Estávamos numa reunião de solidariedade à Palestina- e ao Irã. São imensamente produtivas essas reuniões, ampliamos nossa compreensão dessa parte oriental do mundo, que nos foi - e continua sendo - mostrada de forma distorcida pelo marketing estadunidense principalmente da segunda metade do século passado, lembram nos filmes de Indiana Jones? Os personagens daquele lado do mundo são pessoas más, feias, barbudas, que empunhavam espadas de uma maneira meio ridícula e  que o Indiana Jones exterminava com apenas um tiro de revolver...

Pois nessa reunião um companheiro, estudioso da cultura do Irã, nos conta que as mulheres no Irã, ao contrário do que temos de informações que moldam nossa imagem sobre elas, têm muito mais dignidade do que nós, mulheres brasileiros. Quando ele disse isso eu percebi várias de nós se remexendo na cadeira, inclusive eu. A que dignidade ele estava se referindo??? Percebi que o sentimento foi de indignação das mulheres presentes. 

Pois bem, calmamente ele explicou sua afirmação, nos dando dados estatísticos sobre a violência contra as mulheres no Irá, bem menor do que por aqui; assim como a ocupação, pelas mulheres iranianas, de cargos de poder tanto no nível público como privado, universidades e empresas, em índices bem mais amplos do que os nossos. E esses dados nos surpreenderam enormemente... 

Saímos dali direto pra "resenha", manifestando nossa perplexidade... e, entre conversas e cervas, concluimos algo que me pareceu bastante interessante: a definição, o conceito vivenciado, aqui pra nós, de dignidade, é a mesma para o homem e a mulher? Uma mulher digna é uma mulher honesta... um homem digno é um homem honesto também. No entanto, até bem pouco tempo, nosso código civil definia a mulher honesta no privado - fiel, cumpridora dos deveres de esposa e mãe -, enquanto o homem honesto era definido no público - cumpridor dos deveres de honra, das dívidas, etc... E concluimos (provisoriamente) que a nossa 'indignação' com o companheiro que disse sobre a dignidade da mulher, sua fala nos tocou na nossa subjetividade, no nosso conceito enraizado culturalmente de "mulher honesta", "mulher digna", ou seja, dignidade definida no sentido privado.

Pensando mais amplamente sobre o conceito de dignidade, vemos sua ligação íntima com a questão de direitos... 

Apesar da compreensão clara do valor da dignidade, ainda enfrentamos obstáculos significativos, como a desigualdade social, discriminações e violações de direitos. No Brasil, por exemplo, há uma luta constante contra o racismo, a violência de gênero e a pobreza, fatores que ameaçam a dignidade de milhões de cidadãos.

Outro desafio é garantir que leis e políticas públicas realmente se traduzam em ações concretas de proteção. Muitas vezes, há uma desconexão entre o que é legislado e o que de fato acontece na prática, dificultando a universalização da dignidade. 

Pesquisamos um pouco mais sobre dignidade:

Significado prático da dignidade no cotidiano


PráticaImpacto na Dignidade
Respeitar opiniões diferentesPromove convivência harmoniosa e valoriza a diversidade
Oferecer acesso a direitos básicosGarante igualdade e proteção social
Qualificar ambientes de trabalhoValoriza o trabalhador e reduz humilhações
Combater preconceitosResgata a dignidade de grupos marginalizados

Benefícios de promover uma cultura de respeito e dignidade

– Fortalece a convivência social e o sentimento de justiça
– Reduz conflitos e violações de direitos
– Promove inclusão de grupos vulneráveis
– Incentiva o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária
– Fomenta o sentimento de pertencimento e segurança para todos

Dicas práticas podemos seguir para promover a dignidade no dia a dia

– Ouça atentamente as pessoas ao seu redor
– Respeite diferenças culturais, religiosas e de opinião
– Pratique empatia em suas ações e palavras
– Denuncie violações de direitos quando presencia-las
– Incentive ambientes de trabalho inclusivos e respeitosos

"Ao compreender e valorizar o conceito de dignidade, estamos dando passos concretos rumo a um mundo onde o respeito aos direitos de cada pessoa seja prioridade. Investir em educação, conscientização e políticas públicas eficazes é essencial para que essa dignidade seja verdadeiramente assegurada para todos, independentemente de origem, condições ou crenças".

"Entender o conceito de dignidade é fundamental para promover uma convivência mais justa, ética e respeitosa. Desde suas raízes históricas até sua aplicação prática no dia a dia, essa noção revela-se como um valor universal que deve ser defendido e cultivado por cada um de nós. Ao reconhecer a dignidade alheia e atuar para protegê-la, contribuímos para um mundo mais humano, onde o respeito é a base de todas as relações. Afinal, cada pessoa merece ser tratada com o valor e a consideração que representam sua essência mais verdadeira".

Violência: negação de direitos 

E outro caso sobre dignidade: depois desse encontro sobre as mulheres no Irã, mais recentemente, dia 15 de junho, fomos e evento da OAB Barro Preto "Envelhecer com Dignidade: Procedimentos legais para combater a violência contra a pessoa idosa". 

O Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa é celebrado em 15 de junho e visa combater e conscientizar sobre a violência sofrida por idosos em todo o mundo. Foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, após solicitação da Rede Internacional de Prevenção ao Abuso de Idosos (INPEA). A data foi estabelecida para chamar a atenção para as violações dos direitos das pessoas idosas e promover ações de combate à violência.

E durante todo o evento se falou muito sobre nossa dignidade e a luta por nossos direitos. E não pude deixar de falar sobre o principal deles: o direito ao SONHO! O direito de sonhar!


Filme imperdível, de 2025, na Netflix. Tereza, de 77 anos, viveu toda a sua vida em uma pequena cidade industrializada na Amazônia, até o dia em que recebe uma ordem oficial do governo para se mudar para uma colônia de moradias para idosos. O filme, direção de Gabriel Mascaro, se passa num Brasil distópico onde o governo decreta o exílio forçado dos idosos para colônias habitacionais remotas, sob a justificativa de liberar os jovens para produzir. A protagonista, Tereza (Denise Weinberg) recusa-se a ir e foge em uma jornada mágica pelos rios da Amazônia, encontrando aliados como o personagem de Rodrigo Santoro.

No nosso entendimento, esse filme fala essencialmente sobre sonhos, desejos, e quando isso nos é interditado. Ou seja, a pior das violências vem a ser a interdição dos sonhos, dos desejos.  E essa interdição pode ser tanto feita de fora - pelos outros, pela sociedade, pela cultura que nos quer "envelhecer" - como nós mesmos a fazemos conosco - e precisamos estar atentos e atentas a isso - pois se perdemos o desejar, o sonhar, perdemos a vida, envelhecemos no sentido péssimo da palavra. 

Da maneira oposta, não envelhecemos quando temos sonhos, desejos, dos mais miudinhos - tomar um sorvete - até os maiores - construir um mundo mais bonito, mais justo, mais equânime. Ai somos todas e todos pessoas dignas...

Abraços carinhosos,

Santuza TU 


quarta-feira, 10 de junho de 2026

CINECLUBE JUNHO: BRASIL E CUBA

 Ontem, dia 09 de junho 2026, nosso cineclube... no espaço do nosso partido, Av. Amazonas, centro de Belo Horizonte, espaço pequeno, para mais ou menos vinte pessoas, espaço aberto, suprapartidário. Ontem  já tivemos dez pessoas, metade do espaço já contemplado... Como diz uma amiga, quando oferecemos arte e cultura -  a oportunidade de bons debates e ampliação de visão de mundo - a frequência é "de grão em grão"... Mas 'arregaçamos as mangas' e vamos em frente...

Com presenças de amigos e amigas, pessoas novas que se encantam e abraçam a proposta, e isso também nos fortalece e nos envolve.

Já tínhamos planejado o  documentário CUBANAS - MULHERES EM REVOLUÇÃO. Disponível no YouTube, esse filme de Maria Torrellas  trata das mulheres cubanas que atuaram tanto na luta guerrilheira como com a chegada da Revolução até a atualidade. 

Pelo documentário desfilam testemunhos e vivências de heroínas como Vilma Espin, Celia Sánchez e Haydée Santamaria que foram fundamentais na Revolução. O documentário faz um percurso que chega até o presente  resgatando mulheres de diversas áreas e idades para colher seus testemunhos de vida e expor novamente quanto significou para elas se alimentarem dos valores criados a partir do final da década de 1950.

Assim surgem vozes e imagens de trabalhadoras, médicas, cientistas, artistas e militantes sociais e políticas . Através de todas elas vão surgindo temas históricos e atuais que vão desde a alfabetização nos anos 60 ao desenvolvimento da educação em todas as épocas, a tenaz resistência ao bloqueio, a solidariedade, a intensa batalha cultural e até o alvoroço das marchas LGBTI em defesa da diversidade sexual. 

"As mulheres, antes do triunfo da revolução, não tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas analfabetas".

"Vivenciar o país, caminhar pelas ruas de Havana e outras cidades, conversar com o povo trazem uma convicção: Nesses 60 anos, a organização e a luta das mulheres cubanas é um dos pilares de resistência e continuidade da revolução"...

E por aí foram nossas reflexões...


Embora já tivéssemos planejado esse filme, a propósito do lançamento recente do streaming brasileiro TELA BRASIL - nossa NETFLIX, com mais de 500 filmes longas, médias e curtas - para abrir nosso evento levamos um curta de 1989 do diretor brasileiro Jorge Furtado. ILHA DAS FLORES, uma ácida
crítica à desigualdade social e à sociedade de consumo. O filme acompanha o ciclo de vida de um tomate - desde a plantação até ser descartado no lixo - para expor como pessoas em extrema pobreza sobrevivem catando restos de alimentos nos lixões. Como um soco no estômago, destaca uma realidade cruel: a falta de dinheiro e a lógica do sistema econômico fazem com que restos de comida rejeitados até para a alimentação de porcos acabam sendo o único sustento de famílias necessitadas. Enfim, o filme desconstrói o conceito de valor, mostrando como a ausência de recursos coloca os seres humanos em uma condição inferior à dos animais.

E o que nos surpreendeu é que esse curta está entre os 10 mais vistos! O mesmo pode ser assistido na Tela Brasil ou no YouTube, mas vale a pena se inscrever no nosso streaming e assistir grandes - e pequenos, e médios, sempre ótimos -  filmes brasileiros, que falam sobre nossa história, nossa cultura e nosso povo. 

Em seguida aos dois filmes, tivemos nossa roda de conversa, sempre com a metodologia - ou movimento - TAP Teoria Afeto Prática, que nos conduz a boas reflexões e propostas. Algumas pessoas que já estiveram em Cuba desde dez anos atrás até recentemente fizeram seus depoimentos e ligações com o filme, a invisibilidade das mulheres e a importância e valor desse protagonismo...

E 'puxamos' a reflexão para a educação como mola propulsora para o 'sermos sujeitos', protagonistas, exercermos a cidadania.

E 'concluimos' provisoriamente: o primeiro filme (Ilha das Flores) fala sobre o sistema capitalista, onde o dinheiro ganha vida, controla absolutamente tudo, e os seres humanos perdem a condição de sujeitos, se tornam objetos, abaixo do humano. E o socialismo, como tudo no humano, não pronto e acabado mas sempre em movimento... no sentido da construção de um mundo mais equânime, mais justo, mais distributivo. Concluimos ainda: a ignorância é um "projeto político", uma estratégica de dominação. Por que nos mantém alienados... a ignorância sobre nossa história, sobre nossa identidade (quem somos nós), sobre nossos direitos. A ignorância provoca, entre outras coisas, o individualismo, o imediatismo, a falta da consciência de classe.

E para falamos um pouco mais sobre o movimento de "ir saindo" da ignorância, nos conhecendo, nos apropriando da nossa história e agindo no sentido da construção de nossa identidade, nossa proposta para próximo sarau, julho, vem a ser um filme sobre a história do Brasil antes de 1.500, pois o Brasil, definitivamente, não foi 'descoberto', essa nossa terra e nosso povo já existiam de forma muito rica. Foi, sim, colonizado - nossos corpos e cabeças (espíritos) - a partir de 1.500. 

Então... vamos?

Abraços carinhosos a todas as pessoas que compartilham das nossas reflexões, virtual e presencialmente.

Santuza TU