Não poderia perder a oportunidade... de fazer uma "repaginada" na música...
Lembram dessa música? Juraci, de Roberto Silva, conhecido como "O Príncipe do samba", deve ter sido gravada pelo autor da mesma lá pela década de 50 ou 60, foi regravada bem mais tarde pelo Caetano Veloso... e eu ouvia na casa da minha tia, no LP (bolacha) "As Melhores Mulheres", eu adorava esse disco, ouvia o dia inteiro quando vinha passar as férias em Belo Horizonte, eu ainda era criança e morava em Salinas.
Essa "Introdução" para apresentar nosso mais novo SBCense (de carteirinha, daquelas com carimbo "Gente que não presta..." , Juraci Bergamini, que manda para publicação um "poemeto" (como diz ele...) sobre a queda do viaduto da Avenida Pedro I, lembram? época da Copa do Mundo no Brasil, tudo tinha que ser feito às pressas...
O "poemeto" está em vídeo e em texto. Muito bom... uma importante reflexão sobre o mundo atual...
Obrigada Juraci...
NÃO FOI POR ENGANO, ou Aos Inocentes da Avenida Pedro I
(Escrito três dias depois da queda do viaduto da Avenida Dom Pedro I, em
Belo Horizonte)
"Acidentes acontecem, diz o prefeito.
Acidentes acontecem, diz o engenheiro.
Acidentes são inevitáveis, diz o mestre de obras.
Acidentes são coisas do dia a dia, diz o motorista.
Mas...ela...ela não pode dizer mais coisa alguma.
Sua voz calou-se para sempre nas profundezas do concreto armado.
Esse não foi por engano.
Enganados somos todos nós.
Enganados são aqueles que acreditam que tudo pode ainda ser diferente; que
haverá tempo para recuperar-se das dores sofridas em acidentes fortuitos e
inevitáveis (inevitáveis?!).
Acidentes acontecem, dizem os que observam de cima
E podem conduzir os destinos à sua escolha e para sua pessoal satisfação.
Amanhã, ninguém se lembrará dos inocentes que se perderam na busca de um
caminho.
Apenas um caminho, num trecho de via pública, de uma res pública que
solenemente os ignora, pois é preciso transportar a cidade.
E a cidade se transporta através de suas veias e o sangue derramado em
acidentes fortuitos
é o estritamente necessário.
A hemorragia será contida sempre e a cidade, em pouco tempo, passará
indiferente pelas marcas indeléveis que restaram escondidas por entre os
escombros.
E por suas artérias continuará circulando o mesmo sangue, levando os mesmos
materiais indispensáveis à continuidade.
No balanço de perdas e danos, ainda se observará que os lucros são bastante
razoáveis.
Apesar de tudo, apesar das lágrimas vertidas, dir-se-á que a vida continua e
que tudo, tudo mesmo, ainda vale a pena."
Pessoas que
controlam o desejo de controlar a outra...
Que permitem
a divergência, pois “somos quando divergimos”...
Amantes têm
relações dialógicas!
Amantes não
têm relacionamentos sérios...têm
relacionamentos bonitos, alegres, divertidos, comprometidos com o sentido estético na
vida e nas relações, comprometidos com o crescimento mútuo...
Tristes, às vezes? sim... porque a tristeza também é bonita, da tristeza também se cresce...
Conversando com um grande
amigo ele me “re-aplica” um grande filósofo e psiquiatra brasileiro dos meus
tempos de juventude: Gaiarsa, José Ângelo Gaiarsa. Não tem como conversar sobre
Gaiarsa e não recordar|resgatar nossa história dos anos 70|80, transgressora,
libertária. Ainda mais com esse amigo, que adora conversar, conversamos até
“espumar o canto da boca”, como diz uma outra amiga. Esse estereótipo feminino
que diz que as mulheres falam demais é, na minha redefinição, uma ultra
qualidade. Homens interessantes conversam até mais que mulheres, falam
muuuiiito... sobre o que pensam, sobre suas emoções, elaboram teorias, trazem
pra conversa suas leituras, seus autores preferidos ... e isso é lindo! Ao
redor de nós, nas nossas conversas, temos, quase sempre, Freud, Nietzche, Hanna Arendt, Marx, Lenin, Guimarães Rosa, Paulo Freire, Emma Goldman ... e filósofos contemporâneos: Vladimir Safatle, Francisco
Bosco, Maria Rita Kehl, Chimamanda Adiche, Marcia Tiburi, Marilena Chauí ... e muitxs outrxs. E também poetas e artistas: Adélia Prado, Drumond, Cora Coralina, Chiquinha Gonzaga, Chico, Daniela, Elza. Ele disse que minhas escritas
parecem com o Gaiarsa... preferia que fosse com a Maria Rita Kehl, mas gostei
também...
Enfim, meu convite é
resgatar esse grande psiquiatra e sorver da sua sabedoria... e conversar com
ele, lembrando outros livros, filmes, músicas... que nos servem para aumentar
nossa competência para o “bem viver”.
Gaiarsa nasceu em 1920 e
faleceu em 2010. Seu último livro foi:
MEIO SECULO DE PSICOTERAPIA VERBAL E CORPORAL
Até 2008, 2009 estava publicando livros:
Mas sua maior produção
acredito que tenha sido nos anos 70 e 80. Coloco alguns desses livros aqui,
todos eles libertários, todos eles incrementando a luta contra todo tipo de
autoritarismo, todos eles super SBCenses:
Gaiarsa foi um dos maiores críticos da família e da hipocrisia social que a cerca. Para ele, o conjunto de regras que obedecemos desde que nascemos - regras essas que transmitimos a nossos filhos mesmo tendo sofrido com elas - só serve a um propósito: o da opressão.
Ele também desmistifica os grandes personagens que compõem a ideologia familiar: a mãe perfeita, a pai abnegado, o filho vítima.
Gaiarsa mostra que o amor não pode ficar restrito a determinadas amarras. Ele nos ajuda a rever todos os nossos (pré)conceitos sobre fidelidade, família, relacionamentos e felicidade.
PODER E PRAZER
O livro
negro da família, do amor e do sexo
Nesse livro ele fala sobre as origens pré-históricas
da agressão, sua ligação com a sexualidade, sua continuação na forma de
organização social (luta de classes) e na família, onde são aprendidos, implicitamente,
todos os jogos do poder.
Dois ótimos livros dele, da coleção Primeiros Passos, livrinhos de bolso super fáceis de ler e super instrutivos. E também super SBCenses. Já conversamos e escrevemos sobre esse assunto: uizinho, ui, uizão e chalap-chalap, tema bastante instrutivo para uma "geração SBCense". Veja nosso post de 14 de março de 2012.
E outro livro do Gaiarsa totalmente SBCense: Tratado geral sobre a fofoca: uma análise da desconfiança humana. Lançado originalmente em 1978, este livro permanece tão atual que parece ter sido escrito ontem. Aqui, Gaiarsa faz uma análise sociológica, filosófica, histórica e psicológica da fofoca. Ele afirma que, quando fazemos fofoca de um indivíduo, colocamos nele todos os preconceitos que estão dentro de nós. E, ao fazermos isso, automaticamente nos livramos de qualquer defeito, tornando-nos modelos de perfeição. As consequências são drásticas: além de fazer mal ao outro, frustramos toda e qualquer possibilidade de mudança interna que pudesse nos levar a um patamar mais elevado de consciência. Ou seja, nosso conhecido mecanismo de projeção, o "mal" está no outro, nós somos a perfeição.
Muito bom, o SBC recomenda... Mas para além dessa análise sobre a fofoca feita por ele, nós do SBC nos permitimos elaborar uma outra análise possível, digamos, um "conceito positivo", uma ressignificação da palavra fofoca: pois, quando falamos de alguém é porque queremos aprender com esse alguém, trata-se da prática da competência essencialmente humana, que vem a ser "aprender com o(a) outro(a) e oferecer também a minha experiência para que x outrx aprenda comigo". A isto o SBC denomina "pesquisa antropológica". Claro que com um pouco do "cinismo" peculiar ao SBC... "tem gente que não presta... são as melhores pessoas".
Mas a
conversa sobre Gaiarsa suscitou lembranças de outros livros interessantíssimos,
como diria, “do baú”...
Como vimos,
ele critica essa organização social tão incensada, o casamento e a família.
Crítica que também fazemos. Sempre me pergunto: para que serve, na nossa
sociedade, essa super valorização deste nível de relação (casal e família) e
uma “desvalorização” do nível de relação de amizades? nós nem “aprendemos” a
valorizar as amizades, nem faz parte da nossa “educação”.
Mas a família...
Haaa... ai de quem ousa criticar... torna-se o\a herege, a “ovelha negra”... e
não é incrível que o maior índice de violência contra mulheres, idosos,
crianças, pessoas mais vulneráveis, se encontra no seio dessa “santa
instituição”?
Resgatamos duas falas do Gaiarsa sobre AMOR e FAMILIA:
Atenção aos dois últimos parágrafos... sobre eles nos debruçamos, ou melhor, conversamos e elaboramos...
Novamente o último parágrafo, que reforça a ideia da "dificuldade do modelo da juntividade" que conhecemos.
"É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há...
E esse
resgate nos fez lembrar e conversar, além do nosso querido Renato Russo, sobre dois livros bacanérrimos, muito antigos.
O primeiro deles:
De 1980
David Cooper é um psiquiatra
existencial de vanguarda que, juntamente com R.D.Laing, tem se dedicado à
pesquisa no campo da psicologia e do tratamento de esquizofrênicos. Esse
trabalho o convenceu de que a noção de família impregna a vida interior do
indivíduo, destruindo-lhe a independência sexual e social. Este livro, fruto
dessa convicção, é uma crítica severa dos conceitos da "situação
familial".
O livro é, sem dúvida, revolucionário. O autor não se contenta
em criticar, mas vai mais além e discute as alternativas para a família
convencional dando exemplos de como os objetivos "familiais", que
dominam a vida, podem ser rejeitados. Analisa também, as dificuldades
frequentemente encontradas na formação de comunas ou antifamílias.
o E um outro livro discutido a partir do Gaiarsa: o Livro de uma
Sogra, de1895.
Este é o autor, Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo. Nasceu em 1857 e morreu em 1913, foi o principal autor da vertente naturalista no Brasil e o primeiro escritor a viver de literatura no país. Exímio retratista de tipos sociais, escreveu inúmeras obras, entre romances, contos, crônicas e peças teatrais, além de ter sido desenhista e caricaturista. Bonitão e super atual no seu bigodon Handlebar, estilo bastante popular entre os hipsters e também chamado "guidão" porque parece com guidão de uma bicicleta. Aluísio é mais famoso por seu livro:
O Cortiço, romance naturalista publicado em 1890 que denuncia a exploração e as péssimas condições de vida dos moradores das estalagens ou dos cortiços cariocas do final do século XIX.
Voltando ao Livro de uma Sogra, estefoi o último romance de Aluísio Azevedo, onde ele teoriza sobre o casamento. Foi escrito
no século XIX – 1895, no Rio de Janeiro. Esse romance trata da vida de casada
de Olímpia, uma mulher oriunda de uma família tradicional, que chegada a hora
de casar a única filha, Palmira, começa a busca por um marido ideal para ela.
O amor pode até durar para sempre, mas é possível
amar alguém todo dia? Aluísio de Azevedo jura que não. "Não há estômago
que resista a faisão dourado todos os dias; o melhor acepipe, se não for
discretamente servido, enfastiará no fim de algum tempo", diz ele.
(acepipe = petisco, tira gosto, prato servido para abrir o apetite, tipo "comida de buteco")
Olímpia, a sogra, ela mesma "vítima"
do casamento, filosofa e trama as condições que irão propiciar felicidade à
filha vivendo sob a égide do matrimônio.
O primeiro princípio estabelecido pela sogra - e ela é mais irredutível que
qualquer outra - é o da separação de corpos. Cada um dos cônjuges deve viver em
sua própria casa. O marido segue, então, visitando e sendo visitado pela
mulher, como nos tempos de namorados, em dias alternados, e nem sempre pode
desfrutar de uma noite inteira a seu lado. É que a sábia sogra acredita que a convivência no dia-a-dia é a pior inimiga do
casamento.
Algumas coisas no livro tanto devem ser situadas
historicamente, como também podem servir de análise da atualidade, como, por
exemplo, o racismo da “alta sociedade”, assim como a “inferioridade” da mulher... Naquele tempo
ela defendia a tese de que a mulher, por mais inteligente que seja, precisava
se colocar num lugar inferior em todos os aspectos: mais frágil, mais baixa e
até mais feia. O homem, por outro lado, é obrigado a aceitar a própria
mediocridade para se tornar um "bom marido", porque gênios e artistas
dão péssimos cônjuges, dizia Olímpia.
Será? O SBC acha que sim... talvez ótimos amantes atualmente, numa redefinição SBCense de amantes: pessoas que amam a
vida, a liberdade, e que amam bons encontros.
E por aí íamos nossa conversa de “espumar o canto
da boca”, quando me lembrei também de um caso pertinente ao assunto: o de uma
mãe, digamos, libertária, que educou a filha dentro desses princípios. Pois não
é que essa mãe me relata, com perplexidade, que, quando ela já separada, a
filha, por volta dos seus 15 anos, termina com seu primeiro namorado. E ocorre
o seguinte dialogo, carregado de choro:
. Filha, você já tinha me dito que não estava, digamos, gostando tanto dele, não é? você não estava mais feliz com ele...
. Sim mãe! Mas eu não queria repetir o seu modelo,
eu queria que durasse para sempre!!!
. Heim!!! Como assim!!! Você
que ser feliz ou quer uma relação duradoura?...
E olha que este diálogo deve
ter uns 10 a 15 anos, relativamente recente. Ainda bem que essa filha, agora,
evoluiu para a libertação desse modelo.
Mas nenhuma e nenhum de nós
estamos livres de repetir modelos, pois estes estão terrivelmente enraizados,
cravados a ferro e fogo nos nossos espíritos... além de repetidos diariamente no
que ouvimos, nas músicas, na poesia, na arte em geral, que se presta tanto ao
trabalho de reproduzir esses modelos como também antecipar, criar novos modelos. A
gente canta e canta e repete... e deseja o que, racionalmente, dizemos que
não...
Então, outro caso de
repetição do modelo: pessoa super amadurecida emocionalmente, alguns
“casamentos” na sua história de vida, frustações (claro que também
alegrias...)... agora solteiro, feliz sozinho, com amigos e amigas, amantes ...
numa conversa despretensiosa sobre fantasias de futuro ele descreve um sitio
onde produza, ele mesmo, seus alimentos e viva com a natureza... talvez perto
da cidade, pois também gosta dessa movimentação urbana... aí, quando ele continua
na sua fantasia, descreve “uma mulher que queira, talvez, a mesma coisa, e que
nos juntemos pra sermos felizes”...
Fiquei pasma... rosa chiclete... me
amarrota que eu tô passada... vejo nessa
simples descrição de uma “imagem mental de futuro", a repetição completamente
desnecessária de um modelo, tão enraizado que dificilmente saímos dele...
dificilmente pensamos uma vida boa com amigos, com amantes, cada um na sua
autonomia... não é uma ilusão ele pensar que exista uma mulher com o desejo
tanto quanto o dele para ficarem juntos? para um encontro de desejos durante todo o tempo, de manhã, a tarde, a noite? na
prática isso se dá, quase sempre, com a submissão da mulher ao desejo do
homem... e depois acabam a vida infelizes “para sempre”...
Mas continuamos a conversa:
e concluímos (provisoriamente) falando sobre o projeto SBCense BLUE SKY
VILLAGE... A VILA DO CÉU AZUL... Trata-se de uma comunidade onde todxs vivem de maneira autônoma, todxs tem as suas casas, e se reúnem para os projetos em comum, para trabalhar na horta, ver filmes, dar caminhadas, cantar, dançar... e, claro, administrar a comunidade... e a cada um de acordo com suas necessidades, e de cada um de acordo com seu trabalho. E, claro, este projeto não está pronto, senão seria um projeto autoritário, imposto. Está para ser construído, juntxs...
Parece um projeto
ainda tão distante da nossa fantasia... e tão possível, se arregaçarmos as
mangas e trabalharmos por ele...
E essas conversas sobre autores do século passado me lembram sempre como é bom pra vida nos apropriar da nossa história, conversar sobre o passado para, com ele, fazendo nossos joeiramentos, escrever de uma maneira bonita nosso futuro. E aí me vem, de novo, nossa querida Evinha... "Eu vou voltar aos velhos tempos de mim..." significa esse resgate... necessário para a construção prospectiva. Terminamos com ela...
Bora voltar aos "velhos tempos" de nós!!! pra resgatar coisas boas pra vida...
Morador do bairro Bom Jesus, Região Noroeste de Belo Horizonte
A arte se impõe ainda mais em tempos difíceis, tempos excepcionais, tempos de intolerância e de certa escuridão humana nas pessoas. O artista da vez é Roberto Luiz, que chega trazendo seu trabalho engajado, cheio de luz e religiosidade e que rompe preconceitos.
Arte da reciclagem
Entre facas, espadas, martelos e punhais, o artista apresenta uma história de resistência, luta e identidade.
significados
O afro representado
Os guerreiros da resistência e suas armas
Os trabalhos são comercializados sob encomenda
Contato do Roberto:
whatsApp: 8839-8957
*Faça seu comentário; coloque seu nome e seu contato; publique ou com sua conta Gmail ou como anônimo. Obrigado!
Recuperando e ampliando nossas palavras SBCenses e seus
significados: PIROPA...
Me lembro bem quando ouvi a palavra pela primeira vez, da
boca do Chico (o Buarque), e ele disse "PIROPA". Lembro que fui consultar o nosso
atual “pai os burros” (meu pai dizia que era a enciclopédia Barsa)... o
Google... e tinha até um site com “as piores piropas” (são aquelas frases
feitas, baratas, que soariam hoje, algumas delas, até como importunação ou
assédio. E, claro, dirigidas às mulheres).
Fui de novo ao Google e não encontrei mais a palavra PIROPA,
e sim PIROPO, que já tinha visto como a origem daquela. Sim, Piropo é uma
palavra espanhola e o Chico deve tê-la “abrasileirado”. Também em Portugal se
diz "piropo", que significa galanteio, elogio, cantada, xaveco, galanteada.
Também encontrei como sinônimos: Agarramento, agarração, amores, apego.
E encontrei dois sites de “piropos para hombres” (ou seja, de
mulheres para homens) e “piropos para mujeres” (claro, de homens para mulheres). Gente!!! Precisamos atualizar esse GOOGLE!!! Que isso!!! Tem umas
sugestões, como costumo dizer, “sutis do tamanho de uma patada de elefante”, de
que, normalmente são os homens que piropam (as mulheres devem se colocar no
lugar de piropeadas! Aff). E o site continua: ... mas as mulheres podem também
fazê-lo, desde que seja, sempre, numa conduta respeitosa. Essa recomendação é
para mulheres piropeadoras, para homens não!!! Sutil, né? não mais como uma
patada. Mas como uma manada de elefantes... é muito interessante como essas
coisas passam despercebidas ainda, e, ao mesmo tempo, quando começamos a “ver”
isso fere viu?... sigamos... (não sem antes observar também que piropar não
acontece somente entre homens e mulheres, google super desatualizado em relação
a gênero, devia aprender com a Judith Butlher...).
Agora, fazendo o movimento de ampliação do significado, como
fazemos no SBC, a palavra piropa pode, e deve, ser ampliada no que diz respeito
aos níveis de relação. Quero dizer que nós, no SBC, piropamos todas, todos e
todes, ou seja, piropar passou a ser entendida (e praticada) como
“empoderamento”, “validação”.
Nós precisamos ser reconhecidxs, validadxs, com isso nos
empoderamos, nossa autoestima se enriquece e, para além das relações intimas,
amigas e amigos têm este papel.
Então, piropar significa dar o melhor de si mesmx e extrair
dx outro o melhor dele(a).
E o SBC acredita que são ineficazes as “piropas prontas”,
como os sites nos sugerem, pois piropa boa é uma fala espontânea, ou melhor,
talvez seja uma “construção fluida”, um “bom encontro”. Dá tesão, por si mesmx,
pelo outro e pela vida.
O assunto PIROPA é recorrente no SBC. Ano passado surgiu
compondo uma espécie de mantra para vivermos esses tempos que estamos vivendo:
“Paciência, paciência, paciência...
Esperança, esperança, esperança...
Riso, riso, riso...
Piropa, piropa, piropa...”
(tem gente que acrescenta: Vai tomar no c... B... ou B ou
quem você queira... é libertador... kkk).
Nosso outro assunto recorrente é o amor romântico, discutimos
muito sobre a repetição desse modelo relacional, a fim de conhecê-lo, cada vez
mais ver onde e como ele se reproduz, e superá-lo, criar um amor fundado em
liberdades e em simetria.
Como o Chico nos ensina, a arte é ótima para piroparmos.
Música, poesia... são excelentes piropas. E grande SBCense me manda uma super
piropa, usando a poesia e combatendo o amor romântico:
TU, eu estava procurando uma piropa hoje e lembrei de Adélia
Prado, um poema que li há bastante tempo. Aí vai:
AMOR FEINHO
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por
sexo e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa e
saudade roxa e branca, da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial, o que brilha nos olhos é o que
é:
Eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão.
O que ele tem é esperança:
Eu quero amor feinho.
Lindo né¿ Amor feinho combate o amor romântico, idealizado,
padrão. Não está pronto, é construído, como tudo no humano. Por isso adorei
esse poema.
E aí eu comecei a pensar que, como é construído, cada um (ou
cada dois) tem o seu “amor feinho”. Então eu fiz o meu:
Eu
quero amor divertido, simples, que conversa, canta e lê e faz poesias...
Meu amor feinho não pensa em ser feliz, só em se divertir. Mas se vê feliz, de repente, nas horinhas vagas.
Meu
amor feinho faz caminhadas, com longas conversas, desde receitas até análise de
conjuntura.
Faz
massagens tântricas (do seu jeito), se diverte na cama, deseja mais prazer do que gozo, não
quer performances, quer brincar... trepa de ladinho ou em posições bem
confortáveis.
Meu
amor feinho é divertido, não é sofrido, fala de suas inseguranças e ri junto...
dá presentes e piropeia o tempo todo.
O meu
amor feinho mora no tempo da delicadeza.
Eu
quero amor feinho...
Minha querida amiga, que lindos! os dois...
Me emocionei com o poema da Adélia e com a sua versão do
“amor feinho”. Super SBCence, capta o nosso espirito. Obrigada por compartilhar
conosco.
Me ocorreu nos perguntar, a todxs nós:
Que
amor feinho eu desejo construir?
E você? que amor você quer? diga isso a ele|ela, pare de pensar que a outra pessoa vai adivinhar... ou que tem um padrão de amor (aliás, em tendo é
o que queremos destruir... e criar um novo, a se construir, sempre...).
Sim querida... nunca entendi nos facebooks da vida o perfil
da pessoa: em um relacionamento sério. Meu amor feinho é divertido, não é
sério, definitivamente. Meu amor feinho é uma grande amizade... com tesão...
E, terminando, para rirmos mais um pouco, encontrei num dos
sites no Google, não sei se o masculino ou o feminino: “Pareces Google porque tienes
todo lo que yo busco”.
Tosco né? kkk
Com esta tosquera me despeço rindo... e torcendo pro seu
sucesso na piropa viu?
Terminando nossa trilogia "quando amo, O QUÊ estou amando?", uma ampliação do conceito para outros níveis de relação, além da relação íntima.
Não me lembro
nem onde nem quando li um artigo sobre o tema “relações simbióticas”, dizendo sobre as relações íntimas, afetivo-sexuais. Mas este tema me ocorreu a
propósito da pergunta: quando amo O QUÊ estou amando?
Então...
primeiro vamos ao google:“...a simbiose
nasceu da busca estratégica de interações entre organismos de diferentes
espécies... os exemplos mais comuns são os de verminoses, o que muitas vezes
pode levar o hospedeiro à morte...”
“o conceito
de simbiose é uma metáfora biológica, que usamos na psicologia para descrever a
situação de dependência emocional entre indivíduos. Essa dependência é normal
em etapas muito iniciais da vida, principalmente do bebê com a mãe, logo após a gravidez, mas
deixa de ser saudável se perdura...”
E,
continuando na pesquisa googolistica (rsrs), os tipos de simbiose existentes:
. no Mutualismo, ambas as partes se
beneficiam da relação, mesmo que não igualmente, tampouco existe uma avaliação
do quanto custa a cada um tal benefício;
. no Comensalismo, uma das partes obtém
benefícios sem prejudicar ou beneficiar a outra, ou seja, a parte beneficiadora
se orgulha de ser protetora e a parte beneficiada agradece... pode ser uma
relação produtiva para ambas as partes, embora assimétrica. Assim como pode ser
produtiva somente durante um certo tempo... daí, pode passar, aos poucos, para
o tipo a seguir, o parasitismo;
. já no Parasitismo, um dos simbiontes se
beneficia às custas do outro, e pode levar à morte do beneficiante, o que está
sendo sugado.
Obrigada
Google...
Vamos à
reflexão: quando li sobre relações simbióticas pensei mais nas relações
afetivo-sexuais entre nós, mulheres, e os homens... acontece por demais! Quando
as relações não estão na base da simetria... de pensar, de sentir, de agir... e
que passa pelo bolso, o econômico, como já falamos... as relações acabam sendo
simbióticas... e nós, mulheres, sofremos consequências terrivelmente
“invisíveis”. Li uma vez num livro de um jornalista italiano contemporâneo, Francesco
Alberoni, “Enamoramento e Amor”, que o homem se enamora “daquele ser
explendoroso” e, rapidamente (ou aos poucos), a transforma “num ser domável”,
ou seja, destrói exatamente aquela característica que o fez amá-la!Que motivos o fariam realizar esse “movimento
inconsciente”!!!
Pois bem,
acham que isso só acontece nas relações afetivo-sexuais entre homens e
mulheres? Nem pensar! rsrs. Eu achava que as relações homo afetivas aconteciam
de formas mais livres... e, sim, acontecem de uma forma mais livre em outros
aspectos. Porém, infelizmente, as relações homo afetivas reproduzem, também,
obviamente, nossos padrões culturalmente enraizados. Portanto, não estamos
imunes!!!
Atenção!!! Os conceitos enraizados de “amor” estão em todas as relações! “só sei viver se for por você”... ai... odeio Djavan...
Então,
percebo também que as relações simbióticas parasitárias se desenvolvem, também,
nas amizades! Assim como o “amor romântico”... pois a idealização da outra pessoa, a
mitificação, é uma das principais características desse amor ... e da
idealização é um pulo para o desprezo, é só um chutinho no pedestal onde
colocamos a pessoa mitificada, qualquer “humanidade” da mesma é pretexto para o
desprezo, perdemos a condição humana de admiração. E precisamos estar bastante
atentxs a isso, corremos sérios riscos!
Essa
“teorização” me vem a partir de relato de uma pessoa amiga que, segundo ela,
quase sucumbiu à relação simbiótica. Poispercebia que a outra pessoa, uma amiga,a amava e admirava muito, e era
recíproco. Então, o que foi acontecendo, sem que as duas percebessem (Freud
tinha razão: inconsciente existe, daí o sentido da pergunta: “O quê” estamos amando, a fim de "irmos descobrindo...")?
Uma delas foi incentivando a outra para o papel de palco em
várias situações. E a primeira fazia o papel de bastidor, muitas vezes de uma maneira
controladora e autoritária, minando aos poucos o brilho da outra.
Perceberam a
“sutileza” do vínculo destrutivo? E a saída possível seria a tomada de
consciência do próprio brilho por parte de uma delas, e a tomada de consciência
da vaidade por parte da outra, que facilmente caia na armadilha do
reconhecimento, e ia ficando do jeito que a outra queria, ia se perdendo de si
mesma.
E, pensando
mais sobre a origem dessas relações: a INVEJA.
Que
sentimento potente!!! Tanto para a destruição quanto para a vida... e o tanto
que precisamos estar atentxs a este sentimento, enquanto objetxs da inveja e
enquanto sujeitxs invejantes.
Salieri,
compositor de óperas, italiano de final do século XVIII e princípio do século XIX,
conseguiu ir destruindo Mozart, até a morte, por não reconhecer seu próprio
brilho. E Mozart, por imaturidade, e|ou vaidade, entre outras características,
permitiu isso. Depois Salieri ficou louco. O filme “Amadeus”, de 1984, do
grande diretor Milos Forman, mostra a destruição (do outro e de si mesmx) de
uma maneira esplêndida.
Uma grande
pessoa me disse, uma vez, uma metáfora valiosa pra minha vida: desde que
nascemos, vamos aprendendo a construir uma prateleira dos sentimentos, das
emoções. Nessa prateleira, as emoções que ocupam os lugares mais altos são as
“emoções nobres”, aquelas que devemos ter, ou “fingir que temos”, o altruísmo,
a generosidade... como se essas emoções fossem aprendidas numa sociedade
capitalista... Ô dó... até a generosidade é manifestada na ação de forma
arrogante, por uma classe social privilegiada... ou seja, os sentimentos e
emoções são artefatos culturais, são, também, fabricados culturalmente!!!
Ai... vai
descendo a prateleira e veem os sentimento “menos nobres”... vai descendo... lá
embaixo na prateleira está um desses sentimentos: a inveja...
A inveja é um
sentimento horrível! Um pecado, um dos sete pecados capitais. Não devemos ter
inveja! E, se a reconhecermos, devemos fingir que não a temos!!! Vamos substituindo-a,
por exemplo, por admiração... a admiração é um sentimento que coloca o admirado
num pedestal, como já disse... e qualquer “humanidade” que a pessoa se manifeste ela será
“destruída”.
E fico
pensando: como é importante a gente tomar consciência dessas emoções “negadas”
culturalmente, apropriar delas e ir construindo na direção das escolhas, que podem ser: . . ou de
cortar a relação, porque não dou conta ou não quero lidar com isso, pelo menos
agora; ou aprender a viver e relacionar com apessoa tendo consciência e minimizando essa faceta da relação; . e|ou
tentar conversar com a pessoa (dar e receber feedback) para construir uma
interpretação bonita e produtiva das coisas, hipótese mais bacana e menos
provável;
Enfim, podemosescolher
crescer com isso... e nos proteger enquanto objeto de inveja, admiração e
simbiose parasitária.
E enquanto
sujeito, também de admiração... que, necessariamente, para crescimento pessoal,
deve ser enxergada como inveja, pelamordedeus, não me fale em “inveja boa”, me
fale de “inveja potente”, que se transforma em desejo... o que invejo é o que
desejo! Seja ter ou ser... persiga!!!
Não neguemos
nossas invejas! Apropriemos delas como fontes de construção da nossa
identidade... daquilo que queremos ser... só desse jeito ela será
enriquecedora.
E, conversando sobre isso, um amigo me lembrou da expressão metafórica desse tipo de relação tóxica:
RELAÇÕES VAMPIRESCAS. Claro!!! relações vampirescas vem a ser um tipo de relação abusiva, relação em mão única, relação de exploração ... e ocorre em todos os níveis de relação: o homem vampiresco; a mulher vampiresca; X filho vampiresco; A mãe e|ou o pai vampiresco; X amigx vampiresco; o colega de trabalho; o chefe; o cidadão e a cidadã vampirescos... e o politico vampiresco.
E lembrei de um filme super legal:
São vários pequenos vídeos de vários diretores, em homenagem a Paris... cada um rodado num lugar diferente de Paris... e um deles, de Vincenzo Natali, Quartier de la Madeleine, apresenta de uma forma arrasante, uma cena vampiresca... na forma de amor, o amor que conhecemos, o amor romântico. Procurem no YouTube...
E concluo dizendo que precisamos rever urgentemente nossos conceitos de amor, em todos os níveis de relação. Grande trabalho que não podemos nos furtar, pois esse será um grande legado que deixaremos para as próximas gerações. Deusas e Deuses nos ajudem... Amém...