segunda-feira, 1 de abril de 2024

Do narcisismo para a alteridade: uma construção humana

 

Há muito tempo, na floresta, passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphissos. Era lindo... E muito convencido de sua beleza... E sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito que ele. Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém.

As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se apaixonou por ele. Ela era linda, mas não falava; o máximo que conseguia era repetir as últimas sílabas das palavras que ouvia.

Narciso, fingindo-se de desentendido, perguntou:

– Quem está se escondendo aqui perto de mim?

–… de mim – repetiu a ninfa assustada.

– Vamos, apareça! – ordenou. – Quero ver você!

–… ver você! – repetiu a mesma voz em tom alegre.

Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso brilho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso.

– Dê o fora! – gritou, de repente. – Por acaso pensa que eu nasci para ser um da sua espécie? Sua tola!

– Tola! – repetiu Eco, fugindo de vergonha.


A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito. Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis tomar água.  Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refletido na água. Foi naquele momento que Eros atirou uma flecha direto em seu coração.

Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se apaixonou pela imagem. Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a imagem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais desapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem comer nem beber, ficando cada vez mais fraco. Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as águas serenas do lago. Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio.

Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao despertar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de “narciso”, a flor da noite.


O Mito de Narciso foi escrito pelo poeta romano Ovídio,  como parte integrante da obra “Metamorfoses”, no século VIII d.C.

Interpretações sobre o Mito de Narciso: 

o narcisismo

A excessiva importância dada à imagem de si próprio é a principal característica de Narciso e serve como base para a ideia do narcisismo – termo utilizado em diversas áreas do conhecimento. No campo da psicologia, em especial, o Mito de Narciso ganha destaque; é a partir dele que surge a condição psicológica explorada por Sigmund Freud em Introdução ao narcisismo (1914).

Freud separou o fenômeno em duas instâncias: o narcisismo primário e o narcisismo secundário. No narcisismo primário, a criança  investe toda sua libido em si mesmas. Entretanto, com o passar do tempo, essa libido é dirigida para fora, para outros objetos que não o próprio indivíduo. No narcisismo secundário, após a libido ser projetada para fora, os indivíduos a direcionam de volta para si, o que resulta em adultos deslocados da sociedade, que não possuem capacidade de amar e de ser amados. Ou seja, os transtornos ou perturbações narcísicas.


Lacan também discorreu sobre o narcisismo quando abordou  conceito de estádio do espelho. Trata-se do momento inaugural da formação do eu. Neste momento,  o bebê que ainda não fala vê sua imagem refletida em um espelho.  Surge uma ideia de totalidade, uma ideia de eu sou isso que se torna eu sou eu. Esta ideia é imaginária porque, para se supor “total”, o bebê recalcará “tudo” o que não é, sem o saber. Mas, apenas esta visão no espelho talvez não seria suficiente para o bebê interiorizar esta noção. Então Lacan proporá a necessidade de confirmação por um grande Outro. Esta confirmação seria validar para o bebê que aquilo que o bebê está vendo é ele mesmo. No caso, a ideia de grande Outro representa o ideal de verdade e suposto-saber na percepção do bebê. Este lugar o bebê atribui à mãe, neste momento do reflexo.

Embora Freud e Lacan coloquem o narcisismo como uma etapa da formação do eu, os textos "virtuais" apresentam o narcisismo em seus aspectos patológicos. A seguir  algumas das características comuns de pessoas narcisistas, que podem causar impactos negativos em suas relações interpessoais e na sociedade como um todo. 

Falta de empatia: Pessoas narcisistas geralmente têm dificuldade em se colocar no lugar dos outros e em reconhecer as emoções alheias.

Busca por admiração: Narcisistas frequentemente procuram constante validação e elogios, buscando ser o centro das atenções.

Manipulação: Eles tendem a manipular as pessoas ao seu redor para alcançar seus objetivos, muitas vezes sem se importar com as consequências para os outros.

Arrogância: Narcisistas costumam se considerar superiores aos demais e exibir um comportamento arrogante e presunçoso.

Competitividade extrema: Eles têm uma necessidade constante de se destacar e de ser os melhores em tudo o que fazem.

Falta de responsabilidade: Narcisistas tendem a culpar os outros por seus próprios erros e dificuldades, evitando assumir a responsabilidade por suas ações.

Desprezo pelas regras: Eles muitas vezes se sentem acima das normas sociais e tendem a desrespeitá-las sem pensar nas consequências.

Intolerância à crítica: Narcisistas têm dificuldade em lidar com críticas e reagem de forma exagerada quando confrontados com seus pontos fracos.

Exploração dos outros: Eles podem usar as pessoas ao seu redor para obter vantagens pessoais, sem se importar com o impacto que isso possa ter nos outros.

Senso de superioridade: Narcisistas geralmente se consideram únicos e especiais, acreditando que merecem tratamento especial e privilegiado.

- Para se proteger de um narcisista,  algumas estratégias apresentadas:

Crie distância, para cortar o suprimento narcisista da pessoa:

o    Dedique seu tempo a si mesmo, não às necessidades da pessoa

o    Não se sacrifique pela pessoa e nem deixe que ela obtenha alguma vantagem sobre você, seja qual for a situação

o    Bloqueie o número da pessoa narcisista, se necessário

2.   Reserve um tempo para se recuperar emocionalmente:

o    Recuperar-se do impacto de um narcisista é essencial. Eles gostam de estar no centro das atenções, então reserve o tempo e o espaço necessários para separar esse vínculo.

o    Desabafe sobre seus pensamentos e sentimentos em um diário.

o    Lembre-se de que você não tem culpa pelo abuso que sofreu.

o    Cuide do seu bem-estar e considere fazer terapia.

3.   Assuma sua parcela de responsabilidade pelo conflito:

o    Em vez de confrontar a pessoa, assuma sua parte de responsabilidade.

o    Isso pode pegá-la de surpresa e mudar o rumo da conversa.

4.   Defina limites pessoais:

o    Reconheça os sinais de alerta e estabeleça limites claros.

o    Se necessário, afaste-se do relacionamento.

Lembre-se de que proteger-se de um narcisista envolve cuidar de si mesmo e buscar apoio terapêutico, se necessário.

E assim é descrito o narcisismo nas redes, ou seja, como perturbações do ser... e, relacionalmente, como pessoas a serem evitadas e nos protegermos delas.

O termo foi introduzido na psiquiatria no final do século XIX, por Havelock Ellis. Não há uma causa única de transtorno de personalidade narcisista (NPD). No entanto, os pesquisadores concordam que as causas genéticas e ambientais estão em jogo, começando na infância. NPD pode ocorrer quando, por exemplo, uma pessoa nasce com um temperamento supersensível; aprende o comportamento manipulador; é excessivamente elogiado por bons comportamentos e criticado por maus comportamentos; sofre de abuso ou negligência na infância; é excessivamente mimado, admirado e recebe elogios excessivos em sua aparência ou habilidades.

___________________________________________________

Até aqui um resumo das nossas pesquisas sobre o narcisismo. E começamos a nos encontrar e discutir sobre o assunto a partir dos nosso afetos, nossos incômodos sobre como é tratada essa "característica humana" (como nós pensamos), assim como são tratadas as relações com esses sujeitos.

Inicialmente, dois aspectos nos chamam atenção:

. o primeiro deles, a "patologização", ou seja, coloca-se o narcisismo na categoria de "doença", a ser tratada, portanto... E a indústria farmacêutica está aí para "resolver" tudo (ou "encobrir" tudo...) ; e é assim que aprendemos nas nossas "deformações" superiores, o modelo maniqueísta saúde-doença ainda é vigente nas nossas faculdades.

. segundo -  decorrência do primeiro aspecto -  do ponto de vista relacional, um  jeito de ser - e de pensar "aprendido", próprio da nossa cultura, o jeito   OU/OU, ou eu ou o outro, acreditamos que nos causa grandes transtornos tanto na nossa própria visão quanto na percepção (de mim mesmo e do outro). Trata-se de uma visão limitante do ser humano, que é muito mais dinâmico e em movimento do que esse jeito estático, pronto e acabado do rótulo... tendemos a nos "encaixar" e "encaixar" os outros em padrões e nos relacionar a partir dos padrões - e deixar de enxergar a pessoa, o que "dá mais trabalho"  - porém, ao mesmo tempo,  é o mais gratificante.

A partir desses dois aspectos é que nos propomos a pensar o narcisismo - e a nos pensar e pensar  as nossas relações humanas - não no modelo patológico (ou no raciocínio ou/ou) - e sim tendo como referência a fenomenologia, o estudo da consciência e dos objetos da consciência ... O movimento de volta às coisas mesmas, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como objeto intencional. O método fenomenológico compreende que todos os fenômenos aparecem a partir de uma infinidade de modos possíveis de aparecer, de modo que nunca podem ser esgotados. Por isso, numa abordagem fenomenológica o movimento importante é que se tenha vários "pontos de vista" sobre o mesmo fenômeno.

Fenomenologia (do grego phainesthai — aquilo que se apresenta ou que mostra — e logos explicação, estudo) é uma metodologia ou um modo de pensamento filosófico que retoma a importância dos fenômenos, os quais devem ser estudados em si mesmos — tudo que podemos saber do mundo e de nós próprios resume-se a esses fenômenos, a esses objetos fenomenais que o ser experimenta em sua finitude. Os objetos da Fenomenologia são dados imediatos apreendidos em intuição pura, na nossa lida cotidiana com as coisas. Edmund Husserl (1859-1938) — filósofo, matemático e lógico — é o fundador desse método de investigação filosófica. A Fenomenologia representou uma reação no sentido de superação da metafísica, pretensão de parte dos filósofos e cientistas dos séculos XIX e XX.

Além dessa pesquisa teórica, nos debruçamos sobre os inúmeros vídeos que encontramos na internet sobre o assunto. Todos eles nos apontam o narcisista como uma figura "do mal"... e o outro (no caso, eu - ou nós) como a pessoa "do bem", ingênua e pura, que "descobre" seu envolvimento com aquele "demônio narcisista" e o mal que ele está causando, de maneira tal que devemos desenvolver duras atitudes para "massacrar", punir, até destruir aquele narcisista... e aí nós nos salvamos deles.

E, nessa perplexidade, nos encontramos para conversar, trocar experiências relacionais vividas e analisá-las sob a visão do que temos do senso comum - o que consideramos um desserviço, uma desinformação, distorções que podem gerar grandes transtornos e sofrimentos relacionais - sofrer e/ou fazer sofrer o outro pelas distorções provenientes dos entendimentos de mim mesmo e do outro pelas informações distorcidas, que reforçam o ou/ou, não contribuindo em nada para a "construção humana" da alteridade.

Pois bem, a maioria das informações dos vídeos retratam mães narcisistas - controladoras, autoritárias - que nos causam sofrimento e das quais nós, filhos e filhas,  precisamos nos livrar, precisamos ser durxs com elas, precisamos tomar distância para nos preservar, e por ai vão as  sugestões de solução desse conflito... Vimos até alguns vídeos sobre "mães narcisistas velhas", e como lidar com elas... enfim, nenhum vídeo sobre filhos narcisistas, que sugam as mães até o bagaço... claro, na nossa cultura a culpa, sempre, é da mãe, da mulher... 

Também muitos vídeos sobre como se livrar da relação amorosa narcísica, ora retratando a mulher frágil, sensível, amorosa, ingênuas, sendo vítima do homem narcisista, controlador, sedutor, um Don Juan que a domina; e ora narrando um homem sensível vítima de de uma mulher sedutora e narcisista, que coloca o homem a seus pés... A pessoa que "sofre" com a outra - narcisista - se parece, no mito de Narciso, com a ninfa ECO, aquela que repete, aquele que se submete, aquela frágil...

Percebam o ou/ou, percebam os padrões impostos, o modelo de amor que conhecemos... e tentem caminhar para a análise fenomenológica existencial. Foi isso que tentamos fazer... 


Questionamentos que nos ocorreram, a partir dos vários relatos pessoais nos nossos encontros, relatos de sofrimentos de mães, de filhas, de homens, de mulheres, de pessoas de vários idades ... relatos que nos favoreceram a abertura de conflitos,  o movimento para a superação dialética dos mesmos, assim como a análise desses conflitos no movimento fenomenológico, não no fechamento de "a culpa é...", e sim para o movimento de, diante do cenário, fazer escolhas de vida que, na hipótese positiva - e trabalhosa - vem a ser o diálogo, com a prática da alteridade; e numa hipótese menos positiva, o distanciamento ou a relação no "eu mínimo", conceito bastante interessante que abordamos mais tarde nas nossas conversas...

Aqui colocamos um pouco de poesia na nossa conversa, pois "todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver e relacionar"...

"Não se guarda as palavras, ou você as fala, as escreve, ou elas te sufocam" 
Clarisse Lispector

Voltamos aos nossos questionamentos, perguntas, perplexidades:

. Primeiro, o  narcisismo seria um transtorno de personalidade, uma doença - ou uma maneira de ser, um modo das pessoas existirem no mundo? 

.Colocando o entendimento do narcisismo como um modo de ser no mundo, isso nos traria a possibilidade de nos vermos de uma maneira mais aberta, sem autocensura, apenas pensando sobre as características desse modo de ser que nos fazem sofrer e/ou causam sofrimento ao outro, assim como nas características que eu quero me apropriar delas, na medida certa, pois são características que eu conquistei, construí para mim mesma, como a auto-estima ao ponto, "se sentir merecedora" se colocar no mundo como auto afirmativa.

. E a auto-estima (exacerbada), primeira das característica apontadas  sobre a personalidade narcísica, não seria uma das primeiras aprendizagens (na medida certa) para o movimento no sentido da construção da nossa humanidade? Qual seria o limite entre uma boa auto-estima (se sentir merecedora) e uma auto imagem e um comportamento narcísico (comportamento arrogante, talvez a partir de pressuposto de inferioridade)? Uma de nós concluiu, aqui, que "precisamos de uma dose de narcisismo para sobreviver"... e acrescentou, lembrando G. Rosa: "Viver é perigoso... a mesma coisa que me salva pode me matar".

. Outra característica apontada na descrição da pessoa narcisista seria o exagero da busca de reconhecimento... ora, pensamos que a necessidade de ser reconhecida é inerente ao ser humano. Porém, essa mesma necessidade pode me fazer submeter ao narcisismo do outro, posso me deixar controlar, dominar, pela necessidade de reconhecimento, posso me transformar num fantoche, ser do jeito que o outro quer que eu seja, para ser reconhecido ou reconhecida... E a tomada de consciência dessa submissão pode me levar ao movimento para a liberdade: continuo com o desejo de ser reconhecido(a) - não mais a necessidade - mas meu maior desejo é ser livre... 

Então eu caminho, eu me movimento para me perguntar sobre meus desejos, minhas necessidades, buscar quem me reconhece como sou e não  me "escravizar" emocionalmente... Tivemos relatos de relações abusivas desenvolvidas a partir dessa base da necessidade de ser reconhecido(a), amado(a), estimado(a)... e apontamentos de "saídas" possíveis: deixar o lugar de vítima e caminhar para o lugar de sobrevivente, se empoderar (veja aqui a auto estima na medida certa). Dentro desse tema surgiu também a necessidade de destruir o mito (aquelas falsas verdades que internalizamos e vivenciamos como se fossem absolutas verdades) do sofrimento de "cair em si" -  olhar para nós e ver nossas imperfeições faz parte da nossa humanidade, não somos perfeitas(os) como, quase sempre, somos educados(as) para ... 

E, acreditem, essa percepção é libertadora! caminhamos para nossa humanização... e para a humanização do outro(a)... Trata-se de um movimento de "virar a chave", como disse uma das nossas...

. E, de todos os depoimentos maravilhosos que trocamos sobre o assunto, um deles foi mais tocante:

"Através de reflexão, autoconhecimento e ajuda terapêutica, estou aprendendo a lidar com meu próprio narcisismo e, assim, a lidar com os narcisismos das pessoas que mais amo... Me via, e ainda me vejo, como o recheio de um sanduiche, apertada entre duas relações difíceis, muitas vezes bastante sofridas, a relação com minha mãe e a relação com minha filha. 

Na relação com minha mãe, algumas vezes eu conseguia me comportar "me protegendo" do seu nacisismo. Outras vezes, de alguma forma - muitas vezes até cruel com ela - "combatendo" o seu narcisismo  - como no nosso modelo aprendido - eu reproduzia  a crueldade do controle, o ressentimento pela cobrança que sentia/sinto de ser perfeita para ser amada, a manipulação para receber atenção... e precisei/preciso de muita humildade, de muita introspecção, para perceber meus erros, para perceber a humanidade da minha mãe, para perceber que não vou mudá-la, esse meu desejo de mudá-la vem da minha onipotência narcísica ... 

E foi aí que comecei a perceber minhas reproduções da minha mãe... as mesmas características, o desejo de ser reconhecida pela minha filha, a onipotência, o autoritarismo ... difícil, exige, também, muita humildade ... e ela, minha filha, me ajudou muito, me denunciando, botando o dedo nas feridas... e, nesse movimento em mão dupla, me vi, também, escrava do narcisismo dela... sofri a crueldade da pessoa que entra em onipotência, dona da verdade, que se coloca como  a filha que deve ser DURA com a mãe... faltou o exercício da alteridade, de se considerar e considerar o outro ao mesmo tempo... fomos nos recuando, deixamos de praticar o diálogo nessa perspectiva da alteridade... e ficou triste a relação ... e eu só consegui, até agora, ocupar o espaço que chamo de "mãe mínima", ou melhor, "decidi", a partir dessa leitura de realidade, ocupar esse espaço, ou seja, ocupar um espaço mínimo na sua vida, a fim de me preservar... amigas analisaram a cena como o encontro (ou desencontro) entre duas "pessoas +", duas pessoas auto afirmativas... sim, acredito que a auto afirmação  seja uma conquista na minha vida, não vou abrir mão disso. Provavelmente ela, minha filha, teve muito mais facilidade para construir essa auto afirmação. 

Acredito, confio que virá o tempo do diálogo e da construção da alteridade entre nós duas, mas agora a maturidade para  reconhecer que isso não está sendo possível , me poupa sofrimentos desnecessários, além de acreditar, também, que possamos, com esse "distanciamento", estarmos até mesmo preservando nossa relação... Precisamos "aguentar" isso, enfim ..."


Todos e todas nós ficamos emocionadxs com esse depoimento... e aprendemos muito: algumas "saídas" possíveis para o narcisismo, o nosso e do(s) outro(s):

. O auto conhecimento, superar nosso medo, nossa vergonha, de descobrir/analisar nosso próprio narcisismo... é o primeiro passo para ver e saber lidar com o narcisismo do outro, caminhando para a construção da alteridade. Sair da posição de auto condenação e/ou da condenação do outro, a posição OU/OU; 

. Tirar o narcisismo do discurso patológico e trazer para a compreensão fenomenológica existencial;

. Tentar encontrar uma forma de convidar o outro ao diálogo, ao exercício da alteridade... na medida da possibilidade, considerando seus próprios limites e os limites do outro... além de considerar que esse exercício não é estático, vai acontecendo ao longo da relação. Limites e possibilidades andam juntos, devo considerar os limites, porém, ao focar as possibilidades me movimento para a construção...

. Eventualmente, tomar distância auto protetora, assim como considerar a necessidade do outro, que pode ser também de distância. 

. Enfim, pensar no narcisismo natural ou estruturante... assim como no possível narcisismo patológico, no nosso entendimento, relativamente raro e não banalizado como mostram a maioria dos vídeos que aparecem na internet e nos prestam um desserviço, a desinformação... E  nos levam, quase sempre, à conclusão (errônea mas com consequências tristes) que somos "os santos" e o outro é "o mal".

Com essas reflexões chegamos também à consideração do narcisismo 'culturalmente fabricado", qual seja, o reforço  na nossa cultural do superficial, do artificialismo, e o culto à imagem, o imediatismo, todas características que reforçam o narcisismo, as relações superficiais, o amor líquido, até mesmo a evitação do movimento de alteridade.

E chegamos às leituras a seguir, dois excelentes livros de Christopher Lasch:




Nesta análise clássica e visionária publicada originalmente em 1979, o historiador Christopher Lasch parte do conceito psicanalítico de narcisismo para destrinchar a relação entre indivíduo e sociedade, sintetizando o que rege os tempos contemporâneos.

Segundo o diagnóstico de Lasch, os indivíduos perderam o vínculo entre si, fosse ele o pertencimento à família tradicional ou a grupos políticos e movimentos sociais, para dedicar-se cada vez mais ao próprio bem-estar. A cultura do narcisismo parte da origem do movimento de autoconsciência e autocuidado nos anos 1970, passa pela ética protestante, que persegue o sucesso profissional e celebra a figura do self-made man, até chegar em discussões que só se intensificaram nas últimas décadas, como a da responsabilidade pela educação dos cidadãos; a degradação do espírito esportivo, que deu lugar ao culto a atletas celebridades; a fuga de sentimentos e vínculos afetivos e a teatralização da política. Ao circundar essas esferas sociais, Lasch mostra que a personalidade narcísica corrói a possibilidade de um presente satisfatório e gera uma visão desesperançosa do futuro. O autor propõe ainda uma reflexão surpreendentemente atual sobre o consumo desenfreado de imagens; o culto à personalidade; a preocupação exacerbada com o autocuidado e a saúde mental; e sobre o modo como tais características ― próprias de um individualismo competitivo e angustiante ― não têm colaborado para a construção de uma sociedade mais saudável. Pelo contrário, Lasch mostra como a ideia de que o mundo deve espelhar as ânsias do sujeito para que este esteja satisfeito é vacilante e deságua na “era de expectativas decrescentes”. 


Diferentemente da Cultura do Narcisismo, que é a reunião de artigos escritos em tempos distintos, embora com temas que se correlacionam, O Mínimo eu foi estruturado como um estudo mais aprofundado. Todavia, mantém um tom ensaístico, denso mas acessível, com a prosa elegante de Christopher Lasch evitando o recurso ao jargão acadêmico mais esotérico.

Publicado originalmente em 1984,  O Mínimo eu procura clarear e aprofundar pontos que ficaram obscuros e subentendidos no livro “A cultura do narcisismo” de 1979.
Aqui, Lasch acentua sua confiança na psicanálise como veículo de análise da contemporaneidade. 

Nas palavras do autor, a tese de seu livro pode ser resumida assim:

“Em uma época carregada de problemas, a vida cotidiana passa a ser um exercício de sobrevivência. Vive-se um dia de cada vez. Raramente se olha para trás, por medo de sucumbir a uma debilitante nostalgia; e quando se olha para frente, é para ver como se garantir contra os desastres que todos aguardam. Em tais condições, a individualidade transforma-se numa espécie de bem de luxo, fora de lugar em uma era de iminente austeridade. A individualidade supõe uma história pessoal, amigos, família, um sentido de situação. Sob assédio, o eu se contrai num núcleo defensivo, em guarda diante da adversidade. O equilíbrio emocional exige um eu mínimo, não o eu soberano do passado.(…) a preocupação com o indivíduo, tão característica de nossa época, assume a forma de uma preocupação com a sobrevivência psíquica. Perdeu-se a confiança no futuro. (…) O risco de desintegração individual estimula um sentido de individualidade que não é 'soberano' ou 'narcisista', mas simplesmente sitiado” 2


Esta “mentalidade de sobrevivência” manifesta-se em produtos da indústria cultural, da psicologia banalizada de jornais, rádios e programas televisivos (e hoje, na internet), manuais de auto ajuda, reportagens e análises sociais, na literatura (notadamente a ficção científica). Possui um lado pertinente, como que uma antena ligada, captando os problemas do mundo. Todavia ela acaba atestando um descrédito da política e do ideal de bem comum, valores universais e cooperação. Assim as mobilizações contra os armamentos nucleares e pelo meio ambiente podem ocasionar efeitos contrários aos pretendidos, acentuando o encasulamento na mentalidade sobrevivencialista. Essa configuração social e psíquica tem ressonâncias no mundo do trabalho, nas relações familiares, de amizade e afetivo-sexuais. 

Conversamos sobre o conceito de eu mínimo, interpretando-o à maneira "Rosiniana" - do nosso grande G.Rosa, "tudo que me salva pode me matar", e entendendo a posição daquela depoente como "o possível" para o momento vivido - e o saudável no sentido de auto preservação e preservação do outro (a filha) e, principalmente, provisório, inserido num movimento para a prática de alteridade a ser buscada, construída, enfim, o que vale a pena - humanamente -  de ser vivido: a experiência humana, essencialmente humana, de crescer com o outro e vice versa...

Com essa leitura e o movimento de ampliação de visão encerramos nosso debates sobre assunto tão importante e que nos acrescentou por demais.

Sorte nossa termos no SBC pessoas tão interessadas no seu crescimento e evolução para o humano e para a alteridade.

Até nosso próximo debate.

E quem tiver considerações, ilustrações, perguntas, o que for, coloquem aqui nos comentários ou nos chame no privado.

Abraços carinhosos...



terça-feira, 19 de março de 2024

Ainda a tempo: nosso 8M em BH



Nos concentramos das 17 às 19 horas do dia 8 de março 2024 na praça Raul Soares. Foram chegando coletivos de mulheres, como as Indômitas, que vieram da Praça da Liberdade, entre outros. As 19 horas começamos nossa caminhada até a praça sete, centro de Belo Horizonte. 


No ônibus, descendo para o evento, já praticamos nosso conceito SBCense de bem viver: conhecer pessoas, fazer amigxs, crescer com a experiência do outro e oferecer nossa experiência... enfim, partilhar: no que a gente vê a pessoa linda,  com a camisa do 8M, já começamos a conversar sobre Rosa Luxemburgo, muito bem escolhida sua frase para nossa camisa neste ano:

E fomos conversando como se nos conhecêssemos há anos, até nos encontrarmos com nossas turmas no evento, compartilhar amizades e continuar nossa caminhada...



Nos concentramos das 17 às 19 horas do dia 8 de março 2024 na praça Raul Soares. Foram chegando coletivos de mulheres, como as Indômitas, que vieram da Praça da Liberdade, entre outros. As 19 horas começamos nossa caminhada até a praça sete, centro de Belo Horizonte. 

Fomos nos juntando... e, na nossa percepção, neste ano ainda foi mais visível - e mais bonita - a diversidade: a gente via mulheres pretas, brancas, pardas... mulheres indígenas, quilombolas,  todas com seus lugares de fala, todas se manifestando com energia, com alegria, com força... mulheres de perna de pau e mulheres em cadeira de rodas ...  mulheres de todas as idades, desde as de colo até as velhinhas, com todo vigor e alegria... sim, não pensamos que seja um dia de comemoração... mas, sim, um dia de reafirmarmos nossa lutas pela igualdade de direitos entre todas, todos e todes nós...

E esta, entre outras sobre visão de mundo, foi a pauta da nossa conversa SBCence posterior ao evento, um novo "evento de buteco" onde a gente conversa até "espumar o canto da boca", como diz uma das nossas...

Qual seja, a pauta MULHERES VELHAS... recebemos durante a manifestação, o adesivo acima, da nossa querida Cida Falabella -  atriz, diretora teatral, professora e nossa vereadora... e exibe, com orgulho, sua cabeleira branca - o que gerou polêmica entre as mulheres: 
- Detestei "mulheres velhas"... não gosto de ser chamada de velha!
- Eu achei ótimo! Leia tudo: Mulheres velhas PODEM!!!
- Sim! Não penso minha mãe como IDOSA, sim como uma velhinha modelo do que eu quero ser mais tarde na minha vida...
- Eu costumo brincar que idade é que nem chifre: uma coisa que "botaram na sua cabeça", se você "recebe" fica com o chifre... se não, fica livre... pra ser quem você quer ser...
- Verdade... eu não tenho a percepção da minha idade, não me sinto com a idade que tenho! às vezes sofro etarismo, percebo que as pessoas estão me tratando com preconceito em relação à minha idade... às vezes fico triste, puta... e outras vezes tento não me deixar afetar pelo preconceito, ele existe mas torna-se problema do(a) outro(a), não meu... o que posso fazer é "seguir em frente"... afinal, enquanto mulher, já sofremos diariamente, inúmeros preconceitos... e penso que nossa atitude é vencermos os preconceitos e continuarmos lutando por nosso direitos... por igualdade, enfim... e, com isso, estamos lutando por um mundo melhor e mais bonito...

Só me restou lembrar que já escrevemos sobre isso, vejam nosso post de 30 de maio de 2023:


Relemos e apreciamos todo o texto, os depoimentos... são ótimos!

E terminamos rindo da gente, pois é a melhor maneira de desoxidar talentos, principalmente o talento para bem viver e bem relacionar... que, afinal, é o talento que considero que adquirimos com experiência de vida, ou seja, com a idade...

E, com a idade, a gente diminui um pouco os sentidos, principalmente visão e audição... e apura outros, o riso, o foco no essencial da vida ... ai trocamos algumas confusões de audição:

-  Aí eu botei no meu machucado  sulfa diazina de prata, e foi ótimo ...  
- Minina! não sabia que era bom pra machucado suco de asinha de pata!!!

- E no carnaval, muitas manifestações anti sionistas... 
- Hein? anti Dionísio? como,  se Dionísio é o deus das festas, do prazer!!! super combina com o carnaval!!!

E nosso final de reunião foi com arte:
Elza Soares: Deus há de ser...



E com a comemoração da diversidade, nossa maior riqueza. 

E ainda lembramos Anna Magnani, famosa atriz italiana do século passado, que dizia:

MARAVILHOSA!!! nos representa...



Abraços carinhosos...



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

O ESPÍRITO DE CARNAVAL


Foto significativa do nosso carnaval em Belo Horizonte, marcado pela alegria misturada com consciência política e visão de mundo, a maioria dos blocos manifestando apoio à Palestina e contra o genocídio que está acontecendo naquela região... O SBC, com o tema FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA, se manifestou na abertura do cortejo do bloco, com o poema da nossa querida Conceição.

Fotos do desfile do SBC, todo ano rodeando o quarteirão e passando pela casa das senhorinhas lindas, que aguardam ansiosas nossa parada por lá, além da alegria da concentração e da dispersão, estão no Instagram:

@sambabobagemcerveja

Vejam as fotos e acompanhem nosso insta...

Além de absorvermos o "espírito do carnaval", para nós uma manifestação política por excelência... política em todos os níveis de relação, como diz muito assertivamente nosso principal slogan:

AMOR E POLÍTICA, NA CAMA E NO MUNDO... acrescentamos ALEGRIA...NA CAMA E NA VIDA...

Outras duas características marcantes no nosso carnaval:

descentralizado e democrático - blocos não somente no centro mas por toda a cidade, todos os bairros e periferia era bloquinho pipocando, com a participação da comunidade local - e bloquinho, o diminuitivo, aqui, significa para nós um tratamento afetivo, são lindos os bloquinhos, uma alegria pura, realmente "O ESPIRITO DO CARNAVAL";


e  ampliado - praticamente todo o mês de fevereiro, desde o início do mesmo com os bloquinhos pré-carnavalescos como o excelente MAMÁ NA VACA, até os pós quarta feira, como o TOCA RAUL, na Avenida Olegário Maciel, centrão de BH, bar do Xaxá, no sábado pós carnaval... e o FILHOS DE CLARA, no domingo, linda homenagem a Clara Nunes, no bairro Renascença, onde ela trabalhava, numa fábrica de tecidos.

Para quem ainda tem dúvida sobre o carnaval como uma grande festa política, democrática, onde ocorre a manifestação mais autêntica e significativa sobre nossa arte e nossa cultura, fizemos um breve percurso pelo Brasil e o Carnaval 24:

No Rio a Portela levou para a Avenida o enredo "Um defeito de cor", baseado no romance da escritora Ana Maria Gonçalves, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe Preta Luiza Mahim, e ficou em quinto lugar. No entanto, o livro foi reeditado e já está esgotado.


Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.

E a campeã do Grupo Especial foi a Viradouro, com o enredo "Arroboboi, Dangbé", exaltando a força da mulher negra e abordando o culto às serpentes na tradição africana, assim como ressignificando o conceito de vodum.  Enredo inspirado na obra de Moacir Maia e Aldair Rodrigues, historiadores mineiros.

O livro conta a história de mulheres africanas, que foram arrancadas de suas terras, no Golfo do Benin, obrigadas a cruzar o Atlântico e escravizadas em Minas Gerais. Em território mineiro, elas mantiveram o cultos aos voduns, as divindades dos povos jejes. Na religião vodum, essas entidades conectam os vivos ao "mundo invisível" dos ancestrais.

Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário: mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII) reúne transcrições de documentos inéditos sobre a vida e as crenças de mulheres africanas perseguidas no Brasil por forças militares e pela Inquisição.

Essas mulheres pertenciam a grupos étnicos que habitavam a região da África ocidental chamada pelos portugueses de Costa da Mina. Escravizadas e trazidas para o Brasil, algumas se tornaram lideranças de comunidades negras na posição de sacerdotisas voduns (vodúnsis), ao mesmo tempo que exerciam cargos de juízas e rainhas da irmandade católica de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos — a principal confraria negra mineira.

Os manuscritos dos processos contra as sacerdotisas foram localizados em Portugal no Arquivo da Torre do Tombo, entre os códices do Tribunal da Inquisição de Lisboa. O primeiro, de 1747, descreve um complexo culto em Paracatu (mg) dedicado ao “Deus da Terra de Courá”. O segundo e o terceiro referem-se a Ângela Gomes, “mestra” de práticas rituais africanas na comarca de Ouro Preto, coroada como rainha do Rosário. O quarto, datado de 1759, oferece detalhes sobre as práticas de Teresa Rodrigues e Manoel mina na comarca de Sabará.

Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário inclui também papéis preservados nos arquivos históricos de Minas Gerais. Embora registrados por agentes do Império português, os depoimentos reproduzidos nos processos desvelam a multiplicidade de vozes e das trajetórias de vida das mulheres africanas, evidenciando a ideologia e a violência do racismo religioso.

Já em São Paulo, com uma homenagem ao Brasil imaginado por Mário de Andrade, a escola de samba Mocidade Alegre foi a vencedora. Em 1922 ocorreu o movimento modernista liderado por Mário, porém foi em 1924 que o mesmo percorreu o pais "divulgando" o movimento.

“O ano de 2024 marca o centenário do início da histórica viagem que o poeta fez pelo Brasil profundo, em busca de compor a colcha de retalhos que forma a nossa identidade cultural nacional. Nosso desfile se propõe a abrir o diário de viagem do ‘Turista Aprendiz’ e percorrer com ele os passos de sua expedição. Junto com Mário, descortinar a riqueza de nossa arte, nosso território e nossa gente”, explicou o carnavalesco Jorge Silveira. 

E a Escola de Samba Vai-Vai apresentou um enredo que retratava policiais como demônios. A escola de samba do Bixiga causou polêmica ao comparar policiais a demônios na ala "Sobrevivendo ao Inferno". Os integrantes do "Batalhão de Choque" usavam capacetes com chifres e asas vermelho-alaranjadas. Para parte da classe política e membros das Polícias Civil e Militar, as alegorias desqualificaram os agentes da Segurança Pública. A escola Vai-Vai, conhecida por sua tradição no Carnaval, provocou discussões sobre a representação e crítica social em suas apresentações. Ficou em oitavo lugar.

No Recife o Carnaval mais parecido com o nosso... blocos por toda a cidade, toda hora, dia e noite, nos quatro dias de carnaval, que estão se estendendo para antes do sábado e depois da terça... delícia...

Em Salvador o bafão da Baby com a Ivete... melhor ir macetando, macetando... e parar de misturar o Deus cristão que a gente conhece mais, pois faz parte da história de dominação do nosso povo, do nosso país, um deus punitivo, autoritário, machista ...

Pois numa tarde do carnaval em BH, depois de um bloquinho no centro caminhamos em direção a Rua Sapucaí, atravessando o viaduto Santa Tereza, a fim de curtir outros bloquinhos por lá. Na travessia do viaduto rapazes e moças, adolescentes, estavam distribuindo panfletos do Deus autoritário e ameaçador, o que nos levou aos altos papos SBCenses...

E aprendemos que deus é uma ideia... e, quem sabe, poderíamos  incorporar a ideia do Deus de Spinosa, que é o que se parece com o deus do Carnaval... o deus dentro de nós, a alegria, o amor à vida, às pessoas...


Baruch Spinoza, também conhecido como Benedito Espinoza, foi um filósofo racionalista holandês, considerado um dos mais importantes da filosofia moderna. Nascido em Amsterdã, Holanda, em 1632, Spinoza morreu com 44 anos, vitima de tuberculose mas seu legado continua a influenciar a filosofia e o pensamento crítico.
  • “Quem vive dirigido pela razão, se esforça, tanto quanto pode, por compensar pelo amor e pela generosidade, o ódio, o desprezo que tem outrem por ele.”

Além de seu racionalismo religioso radical, Spinoza defendeu o liberalismo político. Também ficou conhecido por sua ideia de analisar a natureza como sendo Deus.

  • “As coisas nos parecem absurdas ou más porque delas só temos um conhecimento parcial e estamos na completa ignorância da ordem e da coerência da natureza como um todo.”

Para Spinoza o que os seres humanos pensam reflete diretamente na sua maneira de viver. Na obra Tratado Teológico-Político (1670)  o filósofo trata do tema das superstições relacionadas com Deus, tentando provar a natureza racional de Deus, donde este seria o próprio Universo.

  • “Tenho evitado cuidadosamente rir-me dos atos humanos, ou desprezá-los; o que tenho feito é tratar de compreendê-los.”

Spinoza era descendente de judeus de origem portuguesa. Suas ideias e teorias tiveram grande impacto na filosofia e na compreensão do mundo.

Aprofundou suas pesquisas nas áreas da teologia, línguas, filosofia e política. No entanto, suas ideias, consideradas ateístas, resultaram na excomungação de Spinoza em 27 de julho de 1656 pela comunidade judaica de Amsterdã, da qual fazia parte.

Diante disso, resolveu abandonar Amsterdã, passando a viver em diversos locais na Holanda: Rijnsburg, Voorburg, Haia, Leyden e Utrecht.

Ao ser excluído da comunidade judaica e vivendo em outros lugares, Spinoza teve que ganhar dinheiro, o que o levou a trabalhar no comércio e na área da pintura, ministrando aulas de desenho durante um tempo.

Embora tenha sido convidado para ser professor da Universidade de Heidelberg, Spinoza preferiu estudar e escrever sobre suas teorias e pensamentos.

  • “A paixão sem a razão é cega, a razão sem a paixão é inativa.”
De acordo com Spinoza, Deus era sinônimo de natureza, o qual estaria refletido na harmonia e na existência de todas as coisas. Ou seja, ele acreditava num Deus transcendental e imanente.
Segundo ele, que estudou profundamente os textos bíblicos (Bíblia Sagrada e Talmud), aponta que as obras religiosas eram interpretações humanas sem fundamentação racional.
Criticou também os dogmas rígidos e a ostentação da Igreja. Por esse motivo, ele foi excomungado da Sinagoga Judaica.
Sendo assim, criticou diversos tipos de superstições (religiosa, política e filosófica) que para ele eram geradas pela imaginação. Nas palavras do Filósofo: “A mente humana é parte do intelecto infinito de Deus.”
  • “Os homens enganam-se quando se acreditam livres; essa opinião consiste apenas em que eles estão conscientes das suas ações e ignorantes relativamente às causas pelas quais são determinadas.”
Embora não tenha publicado sua obra mais famosa,  “Ética”, em vida, ela foi publicada postumamente, em 1677.
Nela, Spinoza abordou temas como superstições relacionadas a Deus e a natureza racional do Universo.
Ele enfatizou que o que os seres humanos pensam afeta diretamente sua maneira de viver.
  • "A sabedoria do homem livre  é uma meditação não sobre a morte, mas sobre a vida.”
Portanto, encerrando o carnaval 2024 com Spinosa, O Deus dentro de cada um de nós, nosso Deus,  deseja nossa alegria, nosso bem viver, nosso bem viver com os outros, nossa construção de um mundo mais bonito, mais participativo  mais distributivo, onde nenhum ser humano passe fome ou morra por nenhuma guerra...

Amém... Assim seja... lutemos por isso, em todos nos níveis de relação...


E mesmo na segunda, pós pós carnaval, ainda estávamos tomando nosso café da manhã como na foto acima...



E até nosso próximo carnaval... melhor, até nossos próximos projetos SBCenses...

SantuzaTU



sábado, 10 de fevereiro de 2024

PRÉ CARNAVAL: AMOR, POLÍTICA... E ARTE E POESIA

 


Para além de AMOR E POLÍTICA, o carnaval é arte... e poesia... e música...

Na quinta feira dia 8 fevereiro estávamos no pré carnaval de Ouro Preto, no Bloco VERMELHO E BRANCO, tradicional da cidade, perto da igreja do Rosário. 

Descemos do Velloso, eu e Duca,  com o "Angelo Oswaldo pinóquio", desde ano passado já acontecia esse protesto contra a Saneouro, trata-se da privatização da água na cidade, com aumentos exorbitantes nas contas, olha o Duca, seríssimo,  segurando sua conta enorme... e,  atrás da "placa" : FORA SANEOURO... Pelo caminho encontrávamos adesões ao protesto... 

Dois fatos marcantes: com a placa já encostada numa janela em frente a sede do Vermelho e Branco, recebemos a "intervenção" de um raivoso folião, dizendo que tínhamos que tirar a placa dali, que não podia "manifestação política", pois o carnaval era patrocinado!!! O Duca respondeu: A rua é pública! As manifestações são livres! O cara saiu meio que rosnando...  Daí a pouco a cantora gritou: Cadê o FORA SANEOURO? E o Duca, imediatamente, levantou a placa, e dançava mostrando os dois lados da mesma, e todo mundo gritava: FORA SANEOURO!!!  

Foi muito potente! Como Carnaval não é política? "TUDO é politica, inclusive sua postura disfarçada de alienação..."


Em Ouro Preto a Banda leva o Bloco... Entendendo: banda é diferente de bateria, por ter muitos instrumentos de sopro; já a bateria é muita percussão... mas junta tudo... e fica lindo!!!


O desfile da banda é mais tarde, depois do show da cantora linda, super posicionada politicamente. 
As músicas: Sertanejo, POP... vamos aprendendo, ouvindo as letras, conteúdo bem picante, ajuda a gente  a tratar sexo de uma maneira menos romântica, mais humana, mais legal até, mais libertadora para as mulheres... assim como, às vezes,  banaliza, escracha de um jeito meio feio... as duas coisas, a gente é que tem que joeirar, separar o joio do trigo...  E tem, também, as músicas empoderadoras das mulheres, libertárias...  Safadão, Ivete, entre outras... alguns trechos (mais ou menos...) :
- Você diz que sou seu passa tempo... eu passo a mão, passo a boca, passo a lingua... 
- Macetando, macetando, de ladinho, coraçãozinho, manda beijinhos pra quem tá filmando... cheirosas, gostosas, elas chegando na cena, são todas poderosas, viciadas em problema... 
- Tem gente que senta pra beber... nóis bebe pra sentar... kkk

E a Lelé, romântica, me "aplicou" a Manu Batidão, uma "sucessora" da Marília Mendonça, com a Simone Mendes, elas cantam:

Eu e você contra o mundo

Eu enfrento tudo se tiver você

E olha onde a gente chegou

Tudo que a gente conquistou

Daqui pra sempre é só eu e tu

Calando a boca do mundo

Eu te amo até o fim dos tempos...

Tem gosto pra tudo, desde o sexo escrachado até o amor romântico...

E daí a pouco a Lelé sai dançando feliz e carregando o "fora saneouro" e chama o JR... e o JR faz aquela "cara de marido"... não aguentei e cantei pra ele o Chico. Acho que ele entendeu, pois deu um sorrisão, me pegou pela mão e fomos dançando também, que nem a Lelé...


E, na mesma noite, com grande alegria recebo poema da nossa querida SBCense Conceição,  inspirada pelo nosso tema deste ano:

FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA!


"Grito pela vida"

Poesia de

Maria da Conceição Martins - BH


Grito pela vida,

Grito pela igualdade, pela

irmandade!

Grito e imploro pela

fraternidade!


Grito pela tolerância, pela

anti ganância!


Grito pelos excluídos, 

Pelos pisoteados e

Mortos por seus líderes!


Grito, com autofalantes,

em defesa da criança,

Presa em seu lar,

Incapaz de fugir do

agressor, seu opressor!


Grito pela AÇÃO

Quando o assunto é

Aquecimento global!

Por mais fé, saúde, justiça

social!


Grito pela não violência,

Por mais consciência

E em defesa a ciência!


Grito por mais amor!

Por paz na terra!

Grito contra todo tipo de

guerra.

Contra o genocídio,

feminicídio ...

Grito pelo anti racismo!


Grito, porque grito!

E lanço meus "berros" ao

infinito!


O SBC agradece imensamente a nossa querida Conceição... falaremos seu poema na terça, no nosso desfile, com certeza... 

Então... até terça!!! esperamos vocês lá...




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Preparando nosso carnaval

 


Primeiro a nossa querida Si fez o card virtual pra nós... Estamos divulgando...

Depois fizemos oficina de confecção de "lembranças de carnaval"... em vez de confete e serpentina que suja muito, o SBC é ecológico, distribuiremos laços e flores de tecidos junto com corações... simbolizando nosso tema:

                                        FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA


Ai as queridas SBCenses Iza e Simone se prontificaram a confeccionar nosso estandarte... tá ficando lindo! grandes artistas! 








E a nossa grande SBCence Antonieta nos encaminha texto para nos posicionar a respeito do tema e nos dizer sobre o apoio e solidariedade do nosso bloco à questão palestina, nos juntando a muitos outros blocos realizando esse movimento:

O SBC é um bloco diverso, democrático, inclusivo e usa da alegria para fazer política.

Todos os anos escolhemos "temas" e levamos para a folia como uma forma de reflexão.

Este ano o nosso "tema" é :" FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA ". Um grito contra todas as guerras.
Em especial, contra o genocídio do Povo Palestino.

Nos uniremos às dezenas de bloco de BH para falarmos de PAZ e lutar por uma PALESTINA LIVRE E SOBERANA.
Esperamos vocês!
Sim!!! Pois, para nós do SBC carnaval é, essencialmente, AMOR E POLÍTICA!
E AMOR E POLITICA nós fazemos em todos os níveis de relação, como diz nosso slogan:

AMOR E POLITICA, FAZEMOS NA CAMA E NO MUNDO!

Este é um dos conceitos fundamentais do SBC, mais que um grupo de amigos que realiza projetos sócio culturais, é um conceito de BEM VIVER...

Então nosso querido SBCense Aníbal manda um vídeo "a nossa cara"... Trata-se de texto de Luiz Antônio Simas, aqui transcrito:

"O CARNAVAL NÃO É FESTA DE ALIENAÇÃO"

NUM MUNDO CADA VEZ MAIS INDIVIDUALISTA, O CARNAVAL ASSUSTA...

PORQUE AFRONTA A DECADÊNCIA DA VIDA EM GRUPO,

REAVIVA LAÇOS CONTRÁRIOS À DIMINUIÇÃO COMUNITÁRIA,

FORTALECE PERTENCIMENTOS E SOCIABILIDADES,

E CRIA REDES DE PROTEÇÃO SOCIAL, NAS FRESTAS DO DESENCANTO...

A FESTA É COISA DE DESOCUPADOS?

FALE ISSO PARA TRATALHADORAS E TRABALHADORES DA FOLIA!!!

O CARNAVAL É TAMBÉM,  PARA MUITA GENTE,  TRATADA COMO SOBREVIVENTE, ALTERNATIVA DE SOBREVIVÊNCIA MATERIAL, AFETIVA E ESPIRITUAL...

O BRASIL NÃO INVENTOU O CARNAVAL, É CERTO...

MAS O POVO DO BRASIL VIVENCIOU DE TAL FORMA O CARNAVAL, NA PLURALIDADE DE SUAS MANIFESTAÇÕES, QUE OCORREU O INVERSO:

FOI O CARNAVAL QUE INVENTOU UM PAÍS POSSÍVEL E ORIGINAL, ÀS MARGENS DO PROJETO DE HORROR, QUE HISTORICAMENTE NOS CONSTITUIU.

É PERTURBARDOR PARA CERTO BRASIL, INDIVIDUALISTA, EXCLUDENTE,  SISUDO, INIMIGO DAS DIVERSIDADES,TRANCAFIADO, LIDAR COM UMA FESTA COLETIVA, INCLUSIVA, ALEGRE, DIVERSA E RUEIRA. 

TENSO E INTENSO, COMO LÂMINA E FLOR...

O CARNAVAL ASSUSTA, PORQUE NOS COLOCA DIANTE DO ASSOMBRO DA VIDA...

Por inteiro, um conceito SBCense... de carnaval e da vida...

O SBC agradece a todas e todos os participantes do nosso Carnaval 2024 até agora...

E convida todas todos e todes para nossa festa... na terça feira gorda... até lá... 

Por último, única recomendação SBCense:

Ainda estamos enxergando um sapo... 👀

Abraços carinhosos








quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

De "privatização" para "visão de mundo"


 Pois não é que nossa conversa continuou! Do assunto "privatização" caminhamos para a ampliação no sentido do que chamamos de "visão de mundo"...

A Rita começou perguntando, pois perguntar nos orienta, uma cabeça que não pergunta é uma cabeça fechada em certezas, autoritária... e a busca de respostas suscitam novas perguntas e, assim, vamos "ampliando nosso globo pensante", como diz o Duca:

- Porque a comunicação da direita é mais fácil do que a comunicação da esquerda? Já criticando os termos "direita" e "esquerda"...

"Desde o turbulento evento denominado Revolução Francesa (1789-1815), o qual, de acordo com alguns historiadores, inaugurou a Idade Contemporânea, os conceitos de direita e esquerda fazem-se presentes nos debates políticos e ideológicos, sobretudo no mundo ocidental."

Essa polarização tem suscitado inúmeros problemas e demasiadas polêmicas, sobretudo porque, a partir do século XIX, houve uma radicalização ideológica tanto de um lado quanto do outro.

E nós nos perguntamos: a quem mais interessa a polarização? - nós, de "esquerda" queremos a superação!



Pior ainda, no nosso entendimento, seria o uso do termo "progressista" para nós, da "esquerda"... afinal, que progresso queremos? nenhum! queremos que se escancarem as contradições desse sistema ... e que possamos construir um mundo mais justo, mais distributivo, mais bonito, enfim...

Mas, na nossa conversa, na carência de outro termo, voltamos à pergunta da Rita:

- A direita comunica sobre as ideias dominantes, o senso comum é da direita. Por isso a comunicação é mais simples, mas acessível, mais direta... Ou seja, as ideias dominantes são as ideias da classe dominante. Daí que se comunicar   à esquerda claro que dá mais trabalho!

Mas... o que fazer, então? como nós, da esquerda, podemos nos comunicar de maneira mais eficaz?

Marilena de Souza Chauí, (1941 - hoje com 82 anos) escritora, considerada uma das filósofas mais importantes do Brasil e uma das mais influentes intelectuais do país, com vasta e reconhecida obra... Professora emérita de História da Filosofia Moderna na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.


- Um dos livros que mais "ampliou meu globo pensante": O que é ideologia, da Coleção Primeiros passos, livro de bolso escrito de maneira simples e acessível...

Marilena fala de quatro movimentos que nos ajudam a melhorar a nossa comunicação... e conversamos sobre esses movimentos:

1. desmontar o senso comum... Por exemplo:  - "Eu acredito em Deus"...  - Mas, qual Deus, não temos várias "ideias" de Deus, construídas em épocas históricas várias, assim como civilizações diferentes constroem ideias de Deus diferentes? ; outro exemplo:  - "A família é a coisa mais importante..." -  Mas, qual família? essa onde crianças, mulheres e idosos, pessoas mais vulneráveis,  são violentadas?... e por aí vai...

2. desmontar a aparência da realidade, sobre a qual está construída a comunicação da direita, a comunicação simples e direta, fechada em "verdades" não questionáveis, ou seja, as "ideias dominantes";

3. explicitar os fundamentos do senso comum, e o que tem de invisível operando por traz deles. Ora, o que existe é uma "disputa material" na sociedade... Você acha, por exemplo, que a Justiça é para todos? ela é igual para um branco e um negro periférico aqui no nosso país? A resposta é NÃO, e os exemplos são diários, inúmeros, é só fazer o exercício de sair da sua bolha...

4. Por último, o movimento de transformar o ouvinte, o seu interlocutor,  em agente, em sujeito - ou seja, fazer com que o movimento de transformação da visão de mundo se transforme em ação, em desejo de transformar o mundo, desde o "pequeno mundo" ao seu redor... 

E Rita, voltando à conversa, diz: 

- Quando o povo entende uma ideia transformadora, isso leva à ação. Trata-se da "força material"... Então, quando a gente desmonta o sendo comum, mostra que aparência não é essência, mostra o que está por traz do discurso do senso comum e mostra que o mundo muda quando você se juntar a pessoas do seu lado, ao seu redor,  a gente conseguiu produzir "COMUNICAÇÃO DE ESQUERDA"... E AÇÃO TRANSFORMADORA... 

Afinal, o que queremos é caminhar para um mundo mais distributivo, mais justo e mais bonito... em todos os níveis de relação... Para isso é preciso criticar o sistema em que vivemos, um sistema cruel, que prevê o lucro para poucos e a miséria para muitos, um sistema que produz ilusões de consumo... que produz "miséria humana" em todos os sentidos, numa lógica perversa e excludente. 

Temos "pronto" um "novo sistema", que substitua este? Claro que não, se fosse assim esse novo sistema seria imposto e autoritário... Mas o que precisamos fazer é ir abrindo essas contradições e ir construindo alternativas possíveis... 

Encontrar formas de dizer NÂO e esse sistema, em pequenas ações, é imprescindível...  conversar é imprescindível... abrir contradições é imprescindível! E vamos caminhando, tudo é movimento...


Até nossa próxima conversa, abraços carinhosos...