terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Feminismo no SBC



O (HOSPÍCIO) está cada vez mais interessante, a decoração, a iluminação... nosso 
querido "proprietário do estabelecimento" LOH está soltando a sua criatividade. 
Logo que chegamos me deparo com um lustre super rústico, elaborado pela própria 
pessoa!!! bárbaro!!! (gíria da época dele, que designa uma coisa muito legal).
Não sei se contei ainda para vocês: a "geladeira" do local é surreal: uma
banheira de louça branca, daquela que se usavam em 1930, por aí, segundo a lenda
trata-se de uma banheira importada dos EUA, era onde a Marilyn Monroe (SBCense
famosa, está na nossa galeria, vejam aí em post mais antigo) tomava banho de
espuma e pensava. Daí saíram grande frases dela, do tipo "Mulheres comportadas 
raramente fazem história" e outra ótima "O sexo faz parte da natureza. Eu só sigo 
a natureza". 
Seguindo na apreciação do local (decorada especialmente para este sarau) 
uma parede cheia de "cartazes" com frases "feministas" super interessantes, do tipo:

“Não tem nada mais sexy do que um homem feminista...”; 
“Será preciso eu usar burca para você me respeitar?”;  
“Porque minha roupa curta não é um convite ao estupro”; 
“Em cada beijo uma revolução”;  
“Dona de casa? Não! Dona da casa!”; 
“Não há revolução sem dança”
(Esta última  também de SBCense famosa, Emma Goldman, anarquista e feminista 
da primeira metade do século passado, vejam aí também em post mais antigo)
 
A conversa pode começar com a frase interrogativa da publicação do evento
no face: As mulheres podem ir a um bar tomar uma e conversar sem estar 
procurando homem? Essa publicação foi feita por um super SBCense, 
super feminista...gente boa demais... tão boa que não lhe falta a humildade 
necessária para saber que vivemos nesse mundo e somos susceptíveis às 
ideologias. Pois ele não foi logo contestado!!!: Uai, as mulheres podem ir 
a um bar tomar uma e conversar e “estar procurando homem”, sem serem 
rotuladas, hostilizadas, categorizadas, discriminadas? Eu quero, nesse 
mundo, ser livre prá escolher ir a um bar tomar uma e/ou conversar com 
amigos e/ou piropar... e tudo bem!!!

Então, em sequência, a colocação surpreendente de uma SBCense 
maravilhosa, separada há uns cinco anos, triste com família e amigos que 
“a abandonaram” pós separação, pois ela seria uma “perdida” 
para a família, uma “desvirtuadora” para as amigas, e assim por diante... 
gente, é nesse mundo que vivemos!!! E é nele mesmo que abrimos 
brechas, criamos possibilidades... e isso é o feminismo!!! Vejam o que a 
Dóris nos manda, a propósito do nosso medo de ficarmos sós:

Foto



Em pauta, em função do filme em cartaz, Hanna Arendt, grande SBCense 
(aguardem nosso próximo post incluindo a pessoa na galeria do SBC). 
Todxs viram? Recordando, o filme dirigido por Margarethe Von Trotta retrata a 
filósofa no julgamento de Adolf Eichmann, em 1961, em Jerusalém, enviada 
pela revista The New Yorker. De volta a Nova York, Hanna escreveu uma série 
de cinco ensaios, hoje reunidos no livro Eichmann em Jerusalém – um relato 
sobre a banalidade do mal  (Cia. das Letras, 1999). Hanna escreveu que 
esperava encontrar um homem monstruoso, mas se deparou com um ser 
humano medíocre, mero burocrata da máquina genocida comandada por 
Hitler. A grande culpa de Eichmann, segundo ela, foi “abdicar de 
pensar”.  O filme me surpreendeu, mais ainda a expressão “banalidade 
do mal” e... me fez pensar, entre inúmeras outras coisas, sobre o feminismo.

É isso gente!!! Essa idéia de “banalidade do mal” é super contemporânea, 
serve como pretexto para pensarmos sobre o mal que fazemos ao mundo e 
a nós memxs quando não pensamos e, como consequência, reproduzimos 
ideologias. Somos machistas, todxs nós, homens e mulheres, quando não 
pensamos, reproduzimos um mundo machista, que “naturaliza” a violência 
doméstica, “foi ela que provocou”, que pensa   “isso não é comigo” quando se 
depara, entre outras coisas, com os dados estatísticos: 10 mulheres assassinadas 
por dia no Brasil. 1 em cinco mulheres já sofreu violência por parte de um homem. 
80% dos seus próprios parceiros. A alimentação da cultura do estupro é de 
homens e mulheres. Somos todos cúmplices.
 A propósito,  nossa querida SBCense Silvia Castelo Branco, que não pôde ir ao nosso sarau, mas que pensou (e se pensou...) e compartilha conosco bacanérrimo depoimento:

“Ora há retrocessos, ora há avanços, na ciranda da vida. Em todas as sociedades, seja ela qual for, a mulher é mutilada de diversas formas. A consciência do seu próprio corpo, dos seus desejos e da sua autonomia (econômica, psicológica, intelectual) sempre foi uma ameaça nas sociedades patriarcais e fundamentalistas.
Quando assisti o documentário "O Renascimento do Parto" pude perceber que a 16 anos atrás, pouco conhecia sobre a minha própria fisiologia para "parir" de forma natural (e tinha acesso à todo tipo de informação - qual informação!!!). Hoje ao parar para ver "Clitóris, prazer proibido" também tive a mesma impressão. Lembrei-me das mulheres de um país da África onde tem seus clitóris arrancados ainda na infância. Num outro momento li a matéria sobre a menina de oito anos que veio a óbito após o estupro que sofreu, consentido pelos seus pais e toda uma sociedade. Ainda me lembrei dos alarmantes índices de mulheres que são a cada minuto espancadas por seus companheiros e também dos inacreditáveis índices de violência sexual que as mulheres sofrem durante as guerras, ainda hoje!!
Bom, comecei o dia feliz, porque hoje é uma data que me faz lembrar o quanto sou mulher e o quanto sou feliz em sê-la, no prazer imenso de ter gerado uma filha. Uma outra menina neste mundo!! Que acredito, que de alguma forma, o fará melhor. Feliz também pelo aumento dos focos de resistências, pela Luta de movimentos históricos de mulheres e também pelos novos, com a força e a magia da juventude, como a "Marcha das Vadias". Pelo movimento do Parto Humanizado que vem a nos dizer muito sobre autonomia de si, do seu próprio corpo e do poder de amar.
Mas também muito triste com os diversos acontecimentos no mundo e no Brasil, diários e quase invisíveis que mutilam (de todas as formas), segundo a segundo, as mulheres e suas potencialidades.
Que nós, mulheres, possamos nos proteger de toda forma de castração que a sociedade nos impõe, com solidariedade e luta.”
Obrigada Silvinha! Também recomendamos os dois documentários: “O Renascimento do Parto”, pois o parto é da mulher e não do médico, trata-se de respeito à mãe e ao bebê, e “Clitóris, prazer proibido”, a sexualidade feminina para todxs nós, mulheres e homens, aprendermos...
O Rodrigão também não foi, mas mandou a imagem a seguir prá compartilharmos:
Foto: *Fiu fiu* Você acha que ouvir cantada na rua é legal? 

Veja a pesquisa que perguntou pra gente o que ninguém tinha perguntado antes http://bit.ly/17Sky1I
Outra linda SBCense Thais Simen nos fez um resumo da verdadeira “aula”: Feminismo para homens, do escritor Alex Castro, no blog Papo de Homem (super recomendado também!)
“Os termos feminismo e machismo não são análogos. Feminismo é a busca por direitos iguais para a mulher. Machismo é a dominação do homem sobre a mulher. A feminista mais radical não tem como ser pior do que o machista mais brando. Impossível! O machismo mata! Vocês já viram ou ouviram falar de uma feminista radical que tenha matado alguém por essa causa?
     Cara, todo mundo é machista. A começar pelas próprias mulheres, que quase sempre criam os filhos à base de estereótipos machistas, catando as toalhas que jogam pelo chão, não vigiando a sexualidade deles como vigiam a das filhas, não exigindo que arrumem os quartos como as meninas, etc etc. Quem é machista é a nossa sociedade, e ela fala, vive, respira através de nós, mesmo à nossa revelia. O máximo que podemos fazer é estar alertas. Vigiar nossas palavras. ter a humildade de ouvir de verdade quando nos acusarem de machismo. E tentar mudar.
Feminismo não é ser anti-homem, ou querer ser superior ao homem, ou ainda achar que homens e mulheres são iguais. O feminismo é a idéia radical de que homens e mulheres devem ter direitos iguais. Ponto.
Foto

São 25 itens didaticamente colocados, dentre eles o item 9:
Brevíssima história das conquistas femininas no Brasil
Durante todo o século XIX, os direitos civis das mulheres são alvo de grandes discussões no Brasil — discussões que sempre terminam em escárnio por parte dos homens.
Algumas datas das principais conquistas:
Só em 1827 as brasileiras ganham direito a cursar educação elementar. A admissão nas faculdades vem em 1879, seguidas de muito preconceito. Quando a primeira médica se forma, em 1887, ela não consegue encontrar emprego: quem iria se tratar… com uma mulher?! A primeira brasileira a obter o direito de advogar vem somente em 1899.
A situação do esporte também é interessante, por ser outra área tipicamente masculina. A primeira partida de futebol feminino é disputada em 1921. Sete anos depois, as mulheres conquistam o direito de participar dos Jogos Olímpicos e o Barão de Coubertin, idealizador dos jogos, renuncia do comitê olímpico, revoltado com esse absurdo. Nas Olimpíadas seguintes, em 1932, o Brasil manda sua primeira atleta, única integrante feminina da delegação, a nadadora Maria Lenk. Em 1964, acreditem ou não, o futebol feminino é proibido no Brasil, decisão que somente seria revogada em 1981!
O direito ao voto somente é conquistado em 1932. A primeira senadora, uma suplente, toma posse em 1976. A primeira senadora eleita seria apenas em 1990.
Nosso primeiro Código Civil, de 1916, é bastante específico ao explicitar na letra da lei a tradição de inferioridade feminina. Nas palavras da professora Lígia Quartim de Moraes:

    “Com o casamento, a mulher perdia sua capacidade civil plena. Cabia ao marido a autorização para que ela pudesse trabalhar, realizar transações financeiras e fixar residência. Além disso, o Código Civil punia severamente a mulher vista como ‘desonesta’, considerava a não virgindade da mulher como motivo de anulação do casamento (…) e permitia que a filha suspeita de ‘desonestidade’, isto é, manter relações sexuais fora do casamento, fosse deserdada.”
Ou seja, enquanto fossem casadas e submetidas ao pátrio poder, as mulheres eram consideradas incapazes juridicamente, como crianças, deficientes mentais e mendigos, e não podiam agir como cidadãs livres e adultas, nem mesmo para assinar um contrato. Ah, e a lei do divórcio passa apenas… em 1977. Antes disso, o casamento era pra sempre.
Esse era o mundo antes do feminismo. Foi contra esse mundo que as feministas lutaram, e se insurgiram, e toleraram o escárnio e o deboche dos homens.

E a sugestão de um ... exercício em auto-questionamento:
Por que será que essa besteirinha que eu falo suuuuuper na boa incomoda tantas mulheres? Ok, é possível que elas sejam umas feminazis patrulheiras mal-comidas (sic sic sic!), mas também pode ser, quem sabe, que o problema seja comigo. Hmmm. *mão no queixo* Talvez as coisas que eu acho mais normais sejam altamente ofensivas para muitas pessoas. Talvez seria melhor se eu ouvisse mais os outros. Talvez eu devesse aproveitar essa oportunidade para refletir sobre mim mesmo, meu comportamento, minhas prioridades, minha vida…
Nada pode ser mais constrangedor do que ver um homem, até então sensível e sensato, se defendendo de acusações de machismo seja dando carteirada (Fil, carteirada!!!)  “não posso ser machista porque fiz isso ou aquilo” ou, pior ainda, acusando as feministas de serem extremadas, exageradas, radicais.
Foto

“Poxa, não sou machista! Até ajudo na casa!”
“Pois é. Ao dizer que “ajuda”, o que você está dizendo é: essa obrigação é só dela, mas eu, olha como sou tão legal e tão magnânimo!, até desço aqui do meu pedestal e… ajudo!” Que tal se, em vez de ajudar, você dividisse as tarefas?

   A uma fala bastante comum: “Se as próprias mulheres são machistas, por que  EU teria que deixar de ser?” ele (Alex Castro) responde:
Machistas somos todos nós, querendo ou não. Nós todxs, homens e mulheres, crescemos em uma sociedade profundamente machista, que nos infectou desde cedo com seus valores e prioridades. Essa sociedade existe e fala através de nós: ela usa nossos corpos e mentes, nossa própria carne, para se perpetuar através do tempo e do espaço, e somos seus cúmplices e possibilitadores mesmo quando discordamos dela.

     Portanto: “Feminismo NÃO é coisa de mulher!!!”
A luta por direitos iguais entre homens e mulheres interessa a ambos os sexos. Ao libertar as mulheres, o feminismo também liberta o homem da sufocante obrigação histórica de tomar sempre a iniciativa, de estar no comando, de ser o provedor, de ter que ganhar mais.
O feminismo é antes de tudo uma luta por direitos HUMANOS. A nossa espécie enquanto espécie não pode ir pra frente enquanto metade for escravizada pela outra metade.

Lá pelas duas horas da madrugada estávamos discutindo sobre feminismo e poder. Sim, queremos poder, mas queremos também resignificar o poder: o que mais conhecemos é o “poder sobre”, o poder de dominação; mas podemos construir também o “poder para”... para transformar, para recriar, para construir um mundo melhor para todxs nós...
Foto: vem com a gente<3

E toda essa maravilhosa conversa costurada com poesias da Adélia Prado, Fernando Pessoa, músicas de lama até rirmos de nós mesmxs, músicas lindas de piropa, principalmente do Vinícius, o mestre dos piropeiros segundo o Chico (Buarque).  Mas a mais bonita e mais a propósito servirá para encerrar esta delícia de artigo:

Posso até deixá-lo tomar conta dos meus lábios
Posso até guardá-lo em meu corpo para que me aqueça
Posso ouvir os teus anseios e lutar por eles também
Mas eu tenho que voar
Posso até sentir ciúmes não vou mentir
Posso amá-lo tantas horas quanto resistir
E até mudar a cor do quarto se quiser
Mas eu tenho que voar
Mas eu tenho que voar, amor
Posso até deixá-lo se embaraçar nas minhas pernas
E invadir minhas horas sem licença
Posso até chorar sem tua presença
Mas eu tenho que voar
Serei a tua amante de todos os portos
A mulher que te faz todas as vontades
A moça da aldeia que te olha sem maldade
Posso até ser tua pela eternidade
Mas eu tenho que voar
Tenho que voar, amor






Voemos, todxs!!!

SantuzaTU





















quinta-feira, 29 de agosto de 2013

AVANT PREMIERE - SBC NA GARAGEM DO LOH

As bobagens super instrutivas já começaram na TRANSTONTO. Trata-se da Van que leva e trás de volta a gente, sãxs e salvxs, depois de beber o tanto que quisermos... e isso é muito bom!!! é a origem do ônibus, segundo alguns SBCenses estudiosos do assunto...

Vocês sabem o que é CENOSILLIACAPHOBIA? Não!!! pois então, já podem dizer assim: eu??? alcoólatra??? não!!! eu não bebo muito não!!! só de vez em quando me dá uma crise de cenosilliacaphobia... É!!! phobia é medo, a palavra anterior, cenosilliaca, juntando tudo: MEDO DE COPO VAZIO!!! NOSSA!!! QUE MEDO!!!
 
Outra: segundo pesquisas SBCenses, uma ótima estratégia para parar de fumar é andar com uma CENOURA (pasmem!!!) nos dedos, como se segura um cigarro... entenderam??? tem uma explicação científica, lógico... mas interessa pouco... o fato é que tem pouca gente tentando parar de fumar usando tal estratégia, eu não tenho visto... enfim, parece aquela piada antiga do cara gritando pro outro: VOCÊ ESTÁ COM UMA BANANA NA ORELHA!!! e o primeiro: Por favor, fale no outro ouvido que estou escutando, pois nesse eu estou com uma banana na orelha e não estou ouvindo...


Agora, numa outra conversa, ocorreu no meio da frase... porque fulanx tem mais idade... no que a primeira pessoa retrucou: não se diz "mais idade", pode ofender... e como poderíamos alterar para uma fala mais, digamos, politicamente correta? diga "mais adulta"... Ah, sinceramente, se alguém me disser que sou mais adulta acho que vou mandar tomar naquele lugar... ou seja... acho que não estou ficando mais adulta com mais idade... ao que uma terceira pessoa entrou na conversa com o conceito de HORIZONTALIDADE: eu tenho como conduta falar por trás, porque falar pela frente magoa... não combinava muito com a conversa anterior, só um pouquinho... não mas estava ótima a(s) conversa(s)...

E tudo isso permeado por leituras e comentários dos livros que decoram o ambiente, uma garagem de uma super casa na Pampulha, na avenida ao redor da lagoa, uma vista lindíssima para a mesma... a garagem super bem decorada (segundo o gosto da maioria dos SBCenses), de uma maneira casual, meio retrô, fundamentalmente à vontade, petiscos deliciosos, lights, cerva gelada, outras bebidas a gosto do freguês... mas, os comentários, ou antes, os livros, ou melhor, O LIVRO que gerou mais comentários: uma espécie de "dicionário da mulher e da família", parece que uma coleção... onde se lia: "a mulher é o esteio da família". Então, os comentários caminharam para a "atualidade" das ideias daquele dicionário anos 50, infelizmente... mais uma vez: a história não é linear!!! Já podemos ver como um grande avanço pessoas da faixa de 20, 30 anos saberem fazer essa crítica, homens e mulheres...nossa, como é difícil mostrar para uma pessoa o quanto o seu "maior desejo", quase uma obsessão (o de se casar) não passa de um desejo fabricado historicamente, e que significa a sua prisão!!! como não tentar relações mais livres... mais bonitas!!!



Hanna Arendt nos ajudou nesse momento, com o seu conceito de "banalidade do mal"... quem já viu o filme ou conhece a filósofa? imperdível, super contemporânea. Ela usou esta expressão para se referir às pessoas que, não pensando, apenas seguem ideologias, ou ordens, ou o que existe pronto. Não seria, infelizmente, a maioria das pessoas? Não pensar a história, não se pensar na história, não pensar a sua história, só faz a gente repetir erros, como o daquele cara que está para se separar de um casamento que já terminou há uns cinco anos mas que ele não consegue "terminar"... aí ele se encontra com uma outra pessoa e se envolve... ai eu sugiro que ele faça uma imagem mental dele com essa pessoa... e o que ele diz? me imagino casado com ela!!!

AH... e aí saiu um excelente conceito: IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA... trata-se de uma "ferramenta" super eficaz, podemos/devemos sempre usá-la para sairmos da influência dos estereótipos, dos padrões sociais e pensar mais amplamente. Depois passamos do pensamento para a ação e estaremos criando a chance de construir relações mais bonitas (em todos os níveis, íntimo, pessoal, social, público...)

Agora, o último caso, surreal... DESVIO OBJETAL DA LIBIDO !!! sabem de que se trata???   SBC é cultura!!!
Em “À GUISA DE INTRODUÇÃO AO NARCISISMO”, 1914, Freud diz que o termo libido que, em latim,  significa  vontade, desejo, corresponde a energia como substrato das transformações da pulsão sexual quanto ao objeto, quanto à meta e quanto à forma de execução sexual. A libido pode ser investida na própria pessoa (libido do ego ou narcísica), ou em um objeto exterior (libido objetal). Há um equilíbrio energético entre esses modos de investimento: a libido objetal diminui quando aumenta a libido do Ego, e vice versa, assegura Freud: “ originalmente o Eu é investido de libido e de que uma parte dessa libido é depois repassada aos objetos; contudo, essencialmente, a libido permanece retida no Eu”. Ou seja, quando eu me amo por demais posso ter dificuldade de amar alguém(s)... trata-se do narcisismo exacerbado, pode chegar ao delírio de grandeza, muito comum...; também quando minha libido se direciona totalmente para alguém e nada para mim mesmo posso virar escravx, mas dizem que se trata de amor (romântico, idealizado, o alguém vira um Deus(sa), enfim... "O estado de apaixonamento ocasiona a desistência da própria personalidade a favor do investimento no objeto". Esse é o amor que conhecemos, podemos construir outro(s)!!!

Mas e de que se trata o "desvio objetal da libido"??? alguns seguidores de Freud dizem que seria o "desvio" que os queers (leiam em post anterior...)  realizam da sua libido para o "objeto" que não é o "certo"... esse tanto de aspas é para explicar que o "certo" é o homem ter como objeto de libido a mulher e a mulher ter como objeto de libido o homem... afffff.


 
Então, o famoso arquiteto e compositor Falcão em sua composição "Só é Corno Quem Quer" tem uma interpretação pessoal do termo:
"É preciso muito equilíbrio emocional
um corno esclarecido
É sempre um corno legal
Perigo é o desvio objetal da tal libido
Pois a desilusão
O torna convencido
E o convencimento
É algo assim mesmo cruel
Transforma o cidadão
Num corno vingativo
O corno vingativo
É aquele corno, que quando sabe que a mulher o trai
Então ele passa a dar o cú para se vingar".
Ela não esclarece na música se o cara começou a dar o cú prá se vingar e gostou ou não...

Agora, chegamos a uma outra reinterpretação, a surreal, do desvio objetal da libido: é a do cara que namora de longe e aí ele relata que realiza um desvio objetal da libido que, segundo ele, seria uma coisa do tipo "esquecer" dessas coisas de sexo, sublimar, diria Freud... ele não esclareceu se esse esquecimento se dá somente com outras mulheres e se com árvores, mãos, animais, tá valendo... Pois bem, aí ele estava se dando bem no desvio objetal da libido, quando acordou pensando na pessoa amada... e faltam uns 15 dias ainda para eles se encontrarem!!! e a estratégia do desvio foi por água abaixo, fudeu tudo, ele está subindo pelas paredes, só pensa na bunda da pessoa amada... rsrsrsrs... é isso... eu adorei esse caso... e todos os outros do nosso encontro... até o próximo.

beijos, muita libido, desviante ou não, tá valendo...
TU

sábado, 24 de agosto de 2013

S B C e o AMOR LIVRE...




Emma Goldman (1869-1940)

Anarquista conhecida por seu ativismo, seus escritos políticos e conferências que reuniam milhares de pessoas nos Estados Unidos, teve um papel fundamental no desenvolvimento do anarquismo na América do Norte na primeira metade do século XX.


Goldman nasceu na Lituânia - que era, então, parte do Império Russo. Emigrou para os Estados Unidos em 1885 e viveu em Nova Iorque, onde conheceu e passou a fazer parte do florescente movimento anarquista. Tornou-se uma renomada ensaísta de filosofia anarquista e escritora, escrevendo artigos anticapitalistas bem como sobre a emancipação da mulher, problemas sociais e a luta sindical.  Foi presa várias vezes por "incentivar motins" e ilegalmente distribuir informações sobre contracepção. 

Em 1906 Goldman decidiu iniciar uma publicação por conta própria, "um lugar de expressão para os jovens idealistas nas artes e nas letras". Mother Earth (Mãe Terra) contava em seu corpo de redação com um grupo de ativistas da época. Somando-se as publicações originais de seus editores e anarquista ao redor do mundo Mother Earth relançou textos selecionados de diversos escritores, entre estes estavam o filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, e a escritora britânica Mary Wollstonecraft. Goldman escrevia frequentemente sobre anarquismo, política, assuntos laborais, sexualidade e feminismo. A revista Mother Earth tornou-se um importante ponto de referência para ativistas e literatos anarquistas, livre pensadores por todo os Estados Unidos.

 Durante sua vida, Goldman foi celebrada por seus admiradores, como uma livre pensadora e "mulher rebelde", e achincalhada pelos adversários, como sendo defensora de assassinatos políticos e revoluções violentas. Seus escritos e conferências abrangeram uma variedade de
assuntos, incluindo o sistema prisional, ateísmo, liberdade de expressão, militarismo, capitalismo, casamento e emancipação das mulheres. Também desenvolveu novas formas de incorporar políticas de gênero no anarquismo. 
 
Nos anos 1970 a vida e a obra de Emma Goldman voltaram a ser reconhecidas na medida em que acadêmicas, feministas e anarquistas passaram a se interessar por ela. Este interesse implicou uma nova onda de divulgação de seu legado, com publicações de seus artigos e livros sendo relançados, e citações e imagens suas sendo estampadas em camisetas e cartazes.

 Ficheiro:EmmaGoldmanQuote2000.JPG

Em uma faixa sustentada por jovens anarcofeministas lê-se uma citação de Emma Goldman "Aos que ousam o futuro pertence"

Ainda que fosse hostil a primeira onda do feminismo e seus objetivos sufragistas nos Estados Unidos, Emma Goldman defendia apaixonadamente a emancipação das mulheres, e é hoje considerada uma das fundadoras do anarcofeminismo, que se contrapõe tanto ao patriarcado como também à hierarquia, se manifeste ela em divisões de classe ou na estrutura do estado. Em 1897 ela escreveu:

Busco a independência da mulher, seu direito de se apoiar; de viver por sua conta; de amar quem quer que deseje, ou quantas pessoas deseje. Eu busco a liberdade de ambos os sexos, liberdade de ação, liberdade de amor e liberdade na maternidade".

Enfermeira por profissão, ela era desde cedo uma defensora da educação das mulheres com relação aos métodos contraceptivos. Como muitas das feministas da atualidade, ela entendia o aborto como uma trágica consequência das condições sociais, e o controle de natalidade como uma alternativa positiva. Goldman também defendia o amor livre, e realizou uma forte crítica do casamento. Ela viu nas feministas que lhe precederam uma perspectiva confinada em seu escopo e limitadas por forças sociais do puritanismo e do capitalismo. Escreveu:
"Temos a necessidade de libertarmo-nos das velhas tradições e hábitos. O movimento para a emancipação feminina desde então conseguiu dar apenas o primeiro passo nesta direção."
Goldman, Anarchism, p. 224
Goldman falou e escreveu extensivamente sobre um amplo escopo de assuntos. Enquanto rejeitava a ortodoxia  e o pensamento fundamentalista, contribuiu também para diversos campos da filosofia política moderna. Ela foi influenciada por muitos pensadores e escritores, incluindo Mikhail Bakunin,. Outro filósofo que influenciou Goldman foi Friedrich Nietzsche. Em sua autobiografia ela escreveu:
"Nietzsche não foi um teórico social, mas um poeta, um rebelde e inovador. Sua aristocracia não era por nascimento ou dinheiro; era em espírito. A esse respeito Nietzsche era um anarquista, e todos os verdadeiros anarquistas foram aristocratas."
em Anarquismo, p. 62.

O anarquismo era central na visão de mundo de Emma Goldman, e atualmente ela é considerada uma das figuras mais importantes da história desta filosofia e prática política. No ensaio que empresta o título ao seu livro Anarquismo e Outros Ensaios, ela escreveu:
O anarquismo, portanto, realmente se ergue pela libertação da mente humana do domínio da religião; a libertação do corpo humano do domínio da propriedade; libertação dos grilhões e refreamentos dos governos. O anarquismo está em busca de uma ordem social baseada no livre agrupamento de indivíduos com o propósito de produzir riqueza social real; uma ordem que irá garantir que todos os seres humanos tenham livre acesso à terra e à plena satisfação das necessidades da vida, de acordo com os desejos, gostos e inclinações individuais
em Anarquismo, p. 62.

O anarquismo de Goldman era intensamente pessoal. Ela acreditava ser necessário que os pensadores anarquistas vivessem conforme aquilo que acreditavam, demonstrando suas convicções através de cada ação e palavra. "Não me importa se a teoria de um homem para o amanhã é correta," ela escreveu certa vez. "O que me importa é se seu espírito de hoje é correto."" O anarquismo e a livre associação eram em sua lógica, respostas para os confins do controle governamental e capitalista. "Parece-me que estas são as novas formas de vida," escreveu, "e que elas irão tomar o lugar das antigas, não por pregações ou votos, mas através de sua vivência."Simultaneamente, Emma acreditava que o movimento em busca da liberdade humana precisava ser levado adiante por humanos libertos. Enquanto dançava entre seus companheiros uma noite, ela foi repreendida por um associado por sua postura despreocupada. Em sua autobiografia Goldman escreveu:
Disse a ele para se preocupar com seus próprios assuntos, estava cansada de ter a Causa constantemente atirada na minha cara. Não acreditava que uma Causa que se posicionava em favor de tão belo ideal, pelo anarquismo, pela libertação e liberdade de convenções e prejuízos, poderia exigir uma negação da vida e diversão. Insisti que nossa causa não poderia esperar que me comportasse como uma freira e que o movimento não devia ser transformado em um convento. Se assim o fosse, eu não o queria. "Quero liberdade, o direito de expressão própria, o direito de todos à coisas radiantes e belas.
Vivendo Minha Vida, p. 56.

É creditada a ela diversos ditos marcantes do anarquismo entre estes a famosa frase que diz - "Se não posso dançar, não é minha revolução" - capaz de definir de maneira simples a idéia anarquista de liberdade.


               Amor livre?...como se o amor pudesse outra coisa que não fosse livre!



Então, não é uma super SBCense?

Agora conto prá vocês como conheci essa mulher: recebi pelo facebook um texto que era tudo que eu queria/precisava escrever, super esclarecedor: Por que é tão difícil praticar o “amor livre”?, era o título, e ela era citada com esta frase maravilhosa, acima. Pois todo amor é livre, se não é livre não amor! Mas como nos enganamos tanto em relação a isso, não é?

“Amor livre é uma proposta revolucionária que questiona os modelos disponíveis de amor construídos socialmente e historicamente, possibilitando que todxs possam criar novas formas de se relacionar, visando interações não-hierárquicas e de cooperação mútua – na contramão dos valores capitalistas de possessividade e exclusividade. Não existe um formato definido de amor livre, a ideia é justamente ter liberdade para construir novas relações com diretrizes próprias, o único princípio orientador do amor livre é a busca pela solidariedade ax próximx, o que explica sua origem entre pensadorxs socialistas e libertárixs.”

Não se espantem com o “X”, não é um erro de digitação e sim uma indicação de todos os gêneros, homens e mulheres e todos os outros. Pois livre é o amor entre um homem e uma mulher, entre uma mulher e outra mulher, entre um homem e outro homem e quantos mais você queira!!!

“A idéia de amor livre se construiu como uma tentativa de relacionamentos na contramão do destino monogâmico: formar uma família nuclear sustentada por um contrato de casamento e uma propriedade privada. Pois ao negar o modelo monogâmico e heteronormativo que é base do capitalismo e do patriarcado, abrimos novas possibilidades para o amor”.

Olha só: amor livre não é poliamor, pode até ser entre duas pessoas se assim elas quiserem, se for em “mão dupla” o combinado. As relações de “amor livre” podem, portanto, ...”ser muito diferentes entre si,  mas têm em comum a proposta de abrir o diálogo e encarar os desejos de perto, mediando a dinâmica da relação de forma que todxs se sintam livres e ao mesmo tempo exista o respeito aos limites do outrx. É uma negociação bastante complicada por si só, porque exige comprometimento ético, ao contrário da idéia de desordem que o senso comum dita sobre o assunto. A ausência de contratos de exclusividade não pressupõe a ausência de um compromisso com as demandas emocionais dx parceirx, pois assim voltamos à estaca zero do egoísmo já largamente perpetuada pelo amor romântico. Fugir desses paradoxos é uma das tarefas mais difíceis na hora de desconstruir nossos velhos modelos do amor burguês, que apenas admitem polarizações como matrimônio x libertinagem, sendo que a tal “libertinagem”, nesse caso, tem muito pouco a ver com liberdade e muito mais com a completa negligência das necessidades dx parceirx em uma relação – uma forma de precarização dos vínculos humanos que também não contempla o ideal libertário da cooperação e serve mais ao modelo capitalista”. (fiz uns negritos para destacar).

É isso gente! Estamos ainda muito longe do amor livre, embora me pareça que, ao buscarmos na vida a liberdade, encontraremos também um amor mais “bonito”. E, sensibilizada com essa “construção”, resolvi fazer uma “pesquisa antropológica” no SBC, conversar com pessoas: O que é o amor livre para você, como você o pratica?

Vamos às respostas:

- TU (vocês sabem, me deram este carinhoso apelido no SBC... e já se espalhou)... amor livre? Prá mim? ... Ah, é poder sair com amigos da faculdade e do serviço, umas duas vezes por semana, sem precisar de apresentar relatórios, dar inúmeras explicações, o que conversamos, o que bebi, o que comi... amor livre, prá mim é esse mínimo de confiança, conquistado com muita conversa, muito esforço, com meu namorado, pois antes ele era um poço de ciúmes, ele tinha a sua liberdade de ir jogar bola, beber com os amigos, mas eu, se pensasse em fazer isso, era para traí-lo... conversando com você fico pensando essa coisa do nosso desejo, das mulheres, são elas as que mais querem a sua maior prisão, o casamento, não é? A gaiola pode ser de prata, de outro, de latão, mas não deixa de ser gaiola... Essa coisa que você diz: é verdade que nos ensinaram que ser esposa e mãe poderia nos realizar, a crueldade que fizeram conosco é que nos fizeram acreditar que seria ... de tal forma que a gente aprende a desvalorizar outros níveis de relação e colocar uma expectativa tão grande na relação íntima que se torna irrealizável!!!

- Ah TU, amor livre, prá mim é eu poder manifestar e exercer a minha vontade sexual, sem ser execrada por uma sociedade machista e repressora, que ainda considera a mulher “desejante” uma “perdida”, “condenada”, e por aí vai... eu gostaria que houvessem mais homens com cabeças menos divididas entre as “putas” e as “puras”, que reconhecessem as “mulheres”, sujeitos desejantes...

- TU, sabe o que é amor livre prá mim? Eu gostaria muito que o meu companheiro fosse menos ciumento, menos controlador. Tenho a impressão que muitas relações gays, em vez de serem mais livres, repetem o modelo “casal hetero” naquilo que esse modelo apresenta de mais danoso à relação. Como passar “segurança” e ele? Como fazê-lo entender que se estou com ele é por escolha, é não é tão fácil escolher e responder pelas suas escolhas.

- Ah, eu, depois de dois casamentos, filhos, netos, amor livre, prá mim, é poder namorar um rapaz de 20 anos que saiba conversar, porque eu tenho “tesão intelectual”, sabe? Uma delícia, conversar, tomar um vinho, fumar um, e transar com o maior envolvimento... quase sempre isso acaba antes que eu gostaria... é triste, eu sofro mas, imagina se, por causa da tristeza, eu deixasse de viver o “outro lado”... entre a vida e a morte, eu escolho a vida. Faz parte da vida o sofrimento mas não podemos “fechar os poros” por medo de sofrer, pois são pelos mesmos poros que entra o prazer...

- Ai, eu queria muito me libertar desse desejo gravado a ferro e fogo no meu sangue, de “casar e ter filhos”, como se, não realizando isso, eu fosse infeliz para sempre... acho que se eu me libertasse disso, se eu tivesse mais em primeiro lugar o “amor próprio”, o cuidar da minha vida, de ser feliz, de me realizar em outros níveis de relação,  estaria muito mais “pronta” para “receber o amor tal como ele me apresenta”.

- Amor livre? Tendo fazer minha vida ótima, isso é uma conquista... aí quando aparece alguém, eu escolho como incluí-la, sempre de uma maneira enriquecedora... não é fácil, mas tento isso sempre...

- Ah TU, quando tento conversar com minha namorada sobre isso ela fica uma fera, acha que eu estou tentando enganá-la, que não quero nada com ela, nada do projeto dela (casar e ter filhos...), não quero isso prá minha vida, mas às vezes sinto que vou me render ao seu desejo e vou ser infeliz... quando os modelos (por exemplo, os que vemos na TV) são os do cara ricaço com amantes, o cara que volta com a mulher e convida a outra para ser a outra, tudo falso, coisas desse tipo... a virgem que quer se desvirginar a qualquer custo e que acha que é virgem porque é gorda!!! ... é muito difícil falar de amor livre de uma forma “ética” como você disse...

- Nossa, você falou em amor livre e eu imediatamente me lembrei de um filme... A Liberdade é Azul... é um filme francês, faz parta de uma trilogia (A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha, são lindos todos três filmes, as cores dos filmes correspondem, são as da bandeira da França) o cineasta é polonês, Krzystof Kieslowski, o filme é de princípio dos anos 90, a artista é Juliette Binoche, linda, fala de uma mulher recuperando sua vida, sua identidade, depois da morte do marido, que era músico, e ela vivia à sua sombra... mas o cartaz do filme diz o seguinte: Tem o título: A Liberdade é Azul, abaixo do titulo tem a frase: O mito da liberdade... e lá em baixo do  cartaz outra frase mais ou menos assim: todos(as) nós vivemos como se, para viver o amor, tivéssemos que abrir mão da liberdade...
Fiquei de cara, perplexa... não é verdade, TU, você já sentiu isso na pele??? Eu já, eu acho que todos já sentimos, sentimxs como agora se diz, né? Porque faz parte da nossa cultura, cruel, separar amor de liberdade, você não acha, ou melhor, sente? E, geralmente, no conflito entre amor e liberdade, homens escolhem a liberdade e mulheres facilmente abrem mão da liberdade em função do amor... que merda!!! Claro que vivem (vivemos) mal o amor pois, como disse a Goldman a quase um século, não existe amor sem liberdade...

Lindxs, todos vocês... obrigada por enriquecerem minha vida...

Beijos e queijos... cada vez mais livres...

TU

EM TEMPO: respostas que recebi depois de terminado o texto, e que merecem ser postadas:

- Livre é aquele que é sentido/feito/vivido por nenhum motivo que não a vontade, isto é, não é forçado. Seja por regras sociais, inércia afetiva, obrigação, costume...

- Amor livre é amar as pessoas com mais desapego, deixando que a mesma seja um indivíduo e não uma "posse". Pratico amor livre deixando a pessoa livre para ir embora, só ficando comigo se quiser.

- Na teoria amor livre é você poder se relacionar com mais pessoas livremente, mesmo que tenha compromisso com outra, mas na real eu penso o amor livre como uma forma de liberdade sexual do que de qualquer outra coisa, porque você poderia morar com uma pessoa, ser casada e se tiver desejo por outra... bom, estaria tudo resolvido entre o casal se eles fossem adeptos do amor livre.

- E, por último, nossa primeira: grande Jana: Amor livre é livre, até dele mesmo. Desprendido, sem apego, não é meu. É uma prática humana com outros. É da natureza do homem. É simplesmente um ato de sentir, ouvir, olhar, tocar e experimentar tudo junto sem a necessidade de possuí-lo. É isso. Mas nesta sociedade do meu, não acredito que tenha espaço prá ele.

Então... Liberdade não é absoluta, do tipo ontem eu não era livre e hoje sou... Liberdade a conquistamos a cada momento um pouco... Sei que hoje sou um pouquinho mais livre do que fui ontem e um pouquinho menos do que vou ser amanhã... E vale a pena, sempre lutar por ela. E pela vida. E pelo amor.

Escolha a vida, sempre...

O que é o amor livre para você, como você o pratica? Quem quiser colocar seu conceito (e prática) de amor livre, enfim, sua reflexão, será muitíssimo bem vindx... por favor, posta aí nos comentários e manda "anônimo"...