Em tempos de colonização de corações e mentes, chique mesmo é conversarmos sobre ÉTICA... sobre MORAL... e sobre a possibilidade de construirmos uma moral autônoma (de dentro pra fora) em vez de nos submetermos à moral heterônoma (de fora pra dentro)... isso a partir do desenvolvimento do sentido crítico, da ampliação da consciência - sair do maniqueísmo certo/errado - e de uma visão de mundo mais ampla e inclusiva.
Chique mesmo, MALADO, DAORA, é conversar com SBCenses jovens sobre quem foi Aristóteles e sua importância para nossas vidas AGORA... e com ele aprender a juntar razão e emoção, cabeça e coração: quanto mais apaixonado - tomado por alguma emoção, mais racional devo estar, "eu administro minhas emoções", e não "elas tomas conta de mim", como aquele outro cara de trocentos anos atrás nos enfiou goela abaixo, o Platão, ele era da mesma época de Aristóteles.
Os dois estiveram por esse mundo, na Grécia, antes de um grande cara chamado Jesus, um revolucionário que mudou o mundo. E foi muitíssimo distorcido quando outros caras "foram escrevendo" a Bíblia, e reescrevendo de acordo com o que queriam que nos enfiassem goela abaixo como "moral cristã"...
E Sócrates!!! Ele dizia que a sabedoria é "quanto mais a gente fica sabendo das coisas" mais a gente "sabe que nada sabe", olha que malado! E não é mesmo! "Quanto mais eu sei, mais aumenta minha ignorância, ou minha curiosidade de saber mais". Irado demais! Sócrates chama isso de Ignorância Douta, Doutora... ou Ignorância Sábia...
Platão
Sócrates
Aristóteles, filósofo grego
Jesus Cristo
E mais chique ainda é saber que temos todas essas histórias na IAIA... não sabem o que é IAIA? A IAIA de IOIÔ... como a tratamos no SBC... não conhecem a música? aí vai: 'Linda Flor', samba-canção de 1929, composta por Henrique, Vogeler, Luis Peixoto e Marques Porto, cantada aqui por João e Bebel Gilberto.
Mas aqui no SBC a IAIA é a Inteligência Artificial, tudo que queremos saber ela nos diz... No entanto, o senso crítico, somos nós que desenvolvemos. Até mesmo para pesquisar a IAIA e obter informações que nos provocam reflexões, nos instigam, conhecimentos da história e essas coisas chiques, daora. O segundo nome da IAIA pode ser vários: GPT, META, GEMINI, GROK, entre outros.
Pois então... MALADO foi a nossa conversa entre SBCenses de 13 a 80 anos - assim como nossa pesquisa na IAIA, sobre um filósofo do século XVII:
Baruch (de) Espinoza (em hebraicoברוך שפינוזה; Baruch Shpinoza, também referido como Baruch (de) Espinosa ou Baruch Spinoza; na literatura em português, também como Bento (de) Espinosa e, após o Cherém ou Herém - o mais alto grau de punição dentro do judaísmo, em que a pessoa é totalmente excluída da comunidade judaica - como Benedictus de Spinoza.
Ética: Publicada postumamente em 1677, esta obra apresenta sua visão sobre a natureza de Deus, a mente humana e a ética, defendendo que a felicidade e a liberdade dependem do conhecimento racional das leis naturais.
Em resumo, Baruch Espinoza foi um pensador revolucionário que desafiou as normas de sua época e cujas ideias continuam a ressoar na filosofia contemporânea.
E daí começa conversa chiquérrima com grande amigo de juventude - tipo 'primeiro namorado' - a gente nunca se esquece:
- Nos anos 80 do século passado, uma reflexão sobre trecho desse Tratado "mudou minha vida" como falamos no SBC. Em algum lugar do mesmo, Espinoza diz mais ou menos isso: "Todo homem pertence a outro homem, por direito, tanto quanto caia sob seu poder... E se pertence a si mesmo na medida em que repelir toda violência, reparar os prejuízos e, em poucas palavras, fizer o que lhe aprouver"... mais tarde, no mesmo Tratado ele também diz que não existe 'poder de um', a não ser quando é exercido de forma autoritária... Você não imagina o tanto que essas duas frases me provocou: eu, uma mulher, "educada" para a subalternidade - 'pertencer' a um homem - comecei a perceber o significado de "repelir toda violência", reparar os danos causados por essa violência... e "fazer o que me aprouver", ou seja, caminhar no sentido de construir, conquistar... minha liberdade...
E mais: NOSSA liberdade, como diz Spinoza na segunda parte "não existe poder de um", ou seja, nos juntar, nós mulheres, na construção de um mundo mais livre e onde existam relações mais simétricas... começou a ser a minha batalha desde então... ou melhor, nossa batalha... Aprendi com ele que LIBERDADE não é algo dado, e sim uma conquista a cada dia... hoje sou um pouco mais livre do que ontem e um pouco menos do que serei amanhã... e NOS JUNTANDO, ou seja, o coletivo vem a ser POLÍTICA, no sentido que o Baruch Espinoza nos ensina...
- Então... o que mais me toca, me afeta, no Baruch, é o seu conceito de Deus. Li no seu livro Tu, PRA TUDO TEM UM SAMBA, no capitulo Carnaval 24: Faça amor não faça guerra, página 52 3 53, quando você fala do 'Espírito de Carnaval', você fala do conceito de Deus de Espinoza, Deus é Natureza, Deus é tudo ao redor e também 'Deus dentro'... Deus é a alegria do Carnaval, Deus é liberdade...
E mais: a IAIA me apresentou um vídeo sobre Espinosa que faz um questionamento esplêndido sobre Jesus Cristo, coisas que eu sempre pensei... Vou resumir aqui, já fazendo links com outros autores, filmes, músicas e a arte em geral que, como você diz, nos liberta, abre nossas corações e mentes:
- Dizendo que a 'verdadeira libertação' é questionar o que é proibido, Baruch questiona o mito Jesus Cristo, a fim de nos incitar a começar a sair da "cegueira do pronto e acabado, enfiado goela abaixo". Me lembrei imediatamente do Ensaio sobre a cegueira", livro e filme 'arrasantes'. Livro do grande português José Saramago, 'publicado em 1995, uma obra de ficção que explora temas como a humanidade, a sociedade e a condição humana, através de uma narrativa surreal e filosófica' ... resposta aqui da IAIA. E o filme, de 2008, de Fernando Meirelles, mesmo diretor - brasileiro - de "Cidade de Deus".
- TUZA, o Espinosa nos coloca, numa análise histórico crítica sobre a Bíblia, três argumentos que 'destroem' a natureza divina de Jesus Cristo:
1. Os textos bíblicos foram escritos por homens e refletem uma época histórica, ou seja, os textos que serviam àquela 'unificação doutrinária' específica. Tanto que em cada época alguns textos eram excluídos e outros acrescentados - li o que você já escreveu sobre Lilith, primeira mulher de Adão, feita do mesmo barro - uma matriz relacional simétrica homem mulher, transformado num livro apócrifo, proibido - depois Adão e Eva, nossa 'matriz' masculino-feminina, assimétrica, gravada (e reproduzida) a ferro e fogo no nosso espírito ... Ou seja, a Bíblia, longe de ser um 'ditado divino', é um documento humano, portanto, histórico, contextual; e imperfeito, como toda obra humana... um documento que reflete as crenças, preconceitos e 'agendas políticas' dos seus vários autores ao longo dos séculos;
2. A noção de milagre: por definição, "o que ultrapassa a compreensão humana", ou seja, buscar explicações sobrenaturais para o que não compreendemos, para o acaso, o unaudito, o desconhecido, o novo... aí então a exageração, a mitificação, se transforma em milagre.
Pois, para Espinosa, a noção de Deus não vem a ser uma "projeção antropomórfica" da tradição judaico-cristã - pois essa projeção 'criou' um Deus semelhante ao homem e diz que ELE nos criou à sua imagem e semelhança, ou seja, projetamos e invertemos, numa tentativa de 'humanizar o divino'.
Para ele, Deus é "a substância única que constitui a totalidade da existência", Deus está na natureza, Deus está em nós, pois fazemos parte dela;
3. A 'natureza divina' de Jesus: Espinoza nos fala como Jesus, que existiu, foi um revolucionário, tanto que uns trezentos anos depois aconteceu a queda do Império Romano - impérios demoram um pouco entre o declínio e a queda definitiva, como acontece agora! ...
Como - e porque - essa pessoa revolucionária foi divinizada vem a ser um questionamento importante. Ou seja, a construção do mito "filho de Deus" - mito no sentido de crenças, que vão sendo 'enfiadas" goela abaixo, que não questionamos, e se transformam em 'verdades absolutas' que estão "orientando" nossas vidas e nossas relações.
Pensando sobre Espinoza e suas reflexões sobre religião e política, não posso deixar de lembrar de filme recente - 2024, imprescindível para entendermos as consequências dessa mistura. O filme Apocalipse nos Trópicos, documentário de Petra Costa, já na Netflix:
- Enfim, meu caro CAN, nosso já SBCense Espinosa nos diz que Jesus foi um mestre da vida ética e humana. E diz mais: diz que o verdadeiro propósito da vida ética não é obter uma recompensa sobrenatural num além da vida... e, sim, alcançar plenitude na própria vida, no aqui e agora, na realidade e na nossa participação\construção\transformação dessa realidade para o que pensamos ser um mundo melhor. Brincamos no SBC que não é a toa que, depois dele, surgiram outros SBCenses famosos - Nietzsche, Marx...
E veja que a HUMANIZAÇÃO de Jesus feita pelo Espinoza o torna muito mais relevante! Despojá-lo da mitologia faz dele um modelo, uma referência a ser seguida, pois o motivo da construção de mitos vem a ser a alienação das pessoas e o exercício do PODER SOBRE elas (o poder de dominação-submissão). Dito de outra maneira: a obediência baseada no medo suprime o pensamento crítico e produz a submissão. E sabemos, por outro lado, que a o caminho para a LIBERDADE começa com o pensamento crítico.
Pensando numa música, a primeira que me vem à mente: Balada do louco, Os Mutantes, grande Rita Lee... e Arnaldo Baptista, interpretação majestosa de Ney Matogrosso: "Eu posso pensar que Deus sou eu!"(muito Espinosa, pois Deus é natureza, e eu faço parte da mesma).
- TUZA, recentemente tomei conhecimento de uma jovem francesa , possivelmente uma das primeiras feministas da história, no século XVII, que, tendo lido o Tratado de Espinosa, percebeu algo que ele talvez não tenha pretendido. Ela o questionou. Veja:
“- Li seu tratado e percebi algo que talvez não tenha pretendido. Se a autoridade religiosa é questionável por ser baseada em tradição humana em vez de verdade demonstrável, então o que dizer da autoridade masculina sobre mulheres? Você argumenta que governos derivam legitimidade do consentimento dos governados, porém, maridos governam esposas sem qualquer consentimento. Você diz que supressão do pensamento livre é tirania. Mulheres são proibidas de estudar filosofia, teologia, ciências. Suas ideias sobre liberdade de pensamento se aplicam apenas aos homens ou são universais?”
Esta pergunta deixou Espinosa perturbado. Ele havia focado suas críticas em autoridade religiosa e política, mas não havia considerado como seus princípios se aplicariam a relações entre homens e mulheres. Sua resposta foi cuidadosa, mas reveladora:
- “Cara leitora, você identifica uma inconsistência real em meu pensamento. Se a capacidade de raciocinar é o que distingue seres humanos e lhes dá direitos naturais, então essa capacidade não pode ser limitada por gênero. Mulheres que demonstram capacidade intelectual igual a dos homens deveriam ter direitos intelectuais iguais. A exclusão das mulheres do estudo sério é baseada em preconceito tradicional, não em evidência racional. Admito que não havia considerado completamente essas implicações, você me fez um favor intelectual ao apontá-las.”
Essa troca de cartas plantou sementes para desenvolvimentos futuros no pensamento de Espinosa sobre igualdade humana e direitos naturais, veja que interessante...
- Muito chique CAM! Malado! Daora! Talvez o primeiro 'homem feminista', com a característica principal da humildade, não muito própria, culturalmente, nos homens. A humildade, essa primeira de todas as virtudes, a base para todas as outras, segundo André Comte-Sponville, "Pequeno Tratado nas Grandes Virtudes": ..."é o reconhecimento das próprias limitações e o olhar honesto sobre si mesmo".
Assim terminamos - provisoriamente - nossa conversa, que não pode deixar de ser compartilhada, pois pra isso serve a amizade, para as trocas e crescimento mútuo. Não sem antes cantar Beto Guedes, Sol de Primavera:
"A lição sabemos de cor, só nos resta aprender..."
Gratidão querido amigo...
Obrigada a todas as pessoas que nos leem... até a próxima...
Arlindo Domingos da Cruz Filhonasceu em 1958 em subúrbio do Rio de Janeiro e foi criado em Madureira. Aos sete anos ganhou o primeiro cavaquinho. Empolgado com o instrumento, esperava ansioso o pai chegar do trabalho para aprender a tocar. Aos doze já tirava muitas canções de ouvido.
Na juventude, entrou para a escola Flor do Méier, onde estudou teoria, solfejo e violão clássico por dois anos. E já nessa época começou a trabalhar profissionalmente como músico, fazendo rodas de samba com vários artistas, inclusive Candeia. Com ele, gravou seus primeiros discos, um compacto simples, pela gravadora Odeon, e um LP chamado Roda de Samba (hoje encontrado em CD). Em ambos tocou cavaquinho. Ao completar 15 anos foi estudar em Barbacena, Minas Gerais, na escola preparatória de Cadetes do Ar, mas não abandonou a música. Cantava no coral da escola.
Ganhou festivais em Barbacena e Poços de Caldas. Quando deixou a Aeronáutica, passou a frequentar a roda de samba do Cacique de Ramos. Ia todas as quartas-feiras, aprender ao lado de Jorge Aragão, Beth Carvalho, Ubirany, Zeca Pagodinho, entre outros.
Com a saída de Jorge Aragão do Fundo de Quintal, Arlindo Cruz foi convidado a participar do Grupo. Foram, então, 12 anos de trabalho. Neste período, gravou com muitos artistas do pagode e deu as canções Seja sambista também, Só Pra Contrariar, Castelo de Cera, O Mapa da Mina e outras ao Fundo de Quintal.
Em 1993, Arlindo sai do Fundo de Quintal para seguir carreira solo. No mesmo ano, Arlindinho, seu primeiro álbum solo, que contava com doze faixas, foi lançado O álbum Batuques do Meu Lugar, lançado em 2013, foi indicado à categoria de Melhor Álbum de Samba do Prêmio Contigol MPB FM de Música de 2013.
Em meados de 2009, é lançado o DVD e CD duplo MTV ao Vico Arlindo Cruz. Gravado em São Paulo, o projeto já era desejado por Arlindo Cruz desde sua participação no clipe de "Dor de Verdade" (de Marcelo D2) e a gravação do acústico do cantor Zeca Pagodinho. Arlindo ainda afirmou que, mesmo sabendo que a MTV não é uma emissora de música brasileira, ficou satisfeito com o resultado.
Em 2015, ganhou o 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Músico de Samba.
em 2016
Em 17 de março de 2017, o compositor sofre um AVC. Seu quadro era grave, porém estável. Três anos após a enfermidade, Arlindo voltou a falar algumas palavras, demonstrando uma melhora significativa de seu quadro inicial. Em 14 de setembro de 2018, no dia do aniversário de sessenta anos de Arlindo, o filho do músico, Arlindinho, realizou uma apresentação especial no Vibra São Paulo(antigo Credicard Hall.O show teve participação especial de Xande de Pilates, Tuma do Pagode, Leandro Lehar, Leci Brandão e outros.
Arlindo morreu no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 2025 aos 66 anos, de falência múltipla de órgãos em decorrência do AVC hemorrágico que sofreu em 2017 e de pneumonia.
O velório de Arlindo Cruz foi realizado no formato de gurufim no último dia 9 de agosto. A despedida iniciou com atabaques e cantos de candomblé, religião do sambista. Parentes, amigos e fãs estavam de branco, conforme a família havia pedido nas redes sociais. Também teve samba e a presença de personalidades famosas.
Ou seja, o ritual Gurufim celebra A VIDA... É uma tradição afro-brasileira que celebra funerais de forma festiva, misturando música, dança, comida e bebida para homenagear a vida de quem partiu, originada a partir de rituais trazidos pelos africanos escravizados ao Brasil.
A memória de Arlindo Cruz será celebrada em uma missa de sétimo dia hoje (14), às 19h, na Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Arlindinho, seu filho, compartilhou também em seu perfil na internet, nesta quinta, hoje, um vídeo de uma fala antiga do pai falando sobre religião antes de cantar "O bem". O sambista diz: "Acima de qualquer religião, eu defendi o Candomblé agora e já falei sobre minha religião, eu acho que o necessário nesse momento, o que a humanidade está precisando é que se pense e pratique o bem".
Arlindo venceu mais de vinte e seis prêmios, incluindo o 26o Prêmio da Música Brasileira, e é detentor de dezenove disputas de samba-enredo pelas escolas Império Serrano, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos de Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu. Foi indicado ao Grammy Latino cinco vezes, sendo quatro na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode e um na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.
O SBC homenageia esse grande artista nosso, brasileiro por excelência, que resgata nossa ancestralidade através da arte e da cultura. E nos ajuda a celebrar a vida, sempre...
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos acompanham...
Agradecer à vida... agradecer a mim mesma, auto reconhecimento pela minha caminhada na direção da autenticidade, "ser quem eu sonhei pra mim mesma", como disse Agrado, personagem de Almodóvar no filme Tudo sobre minha mãe, falei dessa personagem no lançamento do livro, vejam post de 1 de julho passado...
E agradecer às pessoas que nos reconhecem, nos validam:
- Gratidão à querida Sônia Lacerda Macedo, amiga de formação nos anos 80, fizemos o resgate da nossa amizade após anos de distanciamento, e ela foi nossa assessora de texto, nos empoderando e nos incentivando a seguir em frente;
- Gratidão à querida amiga Ilka Lopes, Ilkinha, que nos ajudou de maneira determinante para a nossa primeira tiragem, com a contrapartida da doação de livros para escolas de ensino médio, um projeto "a cara" do SBC:
Através da nossa amiga SBCense Cristina Oliveira, doamos para a biblioteca da Escola Municipal Professora Eleonora Pierruccetti, no Bairro Cachoeirinha.
Através da Iza, grande SBCense, doamos para a biblioteca da Escola Estadual Maria das Graças Costa, no Parque dos Turistas em Contagem-MG, que nos manda vídeo com alunos e alunas se divertindo - e aprendendo - com a leitura dos livros:
E para a Biblioteca Mauro Vilella, do Colégio Santo Antônio, através da querida Professora de Artes Iolene Di Stefano, nas fotos com a Bibliotecária Fabiana Iugão.
Ainda temos livros para doações. Destinados a alunos e alunas de ensino médio, o livro édividido por temas que permeiam a
nossa cultura: O carnaval, as músicas, samba e choro; preconceitos, sexualidade,
amor, amizade; poemas, músicas, etc...
Todos seguindo uma metodologia TAP –
Teoria, Afeto, Prática
A Teoria vem a ser o que já sabemos
sobre o tema, uma referência de um texto de autores célebres, ou seja, uma
reflexão anterior sobre o assunto;
O “A” de afeto refere-se às emoções
provocados pelo texto em seus leitores. No caso, as pessoas presentes na
discussão (sarau, mesa de bar, reuniões preparatórias de alguma atividade);
P de prática: como a pessoa junta
teoria e afeto na prática ali realizada, uma nova visão a respeito, um conhecimento
novo. Que, por sua vez, será uma nova teoria... e assim se segue o movimento do
conhecimento para a autonomia e o ‘ser sujeito’, atuando enquanto
transformadores da vida, das relações e do mundo.
"Essa metodologia - também
denominamos movimento TAP - provoca reflexões de acordo com as
características do público reunido, de acordo com o problema levantado. E vem a
ser um método bastante eficaz para professores de maneira geral, para ajudá-los
em seu cotidiano de sala de aula. Assim como o caráter didático e conteúdistico
do livro nos anima na perspectiva de maior humanização de nossos jovens", nas palavras da nossa querida Sônia.
Quem souber ou fizer parte de escola interessada faça contato no WhatsApp 31 996362288.
- Gratidão ao querido amigo jornalista Airton Guimarães, por feedbacks preciosos na seleção das crônicas, pelo reconhecimento... e pela contra capa do nosso livro.
- E mais uma doação precisa ser registrada: por ocasião do 40o Festivale em Diamantina, julho passado, tive oportunidade de visitar a Biblioteca Antônio Torres, na rua da Quitanda (a rua da Vesperata) a convite do querido amigo Ronney. E doamos, também, um livro para essa Biblioteca:
- E gratidão a todas as pessoas que nos leem e comentam sobre o livro, assim como nos acompanham no blog... e nos fazem crescer umas com as outras, exercermos a mais preciosa característica do ser humano, as trocas e o crescimento mútuo. Em meu nome e em nome do nosso coletivo SBC.
E os livros estão à venda na Livraria TABOCA DO JEQUI, na Rua Goiás 14 esquina com Rua Bahia, centro de Belo Horizonte, assim como direto com a autora no mesmo Whats acima.
Shows musicais, Mostra de Teatro, Mostra de Cinema, Festival da Canção, Rodas de Conversas, Mostra de Corais, Mostra de Cultura Popular, Rodas com Benzedeiras, Feira de Artesanato e Oficinas... Tudo isso numa semana, Diamantina respirou Arte e Cultura, mais ainda pois a cidade já está plena dessa arte do Vale. Além de tudo, recebeu de braços abertos os festivaleiros que vieram, além das outras cidades do Vale, de todas as Minas Gerais e de todos os outros estados do Brasil.
Oficinas maravilhosas todos os dias desde segunda. Algumas delas: Agentes Culturais, História e Cultura do Vale, ministrada pelo nosso querido Tadeu Martins, bombou; Imersão Canto Coral, outro Tadeu, o Oliveira, de Capelinha; Mulheres que Criam, Imagem Estilo e Marca Pessoal, Raissa Tossi Costa... de argila, de escrita criativa... e tantas outras. Só ouvi ótimos comentários sobre todas as oficinas.
Na quarta, lembrando da nossa primeira participação em Roda de Conversa no Festivale (vejam post de 7 de agosto de 2024: Um dia no FESTIVALE), ano passado em Couto Magalhães, fomos para a Escola de Música Orquestra Jovem no Encontro de Mulheres do Festivale. Desta vez nos surpreendemos com o esvaziamento da Roda e ficamos sabendo que no sábado teria outra Roda extra oficial... estranho... No entanto, as mulheres que participaram fizeram suas reivindicações em relação à participação equânime no Festivale. Foi relatado que em reunião preparatória sobre o evento alguém teria feito a colocação sobre a "qualidade técnica" dos trabalhos das mulheres, o que corresponderia à menor participação... nos questionamos: "qualidade" vista sobre que ótica, a dos homens? são aqueles tipos de micro violências que ouvimos diariamente no nosso mundo machista, misógino... principalmente nós, mulheres que estamos ocupando os espaços. Não 'competindo' com os homens, há espaços para todos e todas, como diz nossa querida Alba. "Nós vamos é 'metendo o cutuvelo', como diz o Caetano", disse outra amiga mulher phoda...
E dessa conversa, depois de reivindicarmos, também, espaços para crianças e adolescentes durante o Festivale, Oficinas para esse público, de Cirandas, Brinquedos e Brincadeiras, por exemplo, com esses espaços e essas oficinas muitas mulheres estariam mais liberadas para uma participação mais efetiva no Festivale, óbvio! ... A Bia, agente cultural que já realiza projetos pela região, nos contou sobre sua vivência com mulheres e o Turismo de Experiência, ou seja, os turistas participarem do processo produtivo, por exemplo "como se faz o requeijão"... e sobre a necessidade de formação de gestores para essas atividades ... e sobre um campo de trabalho e renda para as mulheres da região... Vejam que maravilha esse projeto, ou projetos ... muito trabalho a ser feito, muitas possibilidades a se abrir ... bora arregaçar as mangas ... ideias temos, muitas, e boas...
E saímos da Roda de Mulheres esperançosas ... e curiosas sobre a outra roda que aconteceria no sábado, queremos notícias, nos juntando é que multiplicamos possibilidades...
Enfim, a Noite Literária, na noite de quarta... a ALVA, organizadora da Noite, brilhou... auditório do Centro Universitário UFVJM campus I lotado... Mestre de Cerimônia Gonzaga com muito bom humor e brilhantismo (temos, também, mulheres super competentes para Mestre de Cerimônia, poderia ter rodízio, o que acham?)
A homenageada Carolina Antunes
O nosso livro PRA TUDO TEM UM SAMBA sendo lançado na Noite Literária
"Agora é hora... é a hora do SBC... Samba Bobagem Cerveja, C vai querer ou C vai correr..."
Os 10 poemas concorrentes, cada um mais maravilhoso do que outro...
E os três primeiros colocados na Noite Literária, acima.
Consegui o primeiro lugar, o poema do querido Allef, de Itinga:
Quando eu morrer, me faça ser rio
Allef Heberton
Quando eu morrer,
não me enterre em terra seca,
nem me feche em sete palmos de silêncio.
Não me dê cruz nem flores,
me dê correnteza.
Deixe que eu escorra pelas pedras,
que eu me faça espuma em tua fúria, que eu me dissolva em tua memória,
como os gritos antigos dos que te chamavam de casa.
Quando eu morrer,
me faça ser rio.
Não um qualquer,
quero ser você,
que canta e chora
com a mesma força.
Quero morrer e nascer em tua margem,
ser barranco que desaba no tempo da cheia,
ser barro moldado pelas mãos de uma mulher
que carrega histórias no colo
E bacia na cabeça.
Deixa minha morte ser recomeço,
meu fim ser lavoura nas tuas ilhas férteis.
Deixa meu sangue virar peixes,
minha pele, corrente,
meu coração, maré.
Quando eu morrer,
quero me misturar com os ancestrais,
ser lembrança no assovio do canoeiro,
eco no casco de um barco que parte
sem nunca se perder.
Que minha dor vire semente
nas margens do teu leito,
que minha ausência floresça
nas rezas das lavadeiras,
nos segredos que a água leva
e nunca devolve.
Não chore por mim com olhos secos,
chore como o Jequitinhonha chora em janeiro,
quando a enchente leva, mas também devolve.
Quando eu morrer,
não morrerei por inteiro.
Serei ave que pousa na beira do rio,
serei menino que nada rindo entre pedras,
serei lenda contada à noite,
fogueira acesa no fundo da alma.
Quando eu morrer,
me faça ser rio.
Livre, Doce, Vivo, Eterno.
E consegui, também, um poema maravilhoso que não foi um dos três primeiros:
DO RIO AO MAR, de Vitor Barreto Ribeiro
Mísseis cortam o céu de Gaza
Mísseis hipersônicos, ultrassônicos, ultrajantes
Ultrapassando as paredes das casas
Atravessando corpos infantes
Bombas caem como chuva ácida
Bombas antibunker, teleguiadas, bombas aladas
Alastrando o terror nas cidades
Derramando sangue nas calçadas
É o caos, é o conflito, é a guerra
É a morte em seu passo veloz
É a história que outra vez se repete
É a vítima que torna-se algoz
Erguei-vos filhos de Alá
Que a morte é bem menos que a vida
No horizonte já se avizinha
O findar da incursão genocida
É chegado o tempo vindouro
De alegria e de enorme pujança
Onde baixam bandeiras de guerra
E se hasteia o pendão da esperança
É a ideia, é o anseio, é o sonho
Com o final desse amor reprimido
Com a última lágrima rolada
Com o romper desse grito contido
Gaza, por mim espere
Até que esse horror tenha fim
Até que eu te toque com meus olhos
Gaza, espere por mim
Me espere para que eu ainda possa
Ao cessar-se a sanha assassina
Ver verdejar suas oliveiras
Do rio ao mar, Palestina
Publico estes dois... pois descemos todos para a praça do Mercado, a divulgação do resultado seria lá.. e ficamos aguardando, e conversando sobre a noite. Já tínhamos o que chamamos de Juri Popular, e o poema sobre a Palestina estaria entre os três primeiros, pela emoção que causou em todas as pessoas na platéia. Quando saiu o resultado final ponderamos sobre as perspectivas diferentes dos jurados e da platéia. No primeiro lugar concordamos todos. No entanto queríamos muito que o poema sobre a Palestina estivesse entre os três primeiros, pela sua atualidade e força... sem desfazer de nenhum dos classificados ... Entre aplausos pelo resultado e brincadeiras sobre "protestos", sugerimos a criação do Juri Popular, oportunidade de todas as pessoas darem a sua opinião... e assim terminamos a noite, com o coral Vozes das Veredas, com vinho e amigos e amigas ... e com o show de Érica Timóteo.
Na quinta, sexta e sábado a noite, além das Barracas FESTIVALE Walter Hugo, artesanato maravilhoso de todo o Vale funcionando dia e noite durante todo o Festivale, Feira de Artesanato Mestre Inácio José de Souza Neto, foi a parte do Festival da Canção Saldanha Rolim, 20 músicas selecionadas, todas também maravilhosas, metade delas apresentadas na quinta, outra metade na sexta... e o encerramento do Festivale, com as vencedoras, no sábado. Não posso falar dessa parte pois tive que voltar pra Belo Horizonte... na maior tristeza...
Mas deixo aqui o link no insta do perfil colaborativo do Festivale:
É uma pequena amostra de sete dias intensos... bem vividos...
E o link de uma bela matéria do Tadeu Martins, nosso grande Presidente da ALVA, sobre a história do FESTIVALE:
- Um dia antes da abertura do Festivale, dia 26 de julho, a ALVA - Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha realizou o lançamento do livro JEQUITILETRAS - A literatura do Jequitinhonha.
"Mais do que um livro, JEQUITILETRAS é uma manifesto da força cultural do Vale do Jequitinhonha. Cada página transforma desafios em arte, saudade em palavras e a terra em inspiração, celebrando as memórias coletivas e projetando novas esperanças. ... o volume reafirma a importância da literatura como caminho de resistência e valorização do povo jequitinhonhense."
O lançamento aconteceu com o apoio da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Diamantina. Pela primeira vez o órgão artesanal do século XVIII dessa igreja tocou músicas do Vale, acompanhando a cantora Luciana Vial que interpretou Canção pra Lira de Rubinho do Vale e Erivaldo Nascimento de Jesus em Diamantina em Seresta, lindíssimas, músicas e interpretações.
💓💓💓
- No domingo dia 27 lançamento do livro CAMINHOS E CERCANIAS, de Joaquim Celso Freire, com inauguração da LIVRARIA TERCEIRA FEIRA, pertinho do Mercado Novo de Diamantina:
💖💖💖
Ponto alto da semana, "mais ou menos por fora-por dentro do Festivale", pois faz parte do mesmo, no entanto não estava na programação: o Projeto Com Amor Festivale, autoria do querido Marcus Vinicius, de Itaobim... Visita ao Lar dos Idosos, junto com a turma da Herena, uma lindeza de turma que canta, dança e alegra todo mundo. E junto com nossa mais nova "amiga de infância" Beth Guedes, grande poeta de Diamantina.
💗💗💗
E chegamos ao que temos de mais precioso no SBC, as amizades, a arte de fazer amigos e amigas e amigues ... nível de relação mais preciosa para o SBC, onde aprendemos a praticar a simetria, o dar e receber, a reciprocidade:
- A Nildete, do Lar dos Idosos;
- A Iza, de Campinas ... psi ... "um gambá cheira outro";
- A Alba, grande produtora Cultural do Vale;
- O Roney, da Biblioteca Antônio Torres, doamos um livro para a Biblioteca;
- O Cris, jornalista, conversamos sobre relações humanas;
- A Deyse, grande poeta de Minas Novas;
- O Aníbal, grande poeta de Salinas;
- A Marina Maricota, a Angélica, o Renato Paranhos, lição de humildade, entrava na fila enorme do almoço;
- A Parisina, da Roda de Conversa sobre fios e bordados: "Antes de nós, nossos ancestrais teceram o fio da cura";
- A Dieslen, linda, não me lembro de qual Quilombo, ela me apresentou o museu de Tipografia de Diamantina, um dos únicos no mundo, se não me engano só temos três:
- A Elisa, de Contagem, doçura de pessoa, produtora de "perfumes afetivos":
- E a Beth Guedes, que doce de pessoa, que maravilha de poeta, já a admirava e tive a sorte de conhecê-la pessoalmente e nossas almas se encontraram, "amigas para sempre".
Enfim, sou uma pessoa de muita sorte... sorte de pertencer ao coletivo SBC... sorte de encontrar amigos e amigas pela vida...
Gratidão... até a próxima conversa SBCense... abraços carinhosos