- E aí Contardo! Você quer ser feliz ou quer uma vida interessante? Esse questionamento pode eliciar uma "virada de chave"... lembra quando conversamos sobre a diferença entre o movimento da "cobra que morde o rabo" e o movimento de "virar a chave"? Foi nos nossos posts de 21.julho e 23.julho.2022, vale a pena rolar até lá e ler de novo, foi isso que fizemos... e rolamos mais... e encontramos boas dicas de filmes e livros sobre o assunto.
- Pois bem... entendemos que o "ser feliz" - e nossa sociedade nos compele a esse movimento - parece com o "cobra que morde o rabo", ou seja, cada vez mais nos distancia de nós mesm@s e nos faz cair no buraco dos "padrões desejados", dos nossos papéis sociais, papéis de gênero, visão de mundo...e tudo mais que nos "enquadram" em modelos pré estabelecidos... não é isso Contardo?
- Por outro lado, quando - por algum motivo, uma crise, um livro, um filme, um poema, uma conversa que elicia um processo de reflexão - começamos a "virar a chave" - não sem sofrimento, como diria Freud... porém focando o "quem queremos ser", ou buscando "o ser livre", a "construção da identidade" - começamos o que um SBCense disse sobre o nosso processo de humanização, o processo de nos transformarmos em sujeitos - pois nosso mundo não deseja nem alimenta sujeitos, nos deseja objetos, reprodutores de "tudo que está pronto".
É preciso ter coragem... de "andar no escuro de olhos bem abertos"! Ou, como ouvi há algum tempo de um adolescente, era uma letra de um rock:
"A verdade
Que você quer saber
Sempre está
Dentro de você"!
- Contardo, vimos o filme O Sentido da Vida, de 2022, direção de Nicholas DiBella. É a história de Ali Spencer, uma bela e popular adolescente com um futuro incrível. Ela está no topo das melhores da escola como presidente do conselho estudantil, capitã do time de futebol, namorada do cara mais bonito da escola e melhor amiga do grupo unido de garotas "it" que definem a hierarquia social da escola. Através da orientação de sua mãe, ultra bem-sucedida organizadora de eventos, Ali mantém as melhores notas e, recentemente, recebeu uma bolsa de estudos integral para a Brown University. Tudo está indo exatamente como planejado - no roteiro dos "padrões" - até que um acidente de carro a tira de sua memória, sua identidade e, potencialmente, seu futuro.
E aí é que o filme começa: Ali voltando para casa, depois do acidente. Ao mesmo tempo em que Ali tenta descobrir quem ela é, nós, espectadores, também vamos tentando entender suas escolhas... e as nossas... Qual o fim que teremos sendo aquilo que não queremos ser, sendo as imposições que nos são dadas desde que nascemos? Sem Spoiler: No filme, um amigo de Ali, recente e improvável para a Ali anterior ao acidente, mostra a ela, de uma forma sutil e delicada, um provável "destino" que ela poderia ter, o mesmo da Emily.
E o que poderemos ser se formos aquilo que queremos? Será que a família realmente é confiável a ponto de querermos mostrar quem queremos ser? Será que nos apoiaria? Ou nos colocaria como um troféu atingindo aquilo que querem que sejamos? Família, essa instituição que, também, através dos seus representantes (pais, avós, tios(as)), nos "ensinam" a buscar a perfeição, a serviço do que "eles querem que sejamos"... a psicanálise nos ensina, por outro lado, a "humanizar nossas famílias", não é Contardo?
E não viver aquilo que queremos nos traz sérias consequências, Contardo! E aquilo que queremos da vida - e na vida - não está pronto, não está dado... Como disse uma SBCense, por exemplo, sobre o "destino de toda mulher": "Pode ser verdade o que nos ensinaram, que ser esposa e mãe nos realizaria... mas a sacanagem é que não é SÓ!"... A vida pode ser muito mais interessante se não for só, não é isso Contardo? Mas somos nós que temos que procurar - ou construir - o 'a mais'... ou, talvez, o "ao invés de"!
Este é um filme para adolescentes de todas as idades, pois nos permite - se somos adolescentes - a prospecção de construir nosso "sentido da vida"; ou - se, cronologicamente, não somos mais adolescentes - fazer uma retrospectiva da própria vida... e refazê-la, reconstrui-la... há tempo para tudo... Assim é a vida: uma construção diária de escolhas, boas ou não.
Viver é difícil, dá trabalho, exige coragem para "andar no escuro"... mas é divertido essa construção. E descobrimos, Contardo, que a mesma energia que "gastamos" na construção do que queremos ser - parece que não, mas acredite! - é a mesma que "gastamos" sendo o que "os outros" querem que sejamos! É o mesmo esforço... tanto para o movimento da 'cobra que morde o rabo' - o esforço para ser o que o outro quer que eu seja, a cobrança do desempenho, da perfeição - como para "arregaçar as mangas" e fazer o movimento de "virar a chave".
Quanto mais cedo na vida compreendermos isso será melhor para nós. Encontramos um livro infantil, que também serve para todas as idades, assistam:
Quem já ouviu a frase: "Não foi para isso que te criamos!", na tentativa de te colocar 'nos trilhos'? Por outro lado, quem nunca teve medo? de cair, de voar para o desconhecido? Comece pelos pequenos passos... para encontrar o seu sentido da vida.
E, quando ela, a protagonista de O Sentido da Vida, Ali Spencer, desiste de se lembrar do passado e busca formar 'novas memórias', se descobre poeta. E, no final do filme, ela dedica um poema a seu amigo - que ótimo que o filme não termina com aquele previsível "final feliz", o amor romântico, aquele que me salva de tudo e dá sentido à minha vida... isso é uma mentira que nos contaram, e que nos fazem cair no buraco dos padrões!!!
"É FÁCIL AMAR A LUZ
E O QUE PODE SER VISTO A OLHO NU
DIFÍCIL É ABRAÇAR A ESCURIDÃO
SEM SABER SE VOCE ATINGIRÁ O ALVO.
VOCE DIZ QUE O PASSADO É CONHECIDO
E O FUTURO INVISÍVEL,
EU DIGO QUE A HISTÓRIA É UM MISTÉRIO
E O FUTURO É ONDE NOS SENTIMOS LIVRES
AME A LUZ.. E O QUE ELA PODE SER..."
E ela termina - e nós, também, Contardo - com abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem - com uma CARTA PARA EU NO FUTURO:
"QUANTO VOCE SENTIR AS COISAS ESMAGADORAS
TENHA FÉ
LEMBRE-SE DE QUE VOCE É CAPAZ DE MUITO MAIS DO QUE IMAGINA
A Morte de Ivan Ilitch é uma novela de Leon Tolstói, publicado pela primeira vez em 1886. Considerada uma das obras-primas da literatura, foi escrita logo após sua conversão religiosa do final da década de 1870.
O livro começa por narrar o velório. Depois, retorna no tempo para mostrar como Ivan Ilitch, um juiz respeitado, conhece a sua esposa, com quem se casa por dinheiro e pela sua beleza. Após lhe ser apresentada a proposta de se tornar juiz em outra cidade, Ivan Ilitch compra um apartamento para si, sua mulher e o casal de filhos que têm. Ivan muda-se primeiro e inicia as obras para decorar o apartamento da maneira que lhe agradava, mas cai e se fere na região do rim. Nesse ponto, Ivan Ilitch acredita ter contraído uma doença - que no entanto em momento algum é diagnosticada -, a qual gira sempre em torno de um rim ou intestino doente. Surge, então, a grande alavanca da narrativa: a continuidade da vida ou a morte.
À medida que o tempo passa, o ferimento agrava-se, até que a personagem atinge o ponto de não poder mais sair de casa: quando tenta ir trabalhar, não é mais capaz de desempenhar as suas funções adequadamente. Restrito ao ambiente familiar, passa a acreditar que em sua casa vive uma mentira, e que a sua família o esconde dos amigos. O seu único prazer é a companhia do filho, de apenas 14 anos, e de um criado seu, por entender que ambos jamais o enganariam.
Ivan Ilitch quer morrer, porque será o término da sua dor e da vida de mentiras em que acredita viver, mas o seu instinto de sobrevivência insiste em fazê-lo lutar pela vida, e ele interroga-se: "que tipo de vida quer ter?" O personagem inicia, então, um longo processo de busca pelo sentido da vida, durante o qual percebe terem sido poucos os momentos da sua existência que possuíam significado. Decisões, buscas, gestos, palavras, todas as respostas e necessidades foram-lhes impostas pelo meio social em que nasceu. Quando está prestes a morrer, despede-se da família.
Um trecho significativo, que provocou nossa reflexão:
"Talvez eu não tenha vivido como deveria", ocorreu-lhe de repente. "Mas como, se eu sempre fiz o que era esperado de mim?"
Daí começou nossa conversa sobre O SENTIDO DA VIDA. Como sempre, trouxemos para a roda nossas reflexões, junto com lembranças de filósofos, escritores, poetas e músicos e cineastas que nos acompanham nas nossas conversas, a arte nos provocando e nos fazendo refletir:
Contardo Luigi Calligaris (1948-2021)foi um renomado escritor, psicanalista e dramaturgo italiano radicado no Brasil. Ele nos brinda com seu livro "O Sentido da Vida". Entregue pelo autor poucos dias antes de sua morte, reúne três textos breves, e muito potentes, sobre a obrigação da felicidade, o “morrer bem” e o sentido da vida. Ele brincava, nas suas entrevistas, sobre o contraste entre uma "vida feliz" (padrões de sucesso...) e uma "vida interessante" (sair dos padrões...). Com uma linguagem única, Calligaris transita entre memórias de infância, experiências clínicas e observações sobre arte, história e a Bíblia para abordar temas tão particulares quanto universais. A obra póstuma e inédita de um dos maiores pensadores do país conta ainda com o prefácio do único filho do autor, o cineasta Max Calligaris. O sentido da vida é um livro para aqueles que se atentam, se arriscam e se aventuram verdadeiramente pela vida.
"A questão do sentido da vida é simples: o sentido da vida é a própria vida concreta. A que vivemos e da qual faz parte também morrer".
Friedrich Nietzsche em 1875
Calligaris nos reporta imediatamente ao já conhecido "SBCense" Nietzsche, já o nomeamos SBCense desde 2013, leiam nosso post de 2 de abril daquele ano.
Para Nietzsche "a vida não tem nenhum sentido dado, pronto e acabado", o que precisamos fazer é perder o medo dessa falta de sentido da vida e, nós mesm@s, construirmos esse sentido. E ele nos dá a dica: busquemos o sentido da vida no "gosto" mesmo por ela, amemos a realidade tal como ela nos apresenta, ou seja, para ele, o sentido da vida está no estético, na arte - a arte como meio para transcender os limites da existência.
"A vida deve ser uma obra de arte!"
A arte era uma das principais formas de transcendência para Nietzsche. Ele via a criação artística como uma maneira de superar os limites da existência humana e de expressar a vontade de poder.
Para ele, a arte era uma forma de criar novos valores e de encontrar um sentido pessoal na vida. Ele acreditava que a arte era capaz de transformar a vida e de nos ajudar a encontrar um propósito mais elevado.
Em resumo, as ideias de Nietzsche sobre a busca pelo sentido da vida são profundas e provocativas. Ele nos convida a questionar os valores tradicionais e a buscar um propósito pessoal que seja autêntico e criativo. Através da vontade de poder, do perspectivismo - "tudo depende do ponto de vista" - e da arte, podemos transcender os limites da existência humana e encontrar um sentido mais elevado na vida.
O quadro a seguir nos faz um resumo do senso comum sobre Nietzsche (os mitos, ou seja, as "verdades fake" sobre o mesmo) e outra forma mais verdadeira de vê-lo que amplia a nossa compreensão - e humanização - do mesmo:
Mito
Verdade
Nietzsche acreditava que a vida não tinha sentido.
Nietzsche não acreditava que a vida não tinha sentido, mas sim que o sentido da vida não era algo dado, mas sim algo que cada indivíduo deveria criar para si mesmo.
Nietzsche era um niilista.
Nietzsche não era um niilista, pois ele acreditava que a vida tinha valor, mas que esse valor deveria ser criado pelo indivíduo, por cada um de nós.
Nietzsche acreditava que a felicidade era o objetivo final da vida.
Nietzsche não acreditava que a felicidade era o objetivo final da vida, mas sim que o objetivo final era a realização do potencial humano e a superação de si mesmo.
Nietzsche era um pessimista.
Nietzsche não era um pessimista, mas sim um crítico da cultura e da moralidade de sua época, que ele via como limitadoras da liberdade e da criatividade humana. Duas grande mulheres brasileiras, com obras maravilhosas sobre nosso SBCense, vale a pena ver seus vídeos e/ou lê-las. São elas:
Viviane Mosé é uma poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicou sua tese de doutoradoNietzsche e a grande política da linguagem em 2005.
A professora Scarlett Marton, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e mestra em Filosofia pela Université Paris, entre outros livros sobre nosso SBCense, lançou no Brasil no ano passadoNietzsche e as mulheres: Figuras, imagens e tipos femininos, onde analisa as reflexões do escritor alemão sobre o gênero feminino e as relaciona com temas centrais do seu pensamento, como o experimentalismo, a crítica da metafísica e a luta contra o dogmatismo. "As reflexões do filósofo Friedrich Nietzsche sobre as mulheres não têm um lugar marginal em sua obra; elas não se reduzem a preferências pessoais e, menos ainda, a desvios eventuais".
Nietzsche, para nós SBCenses, dialoga com outro SBCense famoso, brasileiro, o Rosa:
Assim como também com o grande poeta, dramaturgo, ator e maior escritor inglês William Shakespeare (1564 -1616)
"O mundo é um palco" (também referido em português como "O mundo inteiro é um palco"; no original em inglês: "All the world's a stage") é a frase que começa um monólogo de William Shakespeare em As you like It, falado pelo melancólico Jaques no Ato II, Cena VII. O discurso compara o mundo a um palco e a vida a uma peça (que nós mesm@s escrevemos):
Voltando à filosofia contemporânea, se discute bastante atualmente o "adoecimento" do nosso século, marcado pelo avanço tecnológico, pelas descobertas científicas, pelas discussões sobre o meio ambiente e o aquecimento global, assim como por guerras que veem se perpetuando e se acirrando cada vez mais, para alguns e algumas de nós, numa demonstração da necessidade de, urgentemente, construirmos um novo "modelo de mundo", pois o que temos pode estar nos levando à nossa própria destruição.
Por isso a necessidade de reflexão sobre a vida e o viver... Algumas pessoas dizem de um dos efeitos danosos da nossa "sociedade do desempenho" (ser perfeito, ser o melhor), assim como da nossa "sociedade do consumo":
a obrigação de "preencher todos os vazios", o que gera nossa desumanização.
Explicando: faz parte da nossa humanidade o vazio, as imperfeições, o mundo não se resume em "bem e mal" (e nós somos o bem... e o mal deve ser exterminado triste aprendizagem). Mas, sim, o mundo pode ser visto de outra maneira: não estática, e sim em movimento... e nós nos vermos na nossa humanidade, imperfeita, nos construindo sempre, e também, sempre, pensando e agindo na direção de um mundo melhor, mais simétrico e fraterno, de relações mais bonitas.
Não sendo assim, não fazendo o esforço, necessário e diário na direção de ressignificarmos o VAZIO, corremos o sério risco de cair no maniqueísmo, na necessidade de controle de tudo.
Torna-se fundamental para a vida o reconhecimento do nosso desamparo, o acolhimento da nossa transitoriedade, "viver é dançar sobre o abismo". Dito de outra forma: o sofrimento faz parte da nossa humanidade, querer evitá-lo a todo custo nos leva ao "consumismo": consumimos TUDO, sexo, amor, relações... a fim de preencher o vazio.
Então... nossa "doença" vem a ser essa "aprendizagem" que temos de preencher o vazio, preencher todos os espaços: com comida, com bebida, com distração, com trabalho ... até o desespero, a estafa, esgotamento, o burnout, síndrome tão comum nos nossos dias.
Por outro lado, se deparar com o vazio, olhar para ele, pode significar o descobrimento do sentido da vida! Este vem a ser o VAZIO EXISTENCIAL NECESSÁRIO... necessário à nossa humanização.
Freud também já falava disso há cerca de cem anos: nossa sociedade é construída a partir da "evitação do sofrimento" e não da "busca do prazer" como orientação de vida. Repercute numa grande diferença pautar a vida pela evitação do sofrimento e pautar a vida na busca do prazer. Na evitação do sofrimento criamos o medo do vazio; na busca do prazer aprendemos pelos sentidos que o sofrimento, o vazio, também passa... e retomamos nosso sentido da vida. Portanto, de alguma forma, aprendemos a "perder o medo do vazio... inclusive ele pode ser bastante revelador.
Vejam como o conceito de amor que aprendemos e reproduzimos, nos vários níveis de relação, tem relação com a "proteção" de quem amamos... "protegemos" nossos amores, nossos filhos, por exemplo, do vazio, do sofrimento... e lhes causamos muito mal com esse tipo de amor! Proteger os filhos - e as pessoas que amamos - das dores do existir, das frustrações, dos sofrimentos, significa negá-los da construção das suas humanidades... pois essas dores fazem parte do humano. O que podemos fazer é estar juntos com eles, lhes fazer companhia... assim eles aprenderão a construir o sentido da vida.
Quem nos ensina o vazio como revelador? o grande poeta austríaco, também há cerca de cem anos, Rainer Maria Rilke.
Numa dessas cartas ele aborda a tristeza como uma espécie de rito de passagem, uma necessidade do corpo, uma "doença" que às vezes requer sua indução para que se possa entender suas razões, compreender a melancolia e, acima de tudo, enfrentá-la de peito aberto. Ou seja, a tristeza é reveladora, enfrente-a!
E nos causa perplexidade o como nossa sociedade "evoluiu", de cem anos pra cá, no sentido do individualismo, do consumismo, das relações assimétricas, de "poder sobre", de exploração, em todos os níveis... uma sociedade que tem como base a perpetuação de uma corrente de exploração, que caminha no sentido da reificação, onde o dinheiro ganha vida e o ser humano se transforma em objeto (consumista e de consumo)... pensem conosco: último século, guerra mundial, imperialismo pós guerra, neoliberalismo, fanatismo religioso, outras guerras do imperialismo, até agora (e a indústria armamentista lucrando horrores)... agora voltem a antes da guerra, ou ao que provocou a guerra: o fascismo como política - ou regime histórico - está no mundo desde anos 30... e foi combatido (e "destruído"); porém, o fascismo como modelo comportamental atravessa - e continua atravessando - a todos e todas nós... passa pelo raciocínio maniqueísta; pelo medo (ódio - destruição) do diferente; pela busca da verdade absoluta; pela busca da perfeição desumanizadora...
Refletimos: a HUMILDADE é a primeira de todas as virtudes. E também fizemos o exercício de "esperançar", resgatando Paulo Freire. Sim, ver tudo, não ter medo de ver... e fazer um pouco a cada dia no sentido da construção possível de uma sociedade mais humana... isso vem a ser o movimento do preenchimento dos vazios...
O movimento para a "irmos saindo desse adoecimento" passa por, além de "permitirmos o vazio", nos "juntarmos"... reunirmos, para conversar sobre isso tudo; para rir da gente mesmo... e para construirmos a possibilidade de um mundo melhor, mais simétrico, em todos os níveis de relação.
Nas relações íntimas, afetivo-sexuais, mas servindo para todos os níveis de relação, uma SBCense nos mandou um "quase poema":
Eu me perguntei:
Por quem me apaixono?
- Pela possibilidade da construção de um amor...
Um amor de encontro de desejos...
De trepar,
De conversar
De construir um mundo mais bonito
... Coisas que (ainda) não são por que não tem cabimento num mundo tão assimétrico...
Por último, lembramos de um filme e de um livro que nos apontam saídas, construídas, como tudo no humano:
O filme VIVER, de 1952, do grande cineasta japonês Akira Kurosawa
Kanji Watanabe (Takashi Shimura) é um veterano burocrata que há décadas trabalha diariamente fazendo nada na Prefeitura. Ao descobrir que está com câncer no estômago, ele decide dar um sentido à sua até então desperdiçada vida. Veja comentário sobre o filme no site LEITURA FILMICA:
E o livro "O amor como Revolução", lançado em 2019:
O pastor Henrique Vieira reflete sobre o poder renovador do amor, que se traduz em atitudes generosas com o próximo e que pode ser uma força poderosa na construção de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos.
"O amor não é destino, sorte e não pode ser uma idealização, ele é acima de tudo um caminho que se percorre, uma decisão e uma forma de se viver."
Pastor da Igreja Batista do Caminho, ator, poeta, professor, militante dos direitos humanos, ex-vereador, agora Deputado Federal, HENRIQUE VIEIRA nasceu em 1987, em Niterói. Formado em teologia, ciências sociais e história, estuda a arte da palhaçaria e é membro do conselho deliberativo do Instituto Wladimir Herzog.
"O amor como revolução é um desafio necessário em nossos tempos, é um chamado para transformarmos o amor em atitudes concretas que ultrapassam nossa própria existência".
Enfim, acreditamos que criando espaços de acolhimento e escuta dos afetos, em todos os níveis de relação podemos ir recuperando - ou construindo - o que se podemos chamar de AFETOS SOCIAIS,: que vem a ser a alegria de estarmos junt@s, de compartilhar... e que podem superar o individualismo, a competitividade, a ânsia por desempenho, o medo do vazio e a falta de sentido para a vida.
E, para terminar, lembramos de outro grande SBCense: Oscar...
A propósito do dia das crianças - e da vida - nosso grande GONZAGUINHA:
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem e nos ouvem...
Começamos o sarau com perguntas, com o objetivo de instigar, promover reflexão: lembram de alguma vez você ter lutado por seus direitos? isso foi em que plano de relação? na família, casal? e enquanto cidadão e cidadã, você já lutou por seus direitos? Apenas uma auto-análise...
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a lei fundamental e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as demais espécies normativas, situando-se no topo do ordenamento jurídico.
Dai nos situamos historicamente:
O Dia da Constituição Brasileira é celebrado em 25 de março em referência à data da edição da primeira Constituição do Brasil, outorgada pelo imperador Dom Pedro I em 24 de março de 1824.
No entanto, nossa última constituição foi aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988. Pode ser considerada a sétima ou a oitava constituição do Brasil e a sexta ou sétima constituição brasileira em um século de república. Então, estamos comemorando, hoje, 35 anos da constituição cidadã, essa de 1988, que ficou conhecida assim por ter sido concebida no processo de redemocratização, iniciado com o encerramento da ditadura militar no Brasil (1964–1985). É composta por 250 artigos, sendo a segunda maior constituição do mundo, depois da constituição da Índia.
Continuamos um pouco mais na história: Desde 1964 o Brasil estava sob uma ditadura militar, e desde 1967 (particularmente subjugado às alterações decorrentes dos Atos Institucionais) sob uma Constituição imposta pelo governo federal. O regime de exceção, em que as garantias individuais e sociais eram restritas, ou mesmo ignoradas, e cuja finalidade era garantir os interesses da ditadura, internalizados em conceitos como segurança nacional, restrição das garantias fundamentais, torturou e executou opositores. Durante o processo de abertura política, o anseio por dotar o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores democráticos. Anseio que se tornou necessidade após o fim da ditadura militar e a redemocratização do Brasil, a partir de 1985.
Com a nova constituição, o direito maior de um cidadão que vive em uma democracia representativa foi conquistado: foi determinada a eleição direta para os cargos de Presidente da República, Governador do Estado e do Distrito Federal, Prefeito, Deputado Federal, Estadual e Distrital, Senador e Vereador. A carta magna de 1988 é exaltada por ter restabelecida a democracia.
E... nesse contexto pensamos nosso sarau:
DIREITOS? QUAIS TEMOS? OS DIREITOS SÃO IGUAIS NO NOSSO PAIS? E OS EXCLUIDOS? A POPULAÇÃO DESPROVIDA DE DIREITOS, ONDE OS DIREITOS SÃO NEGADOS...
Lembramos do Marco temporal, dos direitos dos povos originários...Direitos dos negros... Direitos das mulheres... Direito ao aborto...direitos dos LGBTQIA+...Direito à Educação ... Existe para todos e todas no nosso país?
LEMBRAMOS TAMBÉM DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS - ECA ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE... DOMINGO FOI A VOTAÇÃO PARA CONSELHEIRO TUTELAR... QUEM VOTOU? SABEM O QUE ACONTECE? OS E AS CONSELHEIRAS CONSERVADORAS SE SERVEM DA RELIGIÃO PARA IMPOR CONDUTAS, EM VEZ DE DEFENDER O ESTATUDO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE...
ENFIM, nosso convite...
VAMOS CONSTRUIR NOSSO SARAU?
PRIMEIRO, CONVIDAMOS TRÊS PESSOAS PARA LEREM AQUI UM CORDEL SOBRE A CONSTITUIÇÃO QUE A NOSSA QUERIDA SBCense Simone encontrou pra nós, o cordel é da Sirlia Souza de Lima, educadora do Rio Grande do Norte. Não pode ser copiado, por isso não imprimimos, vamos lê-lo no celular.
Continuamos com um pouco de história: A Antonieta Shirlene, grande SBCense, e também historiadora não pôde vir mas nos mandou material muito bacana. Destacamos:
1. Direitos humanos
E se te perguntassem: qual é o principal direito da pessoa humana?
O direito à vida é o principal direito garantido a todas as pessoas , sem nenhuma distinção ,sendo este o mais importante, já que sem ele os demais ficariam sem fundamento.
E em relação à constituição de 1988, quais seriam os principais artigos ?
O Artigo 5° da Constituição Federal é
bastante importante pois trata dos direitos e garantias fundamentais.
Neste artigo são definidos os direitos básicos do cidadãos brasileiros, como a igualdade perante a lei, a liberdade de expressão, a inviolabilidade do domicílio, a liberdade religiosa, entre outros. Outro artigo importante é o artigo 205 que trata sobre a educação. Neste artigo a Constituição Cidadã
estabelece que a educação é um direito de todos e dever do Estado família, será promovida a incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Na verdade ,quando a gente lê o artigo 205 onde a educação é um direito de todos e um dever do Estado devemos lembrar que nem todas as crianças e adolescentes têm, de fato, este direito garantido.
No Brasil a educação vem cada vez mais sendo mercantilizada e monopolizada por grandes grupos financeiros que querem, antes de tudo, grandes lucros nas bolsas de valores. Este "ataque "a educação iniciou-se no ensino superior e vem se estendendo
para o ensino básico (fundamental e médio ). Isto na verdade faz com que apenas a elite brasileira tem acesso a uma educação de qualidade "visando o pleno desenvolvimento da pessoa" como diz o artigo 205 da Constituição.
Nesse artigo também há de se destacar a particularidade quando se lê: "preparo para o exercício da cidadania."
Vemos na nossa sociedade, um grande ataque aos direitos do cidadãos. A cultura sofre cada vez mais ataques homofóbicos, racistas e misóginos. Fazendo com que "o preparo para a cidadania" seja apenas uma retórica.
2. E por falar em direitos...
Um dos principais direitos é o direito à vida consequentemente à alimentação.
Nossa querida Clarice Lispector já escrevia uma crônica muito interessante sobre o assunto. Vou transcrevê-la para que a gente possa refletir sobre o assunto.
" Daqui a 25 anos"
Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a 25 anos. Nem daqui a 25 minutos, quanto mais 25 anos. Mas a impressão- desejo desejo é a de que num futuro não muito remoto compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação econômica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Aqui a 25 anos o povo terá falado muito mais.
Mas se não sei prever, posso pelo menos desejar. Posto intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva resolva: o da fome.
Muitíssimo mais depressa porém ,do que em 25 anos, porque não há mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crianças são verdadeiros moribundos que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal é a miséria quis isso se justificaria ser decretado o estado de prontidão , como diante de calamidade pública Só que é pior: a fome é a nova endemia, já está fazendo parte orgânica do corpo e da alma. E, na maioria das vezes, quando se descreve as características físicas, morais e mentais de um brasileiro, não se nota que na verdade se estão descrevendo os sintomas físicos, morais e mentais da fome. Os líderes que tiverem como meta a solução econômica do problema da comida serão tão abençoados por nós como, em comparação, o mundo abençoará os que descobrirem a cura do câncer."
Clarice Lispector
16 de setembro de 1967
3. Carta de um nativo a Cabral:
Olá seu Cabral!
Não sei se digo que é um prazer conhecer você. Sinto que daqui para frente algumas coisas não vão correr tão bem como até agora.
Nós, povos originários desta terra, que vocês estão denominando a partir de agora de Brasil estamos bastante surpresos e um tanto quanto assustados com tamanha violência que vocês têm tratado os nossos irmãos.
Antes da chegada de todos vocês, nós vivíamos em paz e em harmonia com a nossa mãe natureza. Tirávamos dela apenas o que nós necessitávamos para nossa sobrevivência. Nunca matamos um animal ou derrubamos uma árvore se isso não fosse extremamente necessário a nossa sobrevivência.
Infelizmente percebemos que com vocês por aqui as coisas são bastante diferentes... Vocês matam os animais, derrubam as florestas, poluem nossos rios e tudo isto por interesses meramente econômicos. Vocês não se preocupam nem mesmo com o futuro da própria humanidade.
O que vocês acham que vai acontecer depois que rios, florestas e animais tiverem desaparecido da Terra depois de tanta exploração?
É o fim da raça humana seu Cabral .
Não que eu queira me estender muito nesta singela carta, mas prevejo que daqui a mais ou menos 523 anos vocês ainda vão querer nos tirar o direito de permanecermos nas nossas próprias terras.
É isso mesmo seu Cabral?
Terá que acontecer um julgamento onde um tal de STF irá declarar que todas as terras independentemente de antes ou depois da Constituição de 1988 pertence às comunidades originárias.
Isso parece mais um pesadelo.
Como assim a terra não nos pertence?
Estávamos aqui antes
mesmo de vocês navegadores chegarem.
Este tal de" Marco Temporal" não é nada mais nada menos do que uma piada de mal gosto.
Cabral, você sabe o que que é Marco Temporal?
Marca o temporal é uma tese defendida por ruralistas estabelecendo que a demarcação de uma terra indígena só pode ocorrer se for comprovado
que os indígenas estavam sobre o espaço requerido em 5 de outubro de 1988 quando a atual constituição foi promulgada .
Vocês estão rindo da nossa cara não é?
E ainda vai ter mineradores, seringueiros e agroexportadores que vão defender uma barbaridade dessas.
P.S.:
Espero que eu esteja enganado: ainda teremos muita luta pela frente.
Até mais ver seu Cabral.
Nos encontramos nos campos de batalha.
Obrigada querida Antonieta!
Em relação aos direitos das chamadas minorias, que estão longe de serem minorias:
Recebemos Um poema de Ricardo Nêggo Tom, que conta a história de negros com orgulho de sua pele. Nossa querida Flávia Leão falou o poema:
Negro – O poema
ESSA É A HISTORIA DE UM CARA LIGEIRO
SAGAZ E FACEIRO. GUERREIRO QUE CANTA O AMOR.
E TRAZ NOS OLHOS BRILHO VERDADEIRO
INSTINTO CERTEIRO QUE NUNCA FALHOU
QUE TEM ORGULHO DA COR DA SUA PELE
E QUE NINGUEM ESPERE ELE SE HUMILHAR
O NÊGO É “TU” E NÃO ACEITA ONDA
E CONTRA O MAL QUE RONDA ELE VAI LUTAR.
COMEU DO PÃO SERVIDO RASTEIRO
APANHOU PRIMEIRO ANTES DE SE VINGAR
QUEBROU CORRENTES, ABRIU CATIVEIROS.
E SE FOI FORASTEIRO, FOI PRA SE SALVAR.
SUBJULGADO, O QUISERAM POBRE.
SUA ALMA NOBRE ALGUÉM QUIS LHE NEGAR
MAS FEZ UM ACORDE DO SOM DA CHIBATA.
E COM O SEU CANTO MATA QUEM QUIS LHE MATAR
DORMIU NO TRONCO E SONHOU PESADELOS
TODOS OS SEUS APELOS ALGUÉM IGNOROU
SERVIA AO AMO COM DEVIDO ZÊLO
E LHE ARRANCAVAM OS PÊLOS SEM NENHUM PUDOR
MAS NA ESSÊNCIA TEM A POESIA
O AMOR QUE ALFORRIA, A ALEGRIA DE VIVER.
E TIRANDO UM DÓ DO PEITO AMARGURADO
FAZ OUVIR CALADO QUEM LHE FEZ SOFRER
VIROU A PÁGINA E MOSTROU PRO MUNDO.
QUE APESAR DE TUDO ELE VAI RESISTIR
AINDA TENTAM LHE PASSAR RASTEIRA
MAS ISSO É BOBEIRA. ELE NÃO VAI MAIS CAIR
O SANGUE QUENTE ALIVIA O CORTE
E ATÉ A MORTE FEZ LHE ETERNIZAR
E MANDA EM SOL MAIOR HARMONIZADO
UM BEIJO SINCOPADO PRA TE LIBERTAR
ESSA É A HISTÓRIA DAQUELE POETA QUE NÃO SEGUE A SETA
ESCOLHE PARA ONDE IR
E MESMO QUE NÃO ENCONTRE A PORTA ABERTA
UM DIA ELE ACERTA. ELE NÃO VAI DESISTIR.
SUA CANÇÃO NÃO SE PERDE NO VENTO
MAS SEU PENSAMENTO VOA SEM PARAR
E FAZ DO SEU SORRISO UM CONTRATEMPO
QUE QUEBRA O ANDAMENTO DE QUEM LHE FAZ CHORAR.
E tivemos a grata surpresa da presença, no nosso sarau, do poeta dos becos, nosso querido ALVAIR (que já é SBCence...), e nos brindou com algumas poesias de sua autoria, uma delas a seguir:
Outra minoria que não é minoria:
Nós, as mulheres...
Este poema se chama Mônica, foi gravado com música em 1985 pela Ângela RoRo
Comentamos: triste pensar que a realidade da mulher não melhorou quase nada nesse sentido de 85 pra cá...
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Outro grupo de pessoas que merecem nossa lembrança sobre direitos: LGBTQIA+, ESSA SOPA DE LETRINHAS.
Outra pessoa que nos brindou com um poema do Marighella, Carlos Marighella guerrilheiro, poeta e político brasileiro que lutou contra a ditadura militar no Brasil. Ele escreveu vários poemas (Canto para Atabaque, Canto da Terra, Liberdade, Rondó da liberdade, entre outros...)
Liberdade
Não ficarei tão só no campo da arte, e, ânimo firme, sobranceiro e forte, tudo farei por ti para exaltar-te, serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te dominadora, em férvido transporte, direi que és bela e pura em toda parte, por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma, que não exista força humana alguma que esta paixão embriagadora dome. E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome”
Lembramos que Marighella foi deputado federal constituinte de uma outra Constituição democrática no Brasil: promulgada em 18 de setembro de 1946, após a deposição de Getúlio Vargas em 1945. O texto, elaborado pela Assembleia Constituinte, restabeleceu direitos individuais e políticos, a independência dos três poderes, a autonomia dos estados e municípios e a pluralidade partidária. A Constituição de 1946 manteve o regime republicano de governo e a forma federativa de Estado. Além disso, confirmou presidencialismo como forma de governo.
A Constituição de 1946 foi revogada em 1967, após o golpe militar de 1964 que instaurou uma nova ditadura no país. Os militares editaram o Ato Institucional nº 4, que convocou o Congresso Nacional para elaborar uma nova Constituição sob sua supervisão. A nova Carta Magna, promulgada em 24 de janeiro de 1967, ampliou os poderes do Executivo, restringiu as liberdades civis e políticas e fortaleceu o regime autoritário.
... A propósito da constituição lembramos outros direitos... E a propósito do mês de outubro, dia da criança, do professor e professora:
Ano 1990, dois anos depois da constituição, foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente, também um grupo de pessoas que precisam ser protegidos pelo Estado, pelo amor das deusas e deuses, não por qualquer crença religiosa.
E tivemos uma surpresa: uma grande professora presente ao nosso sarau, Ciça Gus, afetada com o tema, nos brindou com a leitura de um livro infantil que é um "poema" em homenagem às crianças, em especial às MENINAS NEGRAS, e às professoras e professores:
Outro grupo que merece a proteção do Estado:
os idosos - A lei 10.741. de 2003, também conhecida como Estatuto da pessoa idosa...
(acho que foi a nossa querida Cris que declamou este poema...ou foi a Iza? ou teria sido a Rosa? me perdi...... de qualquer maneira, obrigada às queridas SBCenses que participaram, recitando poemas ou somente ouvindo ... e obrigada também ao querido Thiago, nosso anfitrião na COMUNA CULTURAL)
Paulo Leminski
quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
Enfim...Lembrar isso tudo... pra não esquecer...
Pequena memória para um tempo sem memoria, música de 1981 de Gonzaguinha
Memoria de um tempo onde lutar por seus direitos, é um defeito, que mata!... aqui lembrada pelo nosso Sérgio PERERÊ:
E vamos a luta!!!
Obrigada pela presença de todas as pessoas... abraços carinhosos