quarta-feira, 10 de junho de 2026

CINECLUBE JUNHO: BRASIL E CUBA

 Ontem, dia 09 de junho 2026, nosso cineclube... no espaço do nosso partido, Av. Amazonas, centro de Belo Horizonte, espaço pequeno, para mais ou menos vinte pessoas, espaço aberto, suprapartidário. Ontem  já tivemos dez pessoas, metade do espaço já contemplado... Como diz uma amiga, quando oferecemos arte e cultura -  a oportunidade de bons debates e ampliação de visão de mundo - a frequência é "de grão em grão"... Mas 'arregaçamos as mangas' e vamos em frente...

Com presenças de amigos e amigas, pessoas novas que se encantam e abraçam a proposta, e isso também nos fortalece e nos envolve.

Já tínhamos planejado o  documentário CUBANAS - MULHERES EM REVOLUÇÃO. Disponível no YouTube, esse filme de Maria Torrellas  trata das mulheres cubanas que atuaram tanto na luta guerrilheira como com a chegada da Revolução até a atualidade. 

Pelo documentário desfilam testemunhos e vivências de heroínas como Vilma Espin, Celia Sánchez e Haydée Santamaria que foram fundamentais na Revolução. O documentário faz um percurso que chega até o presente  resgatando mulheres de diversas áreas e idades para colher seus testemunhos de vida e expor novamente quanto significou para elas se alimentarem dos valores criados a partir do final da década de 1950.

Assim surgem vozes e imagens de trabalhadoras, médicas, cientistas, artistas e militantes sociais e políticas . Através de todas elas vão surgindo temas históricos e atuais que vão desde a alfabetização nos anos 60 ao desenvolvimento da educação em todas as épocas, a tenaz resistência ao bloqueio, a solidariedade, a intensa batalha cultural e até o alvoroço das marchas LGBTI em defesa da diversidade sexual. 

"As mulheres, antes do triunfo da revolução, não tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas analfabetas".

"Vivenciar o país, caminhar pelas ruas de Havana e outras cidades, conversar com o povo trazem uma convicção: Nesses 60 anos, a organização e a luta das mulheres cubanas é um dos pilares de resistência e continuidade da revolução"...

E por aí foram nossas reflexões...


Embora já tivéssemos planejado esse filme, a propósito do lançamento recente do streaming brasileiro TELA BRASIL - nossa NETFLIX, com mais de 500 filmes longas, médias e curtas - para abrir nosso evento levamos um curta de 1989 do diretor brasileiro Jorge Furtado. ILHA DAS FLORES, uma ácida
crítica à desigualdade social e à sociedade de consumo. O filme acompanha o ciclo de vida de um tomate - desde a plantação até ser descartado no lixo - para expor como pessoas em extrema pobreza sobrevivem catando restos de alimentos nos lixões. Como um soco no estômago, destaca uma realidade cruel: a falta de dinheiro e a lógica do sistema econômico fazem com que restos de comida rejeitados até para a alimentação de porcos acabam sendo o único sustento de famílias necessitadas. Enfim, o filme desconstrói o conceito de valor, mostrando como a ausência de recursos coloca os seres humanos em uma condição inferior à dos animais.

E o que nos surpreendeu é que esse curta está entre os 10 mais vistos! O mesmo pode ser assistido na Tela Brasil ou no YouTube, mas vale a pena se inscrever no nosso streaming e assistir grandes - e pequenos, e médios, sempre ótimos -  filmes brasileiros, que falam sobre nossa história, nossa cultura e nosso povo. 

Em seguida aos dois filmes, tivemos nossa roda de conversa, sempre com a metodologia - ou movimento - TAP Teoria Afeto Prática, que nos conduz a boas reflexões e propostas. Algumas pessoas que já estiveram em Cuba desde dez anos atrás até recentemente fizeram seus depoimentos e ligações com o filme, a invisibilidade das mulheres e a importância e valor desse protagonismo...

E 'puxamos' a reflexão para a educação como mola propulsora para o 'sermos sujeitos', protagonistas, exercermos a cidadania.

E 'concluimos' provisoriamente: o primeiro filme (Ilha das Flores) fala sobre o sistema capitalista, onde o dinheiro ganha vida, controla absolutamente tudo, e os seres humanos perdem a condição de sujeitos, se tornam objetos, abaixo do humano. E o socialismo, como tudo no humano, não pronto e acabado mas sempre em movimento... no sentido da construção de um mundo mais equânime, mais justo, mais distributivo. Concluimos ainda: a ignorância é um "projeto político", uma estratégica de dominação. Por que nos mantém alienados... a ignorância sobre nossa história, sobre nossa identidade (quem somos nós), sobre nossos direitos. A ignorância provoca, entre outras coisas, o individualismo, o imediatismo, a falta da consciência de classe.

E para falamos um pouco mais sobre o movimento de "ir saindo" da ignorância, nos conhecendo, nos apropriando da nossa história e agindo no sentido da construção de nossa identidade, nossa proposta para próximo sarau, julho, vem a ser um filme sobre a história do Brasil antes de 1.500, pois o Brasil, definitivamente, não foi 'descoberto', essa nossa terra e nosso povo já existiam de forma muito rica. Foi, sim, colonizado - nossos corpos e cabeças (espíritos) - a partir de 1.500. 

Então... vamos?

Abraços carinhosos a todas as pessoas que compartilham das nossas reflexões, virtual e presencialmente.

Santuza TU

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