Fizemos nosso cineclube na terça passada, dia 12.maio, com o filme CABRA MARCADO PARA MORRER. Bastante impactante. Na verdade são dois filmes, o primeiro deles em preto e branco, de 1964, foram resgatados pequenos trechos desse filme. E em 84, o diretor Eduardo Coutinho retoma o documentário, incluindo aqueles trechos de 64.
O filme é sobre a vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 62.
Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 64. O engenho da cidade de Galileia foi cercado por forças policiais. Parte da equipe foi presa sob a alegação de "comunismo", e o restante dispersou-se.
O trabalho foi retomado 17 anos depois, recolhendo-se depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também da viúva de João Pedro, Elizabeth Altino Teixeira, que desde dezembro de 1964 vivera na clandestinidade, separada dos filhos. Reconstruiu-se assim a história de João Pedro e das Ligas camponesas de Galiléia e de Sapê. Ou seja, Vinte anos depois foram reunidos os mesmos técnicos, locais e personagens reais para contar - ou recontar - esta história.
Na conversa sobre o filme, coisas que nos afetaram:
. Galiléia, o nome da cidade! e os filhos do João Pedro e da Elizabeth, são nomes bíblicos. Isso chamou muito a atenção da nossa participante que conhece muitíssimo sobre a Palestina, sua história e a situação atual dessa região tão "cruelmente disseminada";
. A história do Brasil na década de 60: João Goulart, Presidente no início dessa década, falava sobre a reforma agrária. Foi deposto por golpe militar em 64. Ainda hoje pouco se fala sobre reforma agrária no Brasil.
. Por último, não menos importante, as 'mulheres invisibilidadas', quase sempre, quase todas nós... No caso A Elizabeth Teixeira, que já foi nossa homenageada no sarau NOSSAS MULHERES. Mulheres brasileiras, conhecemos tão pouco, como construímos nossa identidade, 'quem somos nós', se não nos conhecermos e, por consequência, nos admirarmos?
Elizabeth Altino Teixeira nasceu em Sapé em 13 de fevereiro de 1925, está agora com 101 anos.
Enfrentou a família de pequenos proprietários ao se casar com João Pedro Teixeira, trabalhador sem terra e negro. Ao lado dele, militou nas Ligas Camponesas na Paraíba. Em 1962, após o assassinato do companheiro, assumiu a liderança da organização no município de Sapé. Em diversas ocasiões foi presa. Numa de suas voltas para casa, descobriu que a filha mais velha, Marluce, havia cometido suicídio, acreditando que a mãe havia sofrido o mesmo destino que o pai. Com o golpe militar de 1964, teve que passar para a clandestinidade, adotando o nome de Marta Maria Costa e se refugiou em São Rafael (Rio Grande do Norte), com o filho Carlos.
Permaneceu clandestina até 1981, quando foi encontrada pelo cineasta Eduardo Coutinho, que retomou as filmagens de seu documentário Cabra Marcado para Morrer. Foi morar em João Pessoa, numa casa que ganhou de Coutinho.
Foi homenageada com o Diploma Bertha Lutz e a Medalha Epitácio Pessoa.
A casa onde viveu com João Pedro, em Sapé, foi tombada e destinada a abrigar o Memorial das Ligas Camponesas, em 2011.
E assim terminamos nosso encontro, já pedindo licença para, no nosso próximo cineclube, exibir um filme sobre mulheres cubanas... e aprender com elas o valor do coletivo ... e da luta por direitos e por igualdade.
Até lá, abraços carinhosos,
Santuza TU
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