Muitíssimo bem recebido pelo querido Peixe (sobrenome Frito... já eleito nosso DJ) e querida Vitória, que nos ajudaram a colocar nossos varais de mulheres maravilhosas, inclusive nós... E o estandarte NOSSAS MULHERES ficou na porta, recebendo as pessoas... foi lindo...
Começamos pedindo licença para apresentar uma música que não é de mulher brasileira, pois o sarau NOSSAS MULHERES seria somente de mulheres brasileiras. Porém a Nina Simone merece estar entre nós com a música Ain't Got No, I Got Life. Trata-se de um hino de resiliência que contrasta a falta de bons materiais com a celebração da vida e da liberdade. Essa música de 1968, celebra a identidade e a força interior. E é a música de HAIR, musical que todas as pessoas dessa época assistiram - e se inspiraram - pelo menos as de espírito transgressor.
Eu Não Tenho / Eu Tenho VidaNão tenho casa, não tenho sapatos Ain't got no home, ain't got no shoes
Não tenho dinheiro, não tenho classe Ain't got no money, ain't got no class
Não tenho saias, não tenho casacos Ain't got no skirts, ain't got no sweaters
Não tenho perfume, não tenho amor Ain't got no perfume, ain't got no love
Não tenho fé Ain't got no faith
Não tenho cultura Ain't got no culture
Não tenho mãe, não tenho pai Ain't got no mother, ain't got no father
Não tenho irmão, não tenho filhos Ain't got no brother, ain't got no children
Não tenho tias, não tenho tios Ain't got no aunts, ain't got no uncles
Não tenho amor, não tenho importância Ain't got no love, ain't got no mind
Não tenho país, não tenho escolaridade Ain't got no country, ain't got no schooling
Não tenho amigos, não tenho nada Ain't got no friends, ain't got no nothing
Não tenho água, não tenho ar Ain't got no water, ain't got no air
Não tenho cigarros, não tenho um franguinho Ain't got no smokes, ain't got no chicken
Eu não tenho Ain't got no
Não tenho água Ain't got no water
Não tenho amor Ain't got no love
Não tenho ar Ain't got no air
Não tenho Deus Ain't got no God
Não tenho vinho Ain't got no wine
Não tenho dinheiro Ain't got no money
Não tenho fé Ain't got no faith
Não tenho Deus Ain't got no God
Não tenho amor Ain't got no love
Então o que eu tenho? Then what have I got
Por que mesmo eu estou viva? Why am I alive anyway?
Sim, inferno Yeah, hell
O que eu tenho What have I got
Ninguém pode tirar de mim Nobody can take away
Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça I got my hair, got my head
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas Got my brains, got my ears
Tenho meus olhos, tenho meu nariz Got my eyes, got my nose
Tenho minha boca Got my mouth
Eu tenho I got my
Eu tenho a mim mesma I got myself
Tenho meus braços, minhas mãos I got my arms, got my hands
Tenho meus dedos, tenho minhas pernas Got my fingers, got my legs
Tenho meus pés, tenho dedos nos pés Got my feet, got my toes
Tenho meu fígado Got my liver
Tenho meu sangue Got my blood
Eu tenho uma vida I've got life
Eu tenho vidas! I've got lives
Tenho dores de cabeça, e de dente I've got headaches, and toothaches
E tenho horas ruins, assim como você And bad times too like you
Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça I got my hair, got my head
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas Got my brains, got my ears
Tenho meus olhos, tenho meu nariz Got my eyes, got my nose
Tenho minha boca Got my mouth
Eu tenho o meu sorriso I got my smile
Eu tenho a minha língua, meu queixo I got my tongue, got my chin
Meu pescoço e meus seios Got my neck, got my boobs
Meu coração, minha alma Got my heart, got my soul
E minhas costas Got my back
Tenho meu sexo I got my sex
Tenho meus braços, minhas mãos I got my arms, got my hands
Meus dedos, minhas pernas Got my fingers, got my legs
Tenho meus pés, tenho dedos nos pés Got my feet, got my toes
Tenho meu fígado Got my liver
Tenho o meu sangue Got my blood
Eu tenho vida I've got life
Eu tenho minha liberdade I've got my freedom
Ohhh Ohhh
Eu tenho a vida! I've got life!
E nossa querida Antonieta, organizadora deste sarau junto com a querida Luciana, apresentou a convidada especial desse evento, grande Edvalda. Ela falou de si mesma, da sua vida, da sua luta, da sua caminhada... E lembramos - e cantamos - Geraldo Vandré
Chegou a vez da nossa querida Luciana.
ESCREVO PARA RESPIRAR MELHOR
Acima um pedacinho da crônica A JANTA ESTÁ PRONTA, do livro PARA DIMINUIR A FEBRE DE SENTIR. Dalva fala das pequenas narrativas do cotidiano, as crônicas, presentes em "Para diminuir a febre de sentir", primeiro livro publicado pela autora. Os temas abordados são família, amizade, sororidade, mulheres que inspiram sua escrita, vida no interior, e muito mais.
Dalva diz: "Virginia Woolf escreveu um teto todo seu, onde ela fala: "Uma mulher precisa de um teto todo seu e quinhentas livras para escrever ficção". Mas Anzaldua fala o contrario, esqueça o quarto só pra si, escreva no banheiro, escreve enquanto você lava roupa, escreve enquanto lava a casa, sinta as palavras ecoando no seu corpo”. Virginia Woolf tem razão. Mas lembro que meu lugar social, que minha historia está muito mais próximo de uma Anzaldua, de uma Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, do que de uma mulher branca, britânica, europeia."
Teve mais Dalva, só quem estava lá pôde assistir... e terminamos Dalva com Emicida e Vanessa da Mata, pois toda a escrita da Dalva é sobre família, particularmente MÃE... e estamos perto do dia das mães, não é? Já começamos nossas homenagens...
Não me lembro a ordem das homenageadas, portanto vou citar agora a grande Conceição Evaristo. Nossa querida Lu (ou teria sido Antonieta😕😏) falou muito bem dessa mineira maravilhosa. Aqui um resumo
E nossa ultima homenageada, Cristiane Sobral...
é uma multiartista, atriz, escritora, dramaturga e poeta brasileira.
Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. Um ano depois chega a Brasília e começa a atuar em grupos de teatro no ambiente estudantil e monta a peça Acorda Brasil. Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Atuou no curta A dança da Espera, e em diversos espetáculos teatrais; Protagonizou e concebeu os espetáculos: Uma Boneca no Lixo, premiado em 1999 pelo Governo do Distrito Federal e dirigido por Hugo Rodas; Dra. Sida, premiada pelo Ministério da Saúde em 2000 e no I, II e III Ciclo de Dramaturgia Negra realizado em Brasília e Porto Alegre.
Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros; e Cadernos Negros “Black Notebooks”, edição bilíngue com volumes em prosa e poesia editados nos Estados Unidos. A seguir, participa da antologia crítica Literatura e afrodescendência no Brasil (2011), ao lado de 99 outras autoras e autores negros brasileiros dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. Por fim, em 2018, integra a coletânea Encontros com a poesia do mundo. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Mestre em Artes (UnB) com pesquisa sobre as estéticas nos teatros negros brasileiros e ênfase no ensino de artes. Membro da Academia de Letras do Brasil seção DF onde ocupa a cadeira 34 e do Sindicato dos Escritores do DF.
Em 2010, lança sua primeira publicação individual, Não vou mais lavar os pratos. Seu segundo livro – Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção, de 2014, apresenta narrativas curtas voltadas para os dramas cotidianos da juventude negra e periférica. Em 2014, a autora publica Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, em que retoma seu projeto de uma poesia afro-brasileira empenhada em tocar nas mazelas do racismo estrutural presente entre nós. Em 2016, retoma sua veia narrativa com os contos de O tapete voador, para, no ano seguinte, brindar seus leitores com mais um volume de poesia – Terra negra. Este último tem destacada sua "cadência cênica" pela prefaciadora Elisa Lucinda, para quem "tem cor esse livro, tem batuque na elegância rítmica deste falar."
Temas da sua escrita: Os modos de ser e de viver da população negra, suas tradições, sua subjetividade, a sexualidade, o erotismo, a relação com as religiões de matriz africana e afro-brasileiras. O homem, a mulher, a infância, a maternidade, os paradoxos sociais, as possibilidades de ruptura de padrões e modelos estabelecidos, o corpo negro.
"Para pensar sobre o corpo negro, é preciso se lembrar dos corpos não negros. De que corpo negro estamos falando? O corpo negro surge como uma criação do colonizador, é um corpo desumano, desprovido de alma. Ora, o corpo é uma manifestação da consciência, não existe fora das relações com outros corpos. Um corpo se cria a partir da construção do outro, do que significa para o outro. A cultura patrimonial brasileira decreta que negros não têm a posse dos seus corpos, podem ser violentados, explorados, subalternizados. As relações sociais e a visão que o homem e a mulher negra têm de si mesmo nascem contaminadas por essa genética social.".
Foi a última homenageada da programação. Mas já no PALCO ABERTO pedi licença para apresentar uma outra mulher negra maravilhosa, que acabei de conhecer:
Luiza Mahin
Africana guerreira, teve importante papel na Revolta dos Malês, na Bahia. Além de sua herança de luta, deixou-nos seu filho, Luiz Gama, poeta e abolicionista. Pertencia à etnia jeje, sendo transportada para o Brasil, como escrava. Outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu à luz um filho que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista. O pai de Luiz Gama era português e vendeu o próprio filho, por dívida, aos 10 anos de idade, a um traficante de escravos, que levou para Santos.
Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX. Participou da Grande Insurreição, a Revolta dos Malês, última grande revolta de escravos ocorrida na Capital baiana em 1835. Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África. Luiz Gama escreveu sobre sua mãe: “Sou filho natural de uma negra africana, livre da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto, sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa”.
E continuou o PALCO ABERTO, com poemas da nossa querida Ana - Ana Luiza Apgaua, mais homenagens à nossa convidada especial, que transbordava alegria, obrigada querida Edvalda... e muita coisa mais. Além de ótimas conversas, tudo que o SBC adora... terminamos com o Peixe e nossos agradecimentos aos queridos Ernane e Clara, que não puderam estar presentes - quinto mês de gravidez, uma menina!!!
Nosso próximo sarau já marcado no Andu, dia 4 de junho, feriado Corpus Christi, conversaremos sobre a nossa cidade e suas mulheres, o processo de gentrificação - . sabem de que se trata? - nos bairros, especialmente a região da Lagoinha ... e também em Santa Tereza.
Até lá, abraços carinhosos às pessoas que nos seguem
Santuza TU









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