sexta-feira, 8 de maio de 2026

NOSSO SARAU DE MAIO NO ANDU DE DOIS

Muitíssimo bem recebido pelo querido Peixe (sobrenome Frito... já eleito nosso DJ) e querida Vitória, que nos ajudaram a colocar nossos varais de mulheres maravilhosas, inclusive nós... E o estandarte NOSSAS MULHERES ficou na porta, recebendo as pessoas... foi lindo...

Começamos pedindo licença para apresentar uma música que não é de mulher brasileira, pois o sarau NOSSAS MULHERES seria somente de mulheres brasileiras. Porém a Nina Simone merece estar entre nós com a música  Ain't Got No, I Got Life. Trata-se de um hino de resiliência que contrasta a falta de bons materiais com a celebração da vida e da liberdade. Essa música de 1968, celebra a identidade e a força interior. E é a música de HAIR, musical que todas as pessoas dessa época assistiram - e se inspiraram - pelo menos as de espírito transgressor.

Eu Não Tenho / Eu Tenho Vida


Não tenho casa, não tenho sapatos Ain't got no home, ain't got no shoes

Não tenho dinheiro, não tenho classe 
Ain't got no money, ain't got no class

Não tenho saias, não tenho casacos 
Ain't got no skirts, ain't got no sweaters

Não tenho perfume, não tenho amor 
Ain't got no perfume, ain't got no love

Não tenho fé 
Ain't got no faith

Não tenho cultura Ain't got no culture

Não tenho mãe, não tenho pai Ain't got no mother, ain't got no father

Não tenho irmão, não tenho filhos Ain't got no brother, ain't got no children

Não tenho tias, não tenho tios 
Ain't got no aunts, ain't got no uncles

Não tenho amor, não tenho importância 
Ain't got no love, ain't got no mind

Não tenho país, não tenho escolaridade Ain't got no country, ain't got no schooling

Não tenho amigos, não tenho nada Ain't got no friends, ain't got no nothing

Não tenho água, não tenho ar 
Ain't got no water, ain't got no air

Não tenho cigarros, não tenho um franguinho 
Ain't got no smokes, ain't got no chicken

Eu não tenho 
Ain't got no

Não tenho água Ain't got no water

Não tenho amor Ain't got no love

Não tenho ar Ain't got no air

Não tenho Deus 
Ain't got no God

Não tenho vinho 
Ain't got no wine

Não tenho dinheiro 
Ain't got no money

Não tenho fé 
Ain't got no faith

Não tenho Deus 
Ain't got no God

Não tenho amor 
Ain't got no love

Então o que eu tenho? Then what have I got

Por que mesmo eu estou viva? Why am I alive anyway?

Sim, inferno Yeah, hell

O que eu tenho 
What have I got

Ninguém pode tirar de mim 
Nobody can take away

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça I got my hair, got my head


Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas 
Got my brains, got my ears

Tenho meus olhos, tenho meu nariz 
Got my eyes, got my nose

Tenho minha boca 
Got my mouth

Eu tenho 
I got my

Eu tenho a mim mesma 
I got myself

Tenho meus braços, minhas mãos I got my arms, got my hands

Tenho meus dedos, tenho minhas pernas 
Got my fingers, got my legs

Tenho meus pés, tenho dedos nos pés 
Got my feet, got my toes

Tenho meu fígado 
Got my liver

Tenho meu sangue 
Got my blood

Eu tenho uma vida I've got life

Eu tenho vidas! 
I've got lives

Tenho dores de cabeça, e de dente I've got headaches, and toothaches

E tenho horas ruins, assim como você 
And bad times too like you

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça I got my hair, got my head

Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas 
Got my brains, got my ears

Tenho meus olhos, tenho meu nariz 
Got my eyes, got my nose

Tenho minha boca 
Got my mouth

Eu tenho o meu sorriso 
I got my smile

Eu tenho a minha língua, meu queixo I got my tongue, got my chin

Meu pescoço e meus seios 
Got my neck, got my boobs

Meu coração, minha alma 
Got my heart, got my soul

E minhas costas 
Got my back

Tenho meu sexo 
I got my sex

Tenho meus braços, minhas mãos I got my arms, got my hands

Meus dedos, minhas pernas Got my fingers, got my legs

Tenho meus pés, tenho dedos nos pés 
Got my feet, got my toes

Tenho meu fígado 
Got my liver

Tenho o meu sangue 
Got my blood

Eu tenho vida I've got life

Eu tenho minha liberdade I've got my freedom

Ohhh Ohhh

Eu tenho a vida! I've got life!


E nossa querida Antonieta, organizadora deste sarau junto com a querida Luciana,  apresentou a convidada especial desse evento, grande Edvalda. Ela falou de si mesma, da sua vida, da sua luta, da sua caminhada... E  lembramos - e cantamos - Geraldo Vandré


Chegou a vez da nossa querida Luciana. 
E ela apresentou a Dalva Maria Soares:

Mineira de Baldim, Doutora em antropologia social, pela UFSC, é autora de 'para diminuir a febre de sentir('2020), 'do menino' ( 2021), 'Me ajuda a olhar' ( 2023) e 'tempo das águas' ( 2025),  todos pela editora Popular.  E por que ela escreve?

ESCREVO PARA RESPIRAR MELHOR

Acima um pedacinho da crônica A JANTA ESTÁ PRONTA, do livro PARA DIMINUIR A FEBRE DE SENTIR. Dalva fala das pequenas narrativas do cotidiano, as crônicas, presentes em "Para diminuir a febre de sentir", primeiro livro publicado pela autora. Os temas abordados são família, amizade, sororidade, mulheres que inspiram sua escrita, vida no interior, e muito mais.

Dalva diz: "Virginia Woolf escreveu um teto todo seu, onde ela fala: "Uma mulher precisa de um teto todo seu e quinhentas livras para escrever ficção". Mas Anzaldua fala o contrario,  esqueça o quarto só pra si, escreva no banheiro, escreve enquanto você lava roupa, escreve enquanto lava a casa, sinta as palavras ecoando no seu corpo”. Virginia Woolf tem razão. Mas lembro que meu lugar social, que minha historia está muito mais próximo de uma Anzaldua, de uma Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, do que de uma mulher branca, britânica, europeia."

Teve mais Dalva, só quem estava lá pôde assistir... e terminamos Dalva com Emicida e Vanessa da Mata, pois toda a escrita da Dalva é sobre família, particularmente MÃE... e estamos perto do dia das mães, não é? Já começamos nossas homenagens...


Não me lembro a ordem das homenageadas, portanto vou citar agora a grande Conceição Evaristo. Nossa querida Lu (ou teria sido Antonieta😕😏) falou muito bem dessa mineira maravilhosa. Aqui um resumo

Conceição Evaristo nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, Minas Gerais, em uma família humilde. Filha de Joana Josefina Evaristo, lavadeira, e criada também pelo padrasto Aníbal Vitorino, Conceição cresceu em uma comunidade periférica e trabalhou como empregada doméstica durante a infância e adolescência, enquanto estudava em escolas públicas. Aos sete anos, passou a morar com tios, o que possibilitou melhor acesso à educação.

E, segundo opiniões do SBC, o mais bonito poema da Conceição foi interpretado pelas queridas Ana e Angela, mais novas SBCenses, pois como falamos nossa seleção para ser incluída no SBC é "quando o olho brilha". 
Ana Luiza Apgaua, grande escritora, levou um livro seu para sorteio. Obrigada pela presença, querida!
Angela Maria,  grande artista, estará no Teatro Marília no dia 13 de maio próximo das 15 as 17h com a peça RUA DO POVO DA RUA. Sigam @companhiadeteatrobh

E nossa ultima homenageada, Cristiane Sobral...

é uma multiartista, atriz, escritora, dramaturga e poeta brasileira.

Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. Um ano depois chega a Brasília e começa a atuar em grupos de teatro no ambiente estudantil e monta a peça Acorda Brasil. Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Atuou no curta A dança da Espera, e em diversos espetáculos teatrais; Protagonizou e concebeu os espetáculos: Uma Boneca no Lixo, premiado em 1999 pelo Governo do Distrito Federal e dirigido por Hugo Rodas; Dra. Sida, premiada pelo Ministério da Saúde em 2000 e no I, II e III Ciclo de Dramaturgia Negra realizado em Brasília e Porto Alegre.

Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros; e Cadernos Negros “Black Notebooks”, edição bilíngue com volumes em prosa e poesia editados nos Estados Unidos. A seguir, participa da  antologia crítica Literatura e afrodescendência no Brasil (2011), ao lado de 99 outras autoras e autores negros brasileiros dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. Por fim, em 2018, integra a coletânea Encontros com a poesia do mundo. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Mestre em Artes (UnB) com pesquisa sobre as estéticas nos teatros negros brasileiros e ênfase no ensino de artes. Membro da Academia de Letras do Brasil seção DF onde ocupa a cadeira 34 e do Sindicato dos Escritores do DF.

Em 2010, lança sua primeira publicação individual, Não vou mais lavar os pratos. Seu segundo livro – Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção, de 2014, apresenta narrativas curtas voltadas para os dramas cotidianos da juventude negra e periférica. Em 2014, a autora publica Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, em que retoma seu projeto de uma poesia afro-brasileira empenhada em tocar nas mazelas do racismo estrutural presente entre nós. Em 2016, retoma sua veia narrativa com os contos de O tapete voador, para, no ano seguinte, brindar seus leitores com mais um volume de poesia – Terra negra. Este último tem destacada sua "cadência cênica" pela prefaciadora Elisa Lucinda, para quem "tem cor esse livro, tem batuque na elegância rítmica deste falar."


Temas da sua escrita: Os modos de ser e de viver da população negra, suas tradições, sua subjetividade, a sexualidade, o erotismo, a relação com as religiões de matriz africana e afro-brasileiras. O homem, a mulher, a infância, a maternidade, os paradoxos sociais, as possibilidades de ruptura de padrões e modelos estabelecidos, o corpo negro.

"Para pensar sobre o corpo negro, é preciso se lembrar dos corpos não negros. De que corpo negro estamos falando? O corpo negro surge como uma criação do colonizador, é um corpo desumano, desprovido de alma. Ora, o corpo é uma manifestação da consciência, não existe fora das relações com outros corpos. Um corpo se cria a partir da construção do outro, do que significa para o outro. A cultura patrimonial brasileira decreta que negros não têm a posse dos seus corpos, podem ser violentados, explorados, subalternizados. As relações sociais e a visão que o homem e a mulher negra têm de si mesmo nascem contaminadas por essa genética social.".

Foi a última homenageada da programação. Mas já no PALCO ABERTO pedi licença para apresentar uma outra mulher negra maravilhosa, que acabei de conhecer:


Luiza Mahin

Africana guerreira, teve importante papel na Revolta dos Malês, na Bahia. Além de sua herança de luta, deixou-nos seu filho, Luiz Gama, poeta e abolicionista. Pertencia à etnia jeje, sendo transportada para o Brasil, como escrava. Outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu à luz um filho que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista. O pai de Luiz Gama era português e vendeu o próprio filho, por dívida, aos 10 anos de idade, a um traficante de escravos, que levou para Santos.

Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX. Participou da Grande Insurreição, a Revolta dos Malês, última grande revolta de escravos ocorrida na Capital baiana em 1835. Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África. Luiz Gama escreveu sobre sua mãe: “Sou filho natural de uma negra africana, livre da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto, sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa”. 

E continuou o PALCO ABERTO, com poemas da nossa querida Ana - Ana Luiza Apgaua, mais homenagens à nossa convidada especial, que transbordava alegria, obrigada querida Edvalda... e muita coisa mais. Além de ótimas conversas, tudo que o SBC adora... terminamos com o Peixe e nossos agradecimentos aos queridos Ernane e Clara, que não puderam estar presentes - quinto mês de gravidez, uma menina!!! 

Nosso próximo sarau já marcado no Andu, dia 4 de junho, feriado Corpus Christi, conversaremos sobre a nossa cidade e suas mulheres,  o processo de gentrificação - . sabem de que se trata? -  nos bairros, especialmente a região da Lagoinha ... e também em Santa Tereza.

Até lá, abraços carinhosos às pessoas que nos seguem

Santuza TU



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