E no sábado e domingo tivemos o grande encontro dos Vales no Mercado de Origem Santa Tereza. Com Saraus e grandes apresentações musicais no sábado, no entanto, o dia mais que especial foi o domingo: a posse dos novos integrantes da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha. A nova Acadêmica Titular, querida Marli Froes, escritora, poeta, ensaísta, de Montes Claros morando agora em Diamantina; os acadêmicos Eméritos e, em seguida, os Acadêmicos Correspondentes...
E eu lá!!! Recebendo carteirinha e diploma de Acadêmica!!! das mãos do nosso querido Tadeu Martins e da querida Herena Barcelos, que tanto admiro, de Itinga, Minas Gerais. Eu botei um chapéu que ganhei de um amigo no sábado, não sei se de bruxa ou de gnomo, mais ou menos para me "montar" para subir ao palco. Sim, gente, pois eu estava muito metida... aprendi com minha mãe... precisamos, nós mulheres, aprender a 'mitideza', como se diz em Minas... MITIDA, auto estima ao ponto, 'se sentir merecedora'... nem super metida, arrogante, nem submetida, como querem de nós ... Invisibilizadas, como costumam nos colocar...
Aliás, conversamos nesse mesmo dia, no evento, sobre a necessidade de chegarmos aos 50/50... porque sabemos que não existe ainda os 50/50, não por falta de competência nossa, mas por 'invisibilidade culturalmente determinada'. Penso que teremos homens na ALVA que apoiarão esse projeto... para breve...
Aqui eu com a querida Beth Guedes, também Acadêmica, apresentando nossos livros.
Aqui nossos grandes acadêmicos Deyse Magalhães e Joaquim Celso Freire, apresentadores do evento de posse. E o querido Erildo, muito familiarizado com a IAIA (assim a chamamos no SBC), fez essa "elaboração" pra nos mostrar os lenços (ou gravatas) que, por sinal, foram motivos de muitas "fofocas" no grupo de Whatsapp. Todas e todos nós queremos/precisamos de lenços, gravatas, camisas, vestidos... tudo isso para bem representar a ALVA. Como, numa outra criação do Erildo, acredito eu, "desfilou" nossa linda Alba:
E, na sexta feira anterior a esse maravilhoso evento, tivemos no nosso Bar Taboca uma divertida "recepção" dos acadêmicos novos pelos acadêmicos antigos, patrocinada pelo "jequitinhonhense de coração", querido Chico. Na foto, ao fundo aparece nossa "LIVRARIA TABOCA DO JEQUI", além do nosso varal referente ao projeto NOSSAS MULHERES, saraus todas as primeiras quintas do mês nesse "aconchegante buteco".
Por fim, o domingo terminou com homenagens às mulheres... dia de luta, convocamos todos os homens a se juntarem a nós... E a melhor frase, das tantas que recebi nesse dia, da querida indômita Iza Miranda:
Abraços carinhosos a todas as pessoas que nos leem, até nosso próximo post (ou encontro)...
Não sem antes agradecer nosso diretor musical Carlitos Brasil, pela presença e representação do nosso Coletivo no plantio de mudas na Av. Tereza Cristina na semana anterior à nossa semana agitadíssima.
Então, vamos à nossa semana:
Na quinta feira, nosso primeiro sarau do ano, o projeto caríssimo ao SBC:
NOSSAS MULHERES
Já sabem que nosso carnaval, a cada ano, lança e discute um tema. E em 2017 nosso tema foi: MULHERES DO BRASIL. Conversamos muito sobre IDENTIDADE, o processo de construção, pra vida toda, do "quem sou eu", "quem somos nós". E não conseguimos construir uma identidade autônoma, se não nos conhecemos e não nos admiramos. E nossa presidenta conta que, naquele ano de 2017, ela admirava Frida Kahlo - e ainda admira muito. No entanto ela desenvolveu uma relação de 'amor e ódio' pela mesma. E que, em todos os encontros feministas que ela participava, sempre tinha aquelas lojinhas de lembranças, camisetas, botons... e só tinha Frida!!! E ela chegava na lojinha e perguntava: Por que não tem nenhuma mulher brasileira? e recebeu a resposta: Porque não vende! E ela se indignou com isso, não vende porque não tem ou não tem porque não vende?
E concluimos: nossa cabeça ainda está muito colonizada, nós Brasil e nós Mulheres Brasileiras. Não nos conhecemos, ainda é muito incipiente o conhecimento sobre nossos povos originários, sobre os africanos e africanas que vieram pra cá e ajudaram a construir nosso país... que têm igual (ou maior) importância que os europeus.
Daí esses conceitos são conversados no SBC desde essa época... e se concretizaram - depois do carnaval 2017, com o título NOSSAS MULHERES.
Nossa querida Beth Guedes abriu o sarau - depois de apresentação do SBC e do projeto NOSSAS MULHER$ES. Falou da sua vida e sua trajetória... e do seu empenho em esparramar a poesia por tudo quanto é lugar, desde Curralinho, onde realiza saraus, Diamantina, Belo Horizonte, Brasil..."Amar a poesia é dedicar-se a ela de corpo e alma como missão de vida sensibilizando corações dos leitores famintos de encantos!".
Depois falamos das nossas homenageadas:
Primeiro Carolina Maria de Jesus, mineira de Sacramento (1914-1977), uma das primeiras poetas negras do Brasil. Além de escritora, compositora e cantora.
Mas antes de Carolina tivemos nossa segunda homenageada, que também nasceu em março, em 1822, Maria Firmina dos Reis, no Maranhão, grande autora abolicionista e também compositora:
E nossa terceira homenageada, Ruth Rocha, paulista, escritora infantil, por agora, aos 95 anos, renova seu contrato com a editora, eita sô, assim queremos chegar nessa idade, com essa vitalidade...
"é só continuar ativa e sonhando..." Fizemos exercícios: cheirar, olhar, ouvir, tocar... e nossa querida Antonieta falou sobre seu livro "Marcelo Marmelo Martelo".
E o Chico gravou, vejam no nosso YouTube:
Mas a nossa querida Deyse foi instigada: além de falar sobre outras mulheres invisibilidadas, ela nos fez o carinho de escrever e nos mandar um texto maravilhoso sobre mulheres quilombolas. A seguir, para ler e ficar sabendo dessas mulheres:
Antes de Zumbi, havia mulheres em Palmares
Por Deyse Magalhães
No ano de 2014, viajei para o estado de Alagoas com um objetivo muito específico: além de desfrutar das lindas praias de verdes mares, eu queria conhecer o Quilombo dos Palmares.
Depois de uma verdadeira imersão naquele território quilombola, fui tomada por muitas surpresas como era de se esperar. Percebi que estava entrando em um espaço de história real, uma história que, infelizmente, a escola nunca me ensinou.
Ali deveria ser um lugar de visita obrigatória para professores, pesquisadores e para todos nós, pessoas comuns. Um território que pulsa memória, resistência e sabedoria.
O quilombo foi formado a partir da coragem e da visão de duas mulheres que se encontraram em fuga. A primeira, Aqualtune, uma rainha do Congo escravizada pelos portugueses em 1668, que não aceitou o cativeiro e fugiu pelas densas e desconhecidas matas da Serra da Barriga. Foi ali que encontrou Acotirene, uma mulher indígena que também escapava das constantes perseguições.
Mesmo sem falar a mesma , elas se reconheceram no mesmo propósito: a liberdade.
No alto da serra, de onde se podia observar toda a movimentação ao redor, elas viveram e organizaram um espaço de resistência que mais tarde seria conhecido como o Quilombo dos Palmares.
Aqualtune se destacou por sua liderança, articulação e estratégias de defesa e guerra. Já Acotirene trazia consigo um profundo conhecimento da medicina natural. Era ela quem acolhia, cuidava dos ferimentos, dos maus-tratos dos refugiados e dominava, como poucas, o poder das ervas.
Duas potências femininas que a história muitas vezes anulou ,talvez por serem mulheres.
Por isso, é preciso compreender a formação do Quilombo dos Palmares muito antes de Zumbi. Dentre três gerações de comando, Ganga Zumba filho de Aqualtume , liderou o quilombo e por fim Zumbi seu neto que pertence à terceira geração dessa história de resistência.
Palmares nasceu das mãos, da coragem e da sabedoria de mulheres.
Aqualtune e Acotirene não são apenas personagens esquecidas do passado. São símbolos de uma força feminina que resistiu ao cativeiro, às perseguições e ao silêncio imposto pela própria história.
Duas potências femininas que ajudaram a construir um dos maiores símbolos de resistência do Brasil.
Neste Dia das Mulheres, lembrar dessas histórias é também um ato de justiça. Porque muitas vezes as mulheres estiveram na origem das grandes transformações, mas seus nomes foram deixados nas margens da memória.
Que possamos continuar contando essas histórias.
e trazer a memória de mulheres que nunca foram mencionadas nas salas de aula.
Voltei da viagem com mais bagagem, mais conhecimento, muito mais sentimento.
Obrigada querida Deyse...
E esses encontros cheio de boas energias no Bar Taboca sempre terminam com Pedro Nava e Drummond, eles sempre estão por lá, esperando por nós, que vamos abraçá-los e beija-los:
Isso tudo só na quinta... o fim de semana continua ... gostosíssimo ... Ai nosso Jequi, nosso Vale